21 de novembro de 2008

Discovery


Viajar o mundo inteiro pra ver
Pra ver como mundo é grande
Pra ver como a terra é gigante
pra ver como eu sou pequeno
Pra ver como eu sou poeira.

Subir a montanha mais alta pra ver
A estrada e o rio
Do tamanho de um fio de cabelo
Pra ver como eu sou poeira
Pra ver como eu sou um cisco
E o rio São Francisco visto do alto
é um risco no mapa.

Quero nada,Quero não,Quero nada, não.

Olhar pela janela do Discovery
E ver como a terra é grande.
E ver como a terra é azul.
Girando num universo sem fronteira.

Deixa eu aqui plantado no mesmo lugar
Se eu quiser eu leio um livro
Se eu quiser eu toco um som
Porque o tom do pensamento é infinito
e sonhar é bom.

Lula Queiroga

20 de novembro de 2008

Consciência

Hoje, dia 20, é Dia da Consciência Negra.
É dia! Consciência, Branco!

"Somos miscigenados por inteiro, Salve o povo índio-branco-afro-brasileiro!"

19 de novembro de 2008

O Burro

Homenagem ao Dia do Cordelista
O grande Patativa!

Vai ele a trote, pelo chão da serra,
Com a vista espantada e penetrante,
E ninguém nota em seu marchar volante,
A estupidez que este animal encerra.

Muitas vezes, manhoso, ele se emperra,
Sem dar uma passada para diante,
Outras vezes, pinota, revoltante,
E sacode o seu dono sobre a terra.

Mas contudo! Este bruto sem noção,
Que é capaz de fazer uma traição,
A quem quer que lhe venha na defesa,

É mais manso e tem mais inteligência
Do que o sábio que trata de ciência
E não crê no Senhor da Natureza.

Patativa do Assaré

5 de novembro de 2008

Oh,Bama!


E nasce uma esperança! Quanta esperança! A vontade do início, a vontade do fim, a América para os americanos, para os africanos, para os haitianos, muçulmanos, islâmicos, América para os paraibanos...

Vejo tudo isso como um perigo e uma grande ilusão que nos ensinam desde criança: "filho, ponha a capa que você será um super-herói". É o mesmo que achar que os Beatles, Chapolin ou o Exterminador do Futuro vai resolver todos os problemas da humanidade.

Noves fora, torço por muita sorte para os próximos anos e uma realidade melhor, já que isso também faz parte da vida, da história e do futuro do meu país.

Democracia para o mundo, paz, igualdade e dólar a um real!

28 de outubro de 2008

Rua da passagem


Os curiosos atrapalham o trânsito
Gentileza é fundamental
Não adianta esquentar a cabeça
Não precisa avançar no sinal
Dando seta pra mudar de pista
Ou pra entrar na transversal
Pisca alerta pra encostar na guia
Pára brisa para o temporal
Já buzinou, espere, não insista,
Desencoste o seu do meu metal
Devagar pra contemplar a vista
Menos peso do pé no pedal
Não se deve atropelar um cachorro
Nem qualquer outro animal
Todo mundo tem direito à vida
Todo mundo tem direito igual.
Motoqueiro caminhão pedestre
Carro importado, carro nacional
Mas tem que dirigir direito
Para não congestionar o local
Tanto faz você chegar primeiro
O primeiro foi seu ancestral
É melhor você chegar inteiro
Com seu venoso e seu arterial
A cidade é tanto do mendigo
Quanto do policial
Todo mundo tem direito à vida
Todo mundo tem direito igual.
Travesti trabalhador turista
Solitário família casal
Todo mundo tem direito à vida
Todo mundo tem direito igual.
Sem ter medo de andar na rua
Porque a rua é o seu quintal
Todo mundo tem direito à vida
Todo mundo tem direito igual.
Boa noite, tudo bem, bom dia,
Gentileza é fundamental
Pisca alerta pra encostar na guia
Com licença, obrigado, até logo, tchau.

Lenine/Arnaldo Antunes

10 de outubro de 2008

A Compadecida


Lembro-me da oração do João Grilo no filme "O Auto da Compadecida", de Ariano Suassuna, quando chegou às portas do céu e resolveu apelar à Nossa Senhora para livrá-lo do inferno.
Uma lembrança ao dia 12, de Nossa Senhora Aparecida.

Versos engraçadinhos da cultura nossa popular.

"Valha-me Nossa Senhora, Mãe de Deus de Nazaré!
A vaca mansa dá leite
A braba dá quando quer
A mansa dá sossegada
A braba levanta o pé
Já fui barco, fui navio
Hoje sou escaler
Já fui menino, fui homem
Só me falta ser mulher
Valha-me Nossa Senhora, Mãe de Deus de Nazaré!"
(Ariano Suassuna)

8 de outubro de 2008

Por trás da foto


O beijo da Time Square

O Beijo de despedida da Guerra foi feita por Victor Jorgensen na Times Square em 14 de Agosto de 1945, onde um soldado da marinha norte-americana beija apaixonadamente uma enfermeira. O que é fora do comum para aquela época é que os dois personagens não eram um casal, eram perfeitos estranhos que haviam acabado de encontrar-se.
A fotografia, grande ícone, é considerada uma analogia da excitação e paixão que significa regressar a casa depois de passar uma longa temporada fora,como também a alegria experimentada ao término de uma guerra.

26 de setembro de 2008

Coração Tranquilo

Tudo é uma questão de manter
A mente quieta
A espinha ereta
E o coração tranquilo.

Coração Tranquilo - Walter Franco
http://www.youtube.com/watch?v=MAqCJ3S-Klc

19 de setembro de 2008

A Luz

Dizem que "Das trevas alcança-se a Luz".
Sábias palavras!
...
Certo...
...
... ok! ...
...
...

...Alguém pode me emprestar uma lamparina aí?

16 de setembro de 2008

Vida Animal


Já parou para pensar que nós, dotados do privilégio de sermos os únicos seres capazes de raciocínio e "evolução"(?), a todo momento nos comparamos ou agimos como os animais? Bem ou mal eles nos servem de parâmetro e, muitas vezes, de ingrata metáfora para explicar nossos costumes ou burrices.
Pois é...a burrice! Essa palavra vem do burro... que, diga-se de passagem, é mais inteligente que o cavalo, que no nosso mundo racional daqui, nada mais é do que um cara grosso que vive dando patada.
E as patas do pato? Diz certa espécie que os patos são os animais mais sábios que existem porque já nascem com os dedos unidos para não ter que usar aliança. Vê se pode! Isso só pode ter vindo de um jumento carente...
E falando nisso, por que será que ao imaginarmos um bichinho carente vemos um ursinho fofo, ou um gatinho? Ursos são solitários por natureza, selvagens e fortes o suficiente para não precisarem de mais ninguém; os gatos, bichos individualistas, desconfiados e por vezes, rudes. Não vejo carência nesses seres. O cachorro, por sua vez, tanto pode ser aquela figura dócil pedinte de atenção como pode representar a mais incompreensível e previsível das espécies - os homens.
Mas se chamo um de cachorro é porque sou uma galinha; se uma criatura bate no meu carro a chamo de vaca (se homem, é cachorro mesmo!); se como demais viro baleia; se não tomo banho viro um porco; se protejo demais sou uma coruja; se falo demais sou comparada ao homem da cobra(???); mas se fico quieta na minha viro tatu.
Com essas e outras a gente vai levando a nossa evoluída e racional vida, a passos de tartaruga, bicando tudo feito beija-flor, engolindo os sapos e pagando os micos que aprontamos: incomparáveis seres.

E boca de siri.

15 de setembro de 2008

Todo se Transforma

Tu beso se hizo calor,
Luego el calor, movimiento,
Luego gota de sudor
Que se hizo vapor, luego viento
Que en un rincón de la rioja
Movió el aspa de un molino
Mientras se pisaba el vino
Que bebió tu boca roja.

Tu boca roja en la mía,
La copa que gira en mi mano,
Mientras el vino caía
Supe que de algún lejano rincón
De otra galaxia, el amor que me darías,
Transformado, volvería
Un día a darte las gracias.

Cada uno da lo que recibe
Luego recibe lo que da,
Nada es más simple,
No hay otra norma
Nada se pierde,Todo se transforma.

El vino que pagué yo,
Con aquel euro italiano
Que había estado en un vagón
Antes de estar en mi mano,
Y antes de eso en torino,
Y antes de torino en prato,
Donde hicieron mi zapato
Sobre el que caería el vino.

Zapato que en unas horas
Buscaré bajo tu cama
Con las luces de la aurora,
Junto a tus sandalias planas
Que compraste aquella vez
En Salvador de Bahia,
Donde a otro diste el amor
Que hoy yo te devolvería.

Cada uno da lo que recibe
Luego recibe lo que da,
Nada es más simple,
No hay otra norma
Nada se pierde,Todo se transforma.

Todo se transforma - Jorge Drexler
http://www.youtube.com/watch?v=oCjpqx3cXs0

2 de setembro de 2008

Milonga

Nem todo toco ecoa
Nem todo eco toca
Nem toda toca é casa
Nem toda casa é rosa
Nem toda rosa é flor
Nem qualquer botão de prosa
Nem toda lua é nova
Nem toda areia é branca
Nem todo fato prova
E toda santa é santa
Nem toda morte é dor
Nem toda ilusão distante.

Milonga - Rodrigo Maranhão
www.myspace.com/rodrigomaranhao

27 de agosto de 2008

Não nos custa tentar

A vontade era de se exaltar, não sabia como. As vezes os desejos vão além do que o próprio corpo ou razão alcançam. Quando deixou a caneta sobre o papel, estava certo da troca que fizera. Então, abandonou o abstrato e agarrou a determinação que nunca antes conhecera. E assim foi.
A mochila nas costas era apenas um símbolo daquilo que mais queria naquele momento, a liberdade de escolher o próprio caminho a seguir, com a única certeza de que por pouco que parecesse era feliz. Feliz sim, pois era vivo e agora livre de quaisquer maltratos que sofrera enquanto estava encarcerado no seu terrível hospital.
Durante o caminho, vez ou outra olhava para trás, na dúvida da estrada certa a percorrer. Insegurança daquele pré-aventureiro, botando em prática o que sempre sonhara: a caça infinda do tesouro da experiência, da coragem, da sabedoria – o tesouro do real saber viver.
Respirou fundo. Em passos constantes de bravura e serenidade, olhando tudo e todos ao redor da estrada quase deserta, descobriu que nada vem em vão, e que o homem no seu masoquismo e desonestidade com o próprio destino não se deixa viver, libertando-se do seu sofrimento e culpa.
Aquela grande família de sem-dentes, o gado atropelado pelo trator selvagem, o casebre destruído pela força do vendaval, fez com que pensasse em tudo isso e concluiu que, se parasse por ali mesmo, já teria valido a pena toda aquela caminhada.
Em passos confiantes e leves, ainda que falhos, ia. Num momento de inspiração e sentimento de liberdade, viu que era no próprio corpo que habitavam os males, ao contrário do que pensava, e que só dependia de si mesmo para se dar alta. Ao perceber o peso da mochila nas costas, viu que era a sua cruz naquela caminhada e a liberdade que a acompanhava não era uma condição, mas um lembrete de que tudo tem o seu preço.
Ao fim da estrada, respirou fundo mais uma vez. Com um sorriso singelo estampado de satisfação, voltou para casa certo de que tudo iria melhorar a partir de então, e dizia aos passantes com a doce simpatia que agora resgatara da remota infância: “Não nos custa tentar.”

26 de agosto de 2008

No Fim

2008 – 1000 e BUM !
Disk passagem para o além
Mamãe, perdoa qualquer coisa
Para Deus me fazer anjo
E não o diabo meu acém.

Oh, grande régisseur
Não permita descompasso
Neste lugar sem melodia
Em que o cenário é só de vento
E o grande coro se faz de aço.

Se for mesmo o apocalipse
Que anuncia a lava do vulcão
Juro por mim mortinho
Se isso ainda validar:
Não deixarei minha paixão.

Transformar-me-ei em lindo arcanjo
Com olhos azuis e aquela flecha...
Esquecer-me-ei de tudo que não creio
Que por mais que ame, resisto
Por mais que bate, o coração se fecha.

20 de agosto de 2008

Minha Mãe me Ensinou...

Era uma forma, hoje condenada por educadores e psicólogos, mas que funcionou para grande parte de homens e mulheres que também criaram seus filhos assim e agora assistem, algumas vezes hesitantes, a criação de seus netos de outra forma bastante diferente.

-Minha mãe me ensinou LÓGICA E HIERARQUIA... "PORQUE EU DIGO QUE É ASSIM! PONTO FINAL! QUEM É QUE MANDA AQUI?"
-Minha mãe me ensinou o que é MOTIVAÇÃO... "CONTINUA CHORANDO QUE EU VOU TE DAR UMA RAZÃO VERDADEIRA PARA VC CHORAR!"
-Minha mãe me ensinou a CONTRADIÇÃO... "FECHA A BOCA E COME!"
-Minha Mãe me ensinou sobre ANTECIPAÇÃO... "ESPERA SÓ ATÉ SEU PAI CHEGAR EM CASA!"
-Minha Mãe me ensinou sobre PACIÊNCIA... "CALMA!... QUANDO CHEGARMOS EM CASA VOCÊ VAI VER SÓ...".
-Minha Mãe me ensinou a ENFRENTAR OS DESAFIOS... "OLHE PARA MIM! ME RESPONDA QUANDO EU TE FIZER UMA PERGUNTA!"
-Minha Mãe me ensinou sobre RACIOCÍNIO LÓGICO... "SE VOCÊ CAIR DESSA ÁRVORE VAI QUEBRAR O PESCOÇO E EU VOU TE DAR UMA SURRA!"
-Minha mãe ensinou a VALORIZAR O SORRISO... "SE VOCÊ E SEU IRMÃO QUEREM SE MATAR, VÃO PRA FORA. ACABEI DE LIMPAR A CASA!"
-Minha Mãe me ensinou MEDICINA... "PÁRA DE FICAR VESGO, MENINO! PODE BATER UM VENTO E VOCÊ VAI FICAR ASSIM PARA SEMPRE."
-Minha Mãe me ensinou sobre o REINO ANIMAL... "SE VOCÊ NÃO COMER ESSAS VERDURAS, OS BICHOS DA SUA BARRIGA VÃO COMER VOCÊ!"
-Minha Mãe me ensinou sobre GENÉTICA... "VOCÊ É IGUALZINHO AO SEU PAI!"
-Minha Mãe me ensinou sobre minhas RAÍZES... "TÁ PENSANDO QUE NASCEU DE FAMÍLIA RICA É?"
-Minha Mãe me ensinou sobre a SABEDORIA DA IDADE... "QUANDO VOCÊ TIVER A MINHA IDADE, VOCÊ VAI ENTENDER."
-Minha Mãe me ensinou sobre JUSTIÇA... "UM DIA VOCÊ TERÁ SEUS FILHOS, E EU ESPERO QUE ELES FAÇAM PRÁ VOCÊ O MESMO QUE VOCÊ FAZ PRA MIM! AÍ VOCÊ VAI VER O QUE É BOM!"
-Minha mãe me ensinou RELIGIÃO... "MELHOR REZAR PARA ESSA MANCHA SAIR DO TAPETE!"
-Minha mãe me ensinou o BEIJO DE ESQUIMÓ... "SE RABISCAR DE NOVO, EU ESFREGO SEU NARIZ NA PAREDE!"
-Minha mãe me ensinou CONTORCIONISMO... "OLHA SÓ ESSA ORELHA! QUE NOJO!"
-Minha mãe me ensinou DETERMINAÇÃO... "VAI FICAR AÍ SENTADO ATÉ COMER TODA COMIDA!"
-Minha mãe me ensinou habilidades como VENTRÍLOQUO... "NÃO RESMUNGUE! CALA ESSA BOCA E ME DIGA POR QUE É QUE VOCÊ FEZ ISSO?"
-Minha mãe me ensinou a SER OBJETIVO... "EU TE AJEITO NUMA PANCADA SÓ!"
-Minha mãe me ensinou a ESCUTAR... "SE VOCÊ NÃO ABAIXAR O VOLUME, EU VOU AÍ E QUEBRO ESSE RÁDIO!"
-Minha mãe me ensinou a TER GOSTO PELOS ESTUDOS.. "SE EU FOR AÍ E VOCÊ NÃO TIVER TERMINADO ESSA LIÇÃO, VOCÊ JÁ SABE!..."
-Minha mãe me ajudou na COORDENAÇÃO MOTORA... "JUNTA AGORA ESSES BRINQUEDOS!! PEGA UM POR UM!!"
-Minha mãe me ensinou os NÚMEROS... "VOU CONTAR ATÉ DEZ. SE ESSE VASO NÃO APARECER VOCÊ LEVA UMA SURRA!"

Brigadão Mãe !!!

13 de agosto de 2008

Sobre a Saudade

A palavra Saudade traz em si, diversos significados que podem ser interpretados de acordo com o contexto onde é aplicado. Sua origem encontra-se no Latim, Solitate, e se pesquisada, descobriremos que a conotação contemporânea distanciou-se da original. Saudade não mais se refere ao sentimento de solidão preservado em variações de línguas românicas como o espanhol: soledad e soledat.
Sobre a saudade, podemos encontrar definições como "Sentimento mais ou menos melancólico de ausência, ligado pela memória à situações de privação da presença de alguém ou de algo, de afastamento de um lugar ou de uma coisa, ou à ausência de certas experiências e determinados prazeres já vividos e considerados pela pessoa em causa como um bem desejável"; ou "Lembrança nostálgica e, ao mesmo tempo, suave, de pessoa ou coisa distante ou extinta. Pesar pela ausência de alguém que nos é querido". Como sinônimos, encontramos Lembrança e Nostalgia.
Em 30 de janeiro celebra-se o "Dia da Saudade". Na gramática Saudade é substantivo abstrato, tão abstrato que só existe na língua portuguesa. Os outros idiomas têm dificuldade em traduzi-la ou atribuir-lhe um significado preciso: Te extraño (castelhano), J'ai regret (francês) e Ich vermisse dish (alemão). No idioma inglês encontramos várias tentativas: homesickness (equivalente a saudade de casa ou do país), longing e to miss (sentir falta de uma pessoa), e nostalgia (nostalgia do passado, da infância).
Mas todas essas expressões estrangeiras não definem o que sentimos. São apenas tentativas de determinar esse sentimento que nós mesmos não sabemos exatamente o que é. Não é só um obstáculo ou uma incompatibilidade da linguagem, mas é principalmente uma característica cultural daqueles que falam a língua portuguesa.

7 de agosto de 2008

Caçador de mim

Por tanto amor
Por tanta emoção
A vida me fez assim
Doce ou atroz
Manso ou feroz
Eu, caçador de mim

Preso a canções
Entregue a paixões
Que nunca tiveram fim
Vou me encontrar
Longe do meu lugar
Eu, caçador de mim

Nada a temer senão o correr da luta
Nada a fazer senão esquecer o medo
Abrir o peito a força, numa procura
Fugir às armadilhas da mata escura

Longe se vai
Sonhando demais
Mas onde se chega assim
Vou descobrir
O que me faz sentir
Eu, caçador de mim

Caçador de Mim - Milton Nascimento

23 de julho de 2008

À toa

Todo dia era a mesma cena: Antes do jantar a neném começava a chorar, a mãe a colocava no colo tentando acalmá-la e a irmã mais velha começava a chorar também, como quem necessitava a atenção integral da mãe afobada. Era sempre assim.

Após um momento desse desespero-rotina, a mãe chamou a filha e explicou:
- Minha filhinha, a sua irmazinha é só um bebê. Quando ela chora, ou tem fome, ou tem sono ou está doentinha. Mocinhas não choram à toa.

Outro dia, a mãe chegava cabisbaixa no quarto da primogênita, com soluços e olhos mareados, procurando entrar na brincadeira da filha que dava vida a bonecas.
- Mamãe, a senhora está com fome?
- Não, meu bem,não estou com fome...
- A senhora está com sono?
- Não,minha filha, também não...
- A senhora está dodói?
- Também não, viuu.

A criança então senta na cama, chama a mãe e oferece o seu pequeno colo coberto por um vestido rosa com flores coloridas:
- Mamãe... mocinhas não choram à toa...