25 de setembro de 2007

O meu amigo...


Minha mãe sempre foi fanática por Roberto Carlos. Desde pequena ouço as músicas e as histórias do rei contadas pela fã número 1. Na casa, um espaço reservado às suas duas(!)coleções completas em cd e mais uma em vinil. Além disso, fotos, reportagens, songbooks, biografias (inclusive aquela não-autorizada), canhotos de ingressos dos shows...

Confesso que sempre ouvi com certa distância, talvez pelo simples fato de que era a música da minha mãe, embora não se espante se pegá-la dizendo que curte Ramones ou Pearl Jam... Mas com o tempo aprendi a apreciá-lo com outros ouvidos, e em contextos ou versões diferentes reconheço que às vezes ele se mostra um gênio da canção popular, principalmente na sua época 'jovem-rebelde-sem-chapinha'.

Depois de "Todos estão surdos",o primeiro hit do rei que me fez empolgar de verdade (ok,a versão do Chico Science colaborou para a mudança do conceito), ontem em uma festa pirei ao poder cantar e dançar ao som do clássico "Ilegal, Imoral ou Engorda".
É uma brasa, bicho!


Vivo condenado a fazer o que não quero
De tão bem comportado às vezes eu me desespero
Se faço alguma coisa sempre alguém vem me dizer
Que isso ou aquilo não se deve fazer
Restam meus botões, já não sei mais o que é certo
E como vou saber o que devo fazer
Que culpa tenho eu, me diga amigo meu
Será que tudo o que eu gosto é ilegal, é imoral ou engorda.
Há muito me perdi entre mil filosofias
Virei homem calado e até desconfiado
Procuro andar direito e ter os pés no chão
Mas certas coisas sempre me chamam a atenção
Cá com meus botões, bolas eu não sou de ferro
Páro pra pensar mas não posso mudar
Que culpa tenho eu, me diga amigo meu
Será que tudo que eu gosto é ilegal, é imoral ou engorda.
Se eu conheço alguém num encontro casual
E tudo anda bem num bate-papo informal
Uma noite quente sugere desfrutar
No meu terraço a vista de frente pro mar
Mas a noite é uma criança, delícias no café da manhã
Então o que fazer, já não quero mais saber
Se como alguma coisa que não devo comer
Se tudo que eu gosto é ilegal, é imoral ou engorda

Será que tudo que eu gosto é ilegal, é imoral ou engorda.

21 de setembro de 2007

A Primavera


Quando chega a primavera
Nada mais é o que era
A chuva cai, o ipê amarela
A noite vem mais bela com o entardecer.

Tudo volta a nascer
Da grama cinza o verde que era
Da lembrança do beijo o que agora congela
E vive eterna, viva e terna
como ela.

Estação do futuro, do passado que volta
Que repete a sua rota
Da realidade mais singela
de olhar quem tanto espera,
de desejar a quem venera,
de respirar, de luzes, cores,
de abelha em flores,
da sorte, da morte, da terra,
da esperança que nunca se encerra
Quando chega a primavera.

10 de setembro de 2007

Enfim,Drexler !!!


Então...Eis que chega o momento: falar sobre o show tão ansiosamente aguardado. Após um ataque de gastrite e quase-depressão durante algumas horas, devido ao possível impedimento de comprar os ingressos, veio uma agonia por 5 dias para chegar o sábado e assistir, enfim, o show sonhado por anos...

Na verdade, depois de assistidas as apresentações de sábado e domingo fiquei imaginando o que poderia escrever aqui, já que me senti compromissada a fazê-lo depois de um comentário em postagem anterior... Minha vontade foi de simplesmente dizer: Perfeito. ponto.
Porém, faço aqui uma tentativa de contar o que vi...vivi.
Um palco simples e colorido. Um cantor simples e colorido: de alma, de delicadeza, de vida. Modesto, simpático, inteligente. Interage com o público, fica nervoso(e ri), se preocupa em falar português, pára a música para desejar "saúde" a alguém que espirra, chama atenção do barulho de um celular numa sutil brincadeira de que deve-se programar o toque em "La Maior" para acompanhar a música, acha engraçado o estranho dançar do Arnaldo Antunes, se surpreende que o público conhece o seu trabalho, de verdade.
Foram shows lindos, abrilhantados por improvisos, pelo percussionista Guilherme Kastrup (que cajón era aquele!), por Paulinho Moska e Arnaldo Antunes. Foram dois dias diferentes, com músicas diferentes, emoções e interações diferentes. Mas meus olhos brilharam igual...
Sea...Frontera...Antes...De amor y de casualidad...Músicas que ainda não conhecia e que ouvi, admirada e curiosa. Curiosos também os arranjos especiais para Inoportuna e Soledad com o Arnaldo, Mi guitarra y vos, Eco...
Ao final do último show, momento tiete. Muito tempo de espera e pouco tempo para trocar palavras, autógrafo ao lado da letra de Sanar, foto... Mas valeu a pena!
Homenagens a Paulinho Moska, idealizador do projeto Mercosul Musical, que tornou possível a vinda de Jorge Drexler ao CCBB. Idéia muito boa de trazer a nós um pouco de nuestros hermanos sulamericanos!
E guardo na memória - babando - dois shows maravilhosos, um olhar calmo, uma simpatia tamanha, uma pele macia, um "¡Obrigado, corazón!" e a esperança de um breve retorno.
Visitem!

4 de setembro de 2007

Poesia Adversa

Tenho frases como as tuas
Frases ao ouvido ditas,
Frases de carne crua...
Ilusão da minha vida!
Sonho bom da vida minha!
Ouvir tua voz pela rua
E nunca mais ficar sozinha.

Saber que você vem,
Espero junto ao meu diário
Que um dia o meu contrário
Quis entender o mundo confuso.

E roda a agonia
Cabeça feito parafuso
Vai que não quer mais ninguém
(tenho frases, como as tuas...)
Hoje outro alguém é meu
Para um dia eu ser tua
E, quando chega esse dia,
O fim desapareceu...

Humilde versão, personalizada, da 'Lua Adversa',de Cecília Meirelles

26 de agosto de 2007

Moska...Drexler


Ontem foi o dia de Paulinho Moska.
Como sempre o show foi muito bom. E por várias vezes ele lembrou o evento que acontecerá nas próximas duas semanas - a vinda de Jorge Drexler. Ansiosa há meses, com certeza ficarei com aquele frio na barriga ao ver o ídolo. É,dele eu sou fã!!!
Música do Drexler e cantada na versão português pelo Moska e outros artistas brasileiros.
EDAD DEL CIELO
No somos más que una gota de luz
una estrella fugaz
una chispa tan sólo en la edad del cielo.
No somos lo que quisiéramos ser
Solo un breve latir
en un silencio antiguo con la edad del cielo.
Calma, todo está en calma
deja que el beso dure
deja que el tiempo cure
deja que el alma
tenga la misma edad que la edad del cielo.
No somos más que un puñado de mar
una broma de Dios
un capricho del sol del jardín del cielo
No damos pie entre tanto tic tac
entre tanto big bang
solo un grano de sal en el mar del cielo.
Calma, todo está en calma
deja que el beso dure
deja que el tiempo cure
deja que el alma
tenga la misma edad que la edad del cielo
La misma edad que la edad del cielo.

25 de agosto de 2007

Mart'nália



Homenagem a Mart'nália! Show maravilhoso que assisti ontem...
Lindo o dvd gravado em Berlim, recomendo!
Garota esperta. Escolhe a dedo os seus parceiros musicais - Moska, Djavan, Zélia Duncan... Filha de Martinho da Vila, Mart'nália faz jus ao dito "Filho de peixe, peixinho é". Não posso deixar de comentar os Cavaleiros de Jorge que a acompanham, pessoal de responsa: Analimar Ventapane, Alfredo Doca Machado ,Jorge Ailton, Menino Ovídio, Cassiano, Junior Crispin e Macaco Branco (clap clap clap!)

Ao meu modo, aqui vai uma boa dica. Esta música é quase uma ode ao "f#%@- se!". Aconselho cantá-la sempre quando da vontade de livrar-se de alguém indesejável ou quando na pura dor de cotovelo. Também vale.

http://www.youtube.com/watch?v=QYoYCQ2I6mE

CHEGA

Não, não te quero mais

Agora eu que decido aonde eu vou

Não, não, não suporto mais

Prefiro andar sozinha como for

Andar de madrugada feito traça,

feito barata, feito cupim

Dizer pra mim que eu gosto mais de mim

Que eu sou assim e não tem jeito.

Vai sair da minha vida, você vai ter que mudar

Da minha casa, de atitude e chega!

Ainda mais agora que eu vou viajar pra me livrar de você

Não quero mais ser seu amigo, nem inimigo, nada.

Andar de madrugada feito traça,

feito barata, feito cupim

Dizer pra mim que eu gosto mais de mim

É, que eu sou assim, e não tem jeito

Pra entrar na minha vida você vai ter que mudar

Da minha casa, dos meus amigos e chega!

Ainda mais agora que eu vou viajar e me livrar de você

Não quero mais ser seu amigo nem inimigo, nada.

Pra você é o fim da estrada, com você fechei a tampa

Da minha casa, dos meus amigos, chega!

Ainda mais agora que eu vou viajei e me livrei de você

Não quero mais ser seu amigo nem inimigo, nada.

20 de agosto de 2007

A Pipoca

A culinária me fascina. De vez em quando eu até me atrevo a cozinhar. Mas o fato é que sou mais competente com as palavras que com as panelas. Por isso tenho mais escrito sobre comida que cozinhando. Dedico-me a algo que poderia ter o nome de “culinária literária”. Já escrevi sobre as mais variadas entidades do mundo da cozinha: cebolas, ora-pro-nóbis, picadinho de carne com tomate, feijão e arroz, bacalhoada, suflês, sopas, churrascos. Cheguei mesmo a dedicar metade de um livro poético-filosófico a uma meditação sobre o filme A festa de Babette, que é uma celebração da comida como ritual de feitiçaria. Sabedor das minhas limitações e competências, nunca escrevi como chef. Escrevi como filósofo, poeta, psicanalista e teólogo – porque a culinária estimula todas as funções do pensamento.
As comidas, para mim, são entidades oníricas. Provocam a capacidade de sonhar. Nunca imaginei, entretanto, que chegaria um dia em que a pipoca iria me fazer sonhar. Pois foi precisamente isso o que aconteceu. A pipoca, o milho mirrado, grãos redondos e duros, me pareceu uma simples molecagem, brincadeira deliciosa, sem dimensões metafísicas ou psicanalíticas. Entretanto, dias atrás, conversando com uma paciente, ela mencionou a pipoca. E algo inesperado na minha mente aconteceu. Minhas idéias começaram a estourar como pipoca. Percebi, então, a relação metafórica entre a pipoca e o ato de pensar. Um bom pensamento nasce como uma pipoca que estoura, de forma inesperada e imprevisível. A pipoca se revelou a mim, então, como um extraordinário objeto poético. Poético porque, ao pensar nelas, as pipocas, meu pensamento se pôs a dar estouros e pulos como aqueles das pipocas dentro de uma panela.
Lembrei-me do sentido religioso da pipoca. A pipoca tem sentido religioso? Pois tem. Para os cristãos, religiosos são o pão e o vinho, que simbolizam o corpo e o sangue de Cristo, a mistura de vida e alegria (porque vida, só vida, sem alegria, não é vida...) Pão e vinho devem ser bebidos juntos. Vida e alegria devem existir juntas. Lembrei-me, então, da lição que aprendi com a Mãe Stella, sábia poderosa do candomblé baiano: que a pipoca é a comida sagrada do candomblé...
A pipoca é um milho mirrado, subdesenvolvido. Fosse eu agricultor ignorante, e se no meio dos meus milhos graúdos aparecessem aquelas espigas nanicas, eu ficaria bravo e trataria de me livrar delas. Pois o fato é que, sob o ponto de vista de tamanho, os milhos de pipoca não podem competir com os milhos normais. Não sei como isso aconteceu, mas o fato é que houve alguém que teve a idéia de debulhar as espigas e colocá-las numa panela sobre o fogo, esperando que assim os grãos amolecessem e pudessem ser comidos. Havendo fracassado a experiência com água, tentou com gordura. O que aconteceu, ninguém jamais poderia ter imaginado. Repentinamente os grãos começaram a estourar, soltavam da panela com uma enorme barulheira. Mas o extraordinário era o que acontecia com eles: os grãos duros quebra-dentes se transformavam em flores brancas e macias que até as crianças podiam comer. O estouro das pipocas se transformou, então, de uma simples operação culinária, em uma festa, brincadeira, molecagem, para os risos de todos, especialmente das crianças. É muito divertido ver o estouro das pipocas!
E o que é que isso tem a ver com o candomblé? É que a transformação do milho duro em pipoca macia é símbolo de grande transformação por que devem passar os homens para que eles venham a ser o devem ser. O milho da pipoca não é o que deve ser. Ele deve ser aquilo que acontece depois do estouro. O milho da pipoca somos nós: duros, quebra-dentes, impróprios para comer, pelo poder do fogo podemos, repentinamente, nos transformar em outra coisa – voltar a ser crianças!
Mas a transformação só acontece pelo poder do fogo. Milho de pipoca que não passa pelo fogo continua a ser milho de pipoca, para sempre. Assim acontece com a gente. As grandes transformações acontecem quando passamos pelo fogo. Quem não passa pelo fogo fica do mesmo jeito, a vida inteira. São pessoas de uma mesmice e de uma dureza assombrosas. Só que elas não percebem. Acham que o seu jeito de ser é o melhor jeito de ser. Mas, de repente, vem o fogo. O fogo é quando a vida nos lança numa situação que nunca imaginamos. Dor. Pode ser fogo de fora: perder um amor, perder um filho, ficar doente, perder um emprego, ficar pobre. Pode ser fogo de dentro. Pânico, medo, ansiedade, depressão – sofrimentos cujas causas ignoramos. Há sempre o recurso aos remédios. Apagar o fogo. Sem fogo o sofrimento diminui. E com isso a possibilidade da grande transformação.
Imagino que a pobre pipoca, fechada dentro da panela, lá dentro ficando cada vez mais quente, pense que sua hora chegou: vai morrer. De dentro de sua casca dura, fechada em si mesma, ela não pode imaginar destino diferente. Não pode imaginar a transformação que está sendo preparada. A pipoca não imagina aquilo de que ela é capaz. Aí, sem aviso prévio, pelo poder do fogo, a grande transformação acontece: pum! – e ela aparece como uma outra coisa, completamente diferente, que ela mesma nunca havia sonhado. É a lagarta rastejante e feia que surge do casulo como borboleta voante.
Na simbologia cristã o milagre do milho da pipoca está representado pela morte e ressurreição de Cristo: a ressurreição é o estouro do milho da pipoca. É preciso deixar de ser de um jeito para ser de outro. “Morre e transforma-te!” – dizia Goethe.
Em Minas, todo mundo sabe o que é piruá. Falando sobre os piruás com os paulistas descobri que eles ignoram o que sejam. Alguns, inclusive, acharam que era gozação minha, que piruá é palavra inexistente. Cheguei a ser forçado a me valer do Aurélio para confirmar o meu conhecimento da língua. Piruá é o milho de pipoca que se recusa a estourar. Meu amigo Willian, extraordinário professor pesquisador da Unicamp, especializou-se em milhos, e desvendou cientificamente o assombro do estouro da pipoca. Com certeza ele tem uma explicação científica para os piruás. Mas, no mundo da poesia, as explicações científicas não valem. Por exemplo: em Minas “piruá” é o nome que se dá às mulheres que não conseguiram casar. Minha prima, passada dos quarenta, lamentava: “Fiquei piruá!” Mas acho que o poder metafórico dos piruás é muito maior. Piruás são aquelas pessoas que, por mais que o fogo esquente, se recusam a mudar. Elas acham que não pode existir coisa mais maravilhosa do que o jeito de elas serem. Ignoram o dito de Jesus: “Quem preservar a sua vida perdê-la-á”. A sua presunção e o seu medo são a dura casca do milho que não estoura. O destino delas é triste. Vão ficar duras a vida inteira. Não vão se transformar na flor branca e macia. Não vão dar alegria para ninguém. Terminado o estouro alegre da pipoca, no fundo da panela ficam os piruás que não servem para nada. Seu destino é o lixo.
Quanto às pipocas que estouraram, são adultos que voltaram a ser crianças e que sabem que a vida é uma grande brincadeira...


Rubem Alves

7 de agosto de 2007

Indefinido


Eu não sei na verdade quem eu sou
Já tentei calcular o meu valor
Mas sempre encontro sorriso e o meu paraíso é onde estou...
Por que a gente é desse jeito
criando conceito pra tudo que restou?
Meninas são bruxas e fadas
Palhaço é um homem todo pintado de piadas
Céu azul é o telhado do mundo inteiro
Sonho é uma coisa que fica dentro do meu travesseiro.
Mas eu não sei na verdade quem eu sou
Já tentei calcular o meu valor
Mas sempre encontro sorriso e o meu paraíso é onde estou...
Eu não sei na verdade quem eu sou.
Perceber de onde veio a vida
Por onde entrei deve haver uma saída
Mas tudo fica sustentado pela fé
Na verdade ninguém sabe o que é.
Velhinhos são crianças nascidas faz tempo
Com água e farinha eu colo figurinha e foto em documento
Escola é onde a gente aprende palavrão...
Tambor no meu peito faz o batuque do meu coração.
Descobri que a cada minuto
Tem um olho chorando de alegria e outro chorando de luto
Tem louco pulando o muro, tem corpo pegando doença
Tem gente rezando no escuro, tem gente sentido ausência.
"Eu não sei na verdade quem eu sou" - O Teatro Mágico

2 de agosto de 2007

O Trem


Tento de todas as formas lembrar o nome daquele trem... O trem que leva no seu vagão vários mundos, de toda gente que nele está. Que viaja e pára em qualquer estação que exista alguém para entrar, para sair.
Que trem é aquele que deixa tudo passar, que passa num trilho que parece nunca ter fim?
Há fumaça, há apito e há sempre algo a sua espera, mesmo quando ele já se sente velho demais e incapaz de ser esperado.
E ansioso o trem dispara, passo a passo, com pressa e preso: é a sua incapacidade de voar, de correr ou de simplesmente flutuar.
É o trem que tem medo de cair no abismo, de se chocar com outro. E quando pode ele muda a rota e parece voltar.
Que longo o trem.
Que longa a vida.

26 de julho de 2007

Trava-línguas

O trava-línguas é uma sucessão de sons semelhantes, geralmente difíceis de serem reproduzidos quando pronunciados rapidamente.
Faz parte das manifestações populares da cultura das diferentes línguas e normalmente integra o repertório da literatura oral das crianças.

Casa suja. Chão sujo. Casa suja. Chão sujo. Casa suja. Chão sujo. Casa suja. Chão sujo. ..

Atrás da pia tem um prato, um pinto e um gato. Pinga a pia, apara o prato, pia o pinto e mia o gato.

Lá vem o velho Félix com um fole velho nas costas. Tanto fede o velho Félix como o fole do velho Félix fede.

Tem uma tatu-peba, com sete tatu-pebinha. Quem destatupebá ela, bom destatupebador será.

A Gigi já jejuou hoje e o João enjoou e jejuou junto.

Paulo Pereira Pinto Peixoto, pobre pintor português, pinta perfeitamente, portas, paredes e pias por parco preço, patrão.

Betty Botter had some butter,"But," she said, "this butter's bitter.If I bake this bitter butter,it would make my batter bitter.But a bit of better butter--that would make my batter better.

Um sapo dentro do saco O saco com o sapo dentro O sapo batendo o papo E o papo cheio de vento.

Trezentos e trinta e três trilhões trezentos e trinta e três milhões trezentos e trinta e três mil e trezentos e trinta e três.

Se o Papa papasse papa, se o Papa papasse pão, o Papa tudo papava. Seria o Papa papão.

El perrito de Rita me irrita.Si el perrito de Rita me irrita,dile a Rita que cambie el perrito por una perrita.

Quico quer caqui. Que caqui que o Quico quer? O Quico quer qualquer caqui.

Num ninho de Mafagafos cinco mafagafinhos tem. Quem os desmafagafizar um grande desmafagafizador será. (essa eu nunca consegui dizer!)

A batina do padre Pedro é preta.

Macarrão,Camarão,Caramujo. Macarrão,Camarão,Caramujo. Macarrão,Camarão,Caramujo. Macarrão,Camarão,Caramujo. Macarrão,Camarão,Caramujo. Macarrão,Camarão,Caramujo.

Quem a paca cara compra, caro a paca pagará.

E não confunda ornitorrinco com otorrinolaringologista, ornitorrinco com ornitologista, ornitologista com otorrinolaringologista, porque ornitorrinco é ornitorrinco, ornitologista é ornitologista, e otorrinolaringologista é otorrinolaringologista!

19 de julho de 2007

Pausa pro café

"Num salão de Paris,a linda moça de olhar gris,toma café. Moça feliz(...) Quedê o sertão daqui? Lavrador derrubou. Quedê o lavrador? Está plantando café. Quedê o café? Moça bebeu. Mas a moça,onde está? Está em Paris. Moça feliz". Cassiano Ricardo

De longa história, os primeiros cafeeiros já faziam parte das paisagens das montanhas da Etiópia antes do século 5º, onde seus grãos eram consumidos em forma de pasta, misturada a uma espécie de manteiga. Dali passaram para a Arábia do Sul - os grãos eram então torrados, reduzidos a pó num pilão, sendo esse pó jogado em água fervente. No final do século 15, em Meca, na Arábia Saudita, surgiram os primeiros locais públicos de venda de café, o que também aconteceu em Constantinopla.
Do Oriente para o Ocidente, o café veio a bordo das naus dos mercadores de Veneza. Os italianos, porém, não aprovaram a bebida à maneira turca, com o pó misturado à água, e decidiram criar uma receita ao seu próprio gosto: os grãos moídos eram colocados num filtro, sendo a água fervente derramada sobre o pó. A aprovação foi imediata e os primeiros salões de café viraram moda na Itália - eram locais sofisticados de reuniões de amigos.
Na França criaram-se saraus literários em torno do cafezinho, e consta que o rei Luis XV gostava de preparar o seu pessoalmente. Na Alemanha, o café ganhou como homenagem nada menos do que uma cantata, assinada por ninguém menos do que Johann Sebastian Bach. Na Inglaterra não fez muito sucesso, apesar de terem surgido muitas coffee houses pelo país, logo perdendo em popularidade para o chá, a indiscutível bebida nacional.
Quando os holandeses levaram mudas de cafeeiros para o Sri Lanka e Java, o café se aproximava do Brasil: das Índias Orientais, via Holanda, as mudas chegaram às Guianas. Então foi só atravessar a fronteira, na bagagem do Sargento-mor Palheta, para fazer do país, de 1840 a 1880, seu maior produtor mundial.

Do livro "500 anos de sabor", de Eda Romio

16 de julho de 2007

Pan Pan Pan...


É tempo de PAN!
Nesta Panacéia desvairada, brilha os olhos o que foge do cotidiano. União de vários esportes, países, medalhas e recordes.
Por falar em recordes, mal começou o evento e já temos um no quesito investimento: os estimados R$942,5 milhões quadruplicaram antes mesmo da abertura dos jogos! O bolso do brasileiro, gostando ou não de esportes, sem dúvida é o maior investidor desta festa.
Mas tudo acaba em medalhas. O Brasil, com sua enorme equipe distribuída nas 41 modalidades, dá ao coração brasileiro a esperança de muitos ouros. O torcedor, incluindo o bandido e o trombadinha, se aproveita para fazer parte também das conquistas - medalhas, festa, turismo, Rio de Janeiro...
Noves fora, A Comemorar! Palco para grandes estrelas, como a seleção masculina de vôlei e a queridinha Daiane dos Santos da ginástica artística, o Pan sempre traz grandes apostas e revelações. Eu aposto nos 22 brasilienses, sobretudo os do atletismo e dos saltos ornamentais e revelo que estarei sempre de olho nas competições até o encerramento.
Para quem gosta e quer ficar por dentro também, acesse o site
www.brasilnopan.com.br
Com ajuda da nossa torcida, dos organizadores, da polícia e a sorte do nosso mascote Cauê (que poderia ter se chamado Kuará), que o Brasil, ao menos neste Pan, nos dê motivos para orgulho de sermos chamados brasileiros.

12 de julho de 2007

Passatempo


Brincadeirinha light para quem estiver por aqui
Observe e encontre as pessoas que não estão nos dois desenhos.
Boa diversão!
Retirado do livro Explicando a arte, de Jô Oliveira e Lucília Garcez

11 de julho de 2007

Cultura

Poesia de Arnaldo Antunes

O girino é o peixinho do sapo.
O silêncio é o começo do papo.
O bigode é a antena do gato.
O cavalo é o pasto do carrapato.
O cabrito é o cordeiro da cabra.
O pescoço é a barriga da cobra.
O leitão é um porquinho mais novo.
A galinha é um pouquinho do ovo.
O desejo é o começo do corpo.
Engordar é tarefa do porco.
A cegonha é a girafa do ganso.
O cachorro é um lobo mais manso.
O escuro é a metade da zebra.
As raízes são as veias da seiva.
O camelo é um cavalo sem sede.
Tartaruga por dentro é parede.
O potrinho é o bezerro da égua.
A batalha é o começo da trégua.
Papagaio é um dragão miniatura.
Bactéria num meio é cultura.


(Arnaldo Antunes in "Nome" São Paulo.BMG Ariola Discos,1993)

3 de julho de 2007

Fragmentos de um pensador


Eu não tenho jeito. Caio e fico, erro e repito, bebo e recomeço, prometo e desobedeço, e quando tudo é claro eu escureço.
Ninguém me conhece direito, pois toda e qualquer traição que cometo é da ponta do nariz para dentro. Que bom,ainda há quem me ame.
Eu filosofo e não chego a lugar algum. O que vejo assisto. E se choro, sorrio ou desisto é motivo para pensar e pensar e pensar...
Admito a inveja de não ser o que não sou, não ter o que não tenho. Oposto a isso reconheço, agradeço e quero apenas o que é para ser meu.
E o que é?
Não descobri. Exceto o que é meu e de todo mundo, como o dia, a noite, o futuro mudo, meus são pensamentos, gostos, meus amores platônicos que horas depois já não são mais. O que é meu o ouvido, a lembrança, os medos não superados. Se para algo ser eternamente meu necessita ser também do mundo inteiro eu fico nu, incendeio, descontrolo, peço arrego.
Eis-me nu, maltrapilho! Clamo a todos que sou mau, faço o mal e não quero mais a poesia, nem o sorriso de alegria. Dane-se a simpatia.
Volto a ser sem jeito, porém não arrependo mais que me arrebente. Não penso - apenas estratégias para a destruição. Quem sabe assim me torne alguém melhor, com mais amores, menos dores, sem horrores e nada mais me assustará. Nem este traiçoeiro e vil ato que é pensar.

29 de junho de 2007

Abraço aos amigos


Meus amigos são todos assim: metade loucura, outra metade santidade. Escolho-os não pela pele, mas pela pupila, que tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante. Fico com aqueles que fazem de mim louco e santo. Deles não quero resposta, quero meu avesso. Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto, e velhos, para que nunca tenham pressa. Tenho amigos para saber quem eu sou, pois vendo-os loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que a normalidade é uma ilusão imbecil e estéril.

Oscar Wilde

A todos eles que sempre estão por aqui e aqui dentro.

23 de junho de 2007

Flamenco


Já estava na hora de postar alguma coisa sobre a Dança Flamenca. É a minha grande paixão. Na verdade, flamenco não é apenas dança, mas expressão de cultura, de vida, de alma.
Amigos, não é exagero meu, mas quem um dia experimenta ver ou dançar entende esta sensação que vicia, e vibra, e sente, e chora, e sorri, e bate palmas, e sapateia, e sonha, e ¡olé!

A começar, um pouco da história do FLAMENCO

O flamenco é um estilo musical e um tipo de dança fortemente influenciado pela cultura cigana, mas que tem raízes mais profundas na cultura musical mourisca, influência de árabes e judeus. A cultura do flamenco é associada principalmente a Andaluzia na Espanha, e tornou-se um dos ícones da música espanhola e até mesmo da cultura espanhola em geral.
Muitos dos detalhes do desenvolvimento do flamenco foram perdidos na história da Espanha e existem várias razões para essa falta de evidências históricas:
Os tempos turbulentos dos povos envolvidos na cultura do flamenco. Os
mouros, os ciganos e os judeus foram todos perseguidos e expulsos pela inquisição espanhola em diversos tempos durante a “Reconquista”.
Os ciganos possuíam principalmente uma cultura oral. As suas músicas eram passadas às novas gerações através de actuações em comunidade
Granada, o ultimo reduto dos mouros, caiu em 1492, quando os exércitos de Fernando II de Aragão e Isabel I de Castela (os reis católicos) reconquistaram esta cidade após cerca de 800 anos de domínio muçulmano. O Tratado de Granada foi criado para assegurar as bases da tolerância religiosa, conseguindo com isso que os muçulmanos se rendessem pacificamente. Durante alguns anos existiu uma tensa calma em Granada e à sua volta, no entanto, à inquisição não lhe agradava a tolerância religiosa relativamente aos judeus e aos muçulmanos e conseguiu convencer Fernando e Isabel a quebrarem o tratado e a forçar os judeus e os mouros a converterem-se a cristianismo ou deixarem a Espanha de vez. Em 1499, cerca de 50.000 mouros foram coagidos a tomar parte de um baptismo em massa. Durante a rebelião que se seguiu, as pessoas que recusaram baptizar-se ou serem deportadas para África, foram pura e simplesmente eliminadas. Como consequência desta situação, assistiu-se à fuga de mouros, ciganos e judeus para as montanhas e regiões rurais.
Foi nesta situação social e economicamente difícil que as culturas musicais de judeus, ciganos e mouros começaram a fundir-se no que se tornaria a forma básica do flamenco: O estilo de cantar dos mouros, que expressava a sua vida difícil na Andaluzia, palmas ritmadas e movimentos de dança básicos. Muitas das músicas flamencas aindas refletem o espírito desesperado, a luta, a esperança, o orgulho e as festas noturnas durante essa época. Música mais recente de outras regiões de Espanha, influenciaram e foram influenciadas pelo estilo tradicional do flamenco.

Mais no site http://pt.wikipedia.org/wiki/Flamenco

12 de junho de 2007

Ite

Sinusite, amigdalite, preguicite. Febre alta, pressão baixa, insônia, preocupação. Dor de cabeça, apaixonite, celulite, resfriado, dor de veado de tanta tosse. Até parece letra de música.
Enquanto meu mundo rodava descompassadamente a enfermeira comentou que a minha veia era do tipo "dançarina". A situação não permitiu que eu achasse graça naquilo, pois já completavam quatro tentativas frustradas, uma agulhada pior que a outra. Dói demais. Após a quinta picada - e até que enfim a última -, quando remédios e soro já passeavam pelo meu corpo pensei em respondê-la: "É porque sempre gostei de dançar, tá na veia mesmo!". É claro que não disse. Mesmo se estivesse em condições de verbalizar qualquer coisa que fosse não seria uma piadinha como essa que faria em momento tão inoportuno.
Penso agora na tal história da ação-reação. Quando fico o dia inteiro estudando, por exemplo, sinto dores de cabeça e nas costas; quando passo horas dançando (para alimentar a danada e inquieta veia) tenho no máximo cansaço nas pernas; mas se faço a simples extravagância de tomar sereno por poucas horas sou nocauteada desta maneira? Protesto! Há de se rever isso.
Aguardo respostas e não tenho como fugir do repouso. O bom é que algumas decisões estão sendo tomadas enquanto tomo os vários remédios nestes intermináveis três dias: a partir de agora e durante todo o inverno, que começa na próxima semana, casaco é traje fundamental; todas as noites a janela estará sempre fechada; cerveja gelada só se for numa tarde de muito calor; nunca ir ao samba com "tomara-que-caia"(para tal decisão existem também outros motivos); aproveito para rezar pelos mais enfermos do que eu; e acreditar em grandes olhares somente quando acompanhados por atitudes compatíveis.
Porque o pulso ainda pulsa.

5 de junho de 2007

Olha pro céu, meu amor


Em época de festas juninas aqui vão algumas curiosidades sobre esta antiga tradição e também simpatias para o dia de Santo Antônio...para quem é de.


A festa Junina é uma celebração brasileira de origem européia, historicamente relacionada com a festa pagã do solstício de verão que era celebrada no dia 24 de junho, segundo o calendário pré-gregoriano e cristianizada na Idade Média como "Festa de São João". Ela festeja no Brasil três importantes santos católicos: Santo Antônio (13 de junho), São João (24 de junho) e São Pedro (29 de junho). Em Portugal, estas festas são conhecidas pelo nome de Santos Populares e correspondem a diferentes feriados municipais: Santo António, em Lisboa, São João, no Porto, em Braga e em Almada.


A origem da fogueira - Uma legenda católica cristianizando a fogueira do solstício estival afirma que o antigo costume de acender fogueiras no começo do verão europeu tinha suas raízes em um trato feito pelas primas Isabel e Maria. Para avisar Maria sobre o nascimento de São João Batista e assim ter seu auxílio após o parto, Isabel tinha acendido uma fogueira sobre um monte. Ainda hoje, a fogueira de São João é o traço comum que une todas as festas de São João européias (da Estônia ao Portugal, da Finlândia à França).

Os balões - eram elemento comum durante o São João brasileiro. Tornou-se, no entanto, uma prática proibida por lei, devido ao risco de incêndio. Os balões serviam para avisar que a festa iria começar.Eram soltados de 5 a 7 balões para se indentificar.


O relacionamento entre os devotos e os santos juninos, principalmente Santo Antônio e São João, é quase familiar: cheio de intimidades, chega a ser, por vezes, irreverente, debochado e quase obsceno. Esse caráter fica bastante evidente quando se entra em contato com as simpatias, sortes, adivinhas e acalantos feitos a esses santos:

"Confessei-me a Santo Antônio,
confessei que estava amando.
Ele deu-me por penitência
que fosse continuando."


A seguir, algumas simpatias feitas para Santo Antônio:
- Moças solteiras, desejosas de se casar, em várias regiões do Brasil, colocam-no de cabeça para baixo atrás da porta ou dentro do poço ou enterram-no até o pescoço. Fazem o pedido e, enquanto não são atendidas, lá fica a imagem de cabeça para baixo. E elas pedem:
meu Santo Antônio...
- Para arrumar namorado ou marido, basta amarrar uma fita vermelha e outra branca no braço da imagem de Santo Antônio, fazendo a ele o pedido. Rezar um Pai-Nosso e uma Salve-Rainha. Pendurar a imagem de cabeça para baixo sob a cama. Ela só deve ser desvirada quando a pessoa alcançar o pedido.
E não esqueça: dia 13 de junho,dia de Santo Antônio, deve-se ir à igreja para receber o "pãozinho de Santo Antônio", que é dado gratuitamente pelos padres.



Boas comemorações!


Informações retiradas do site www.pt.wikipedia.org/wiki/Festa_Junina