28 de junho de 2009

Num Dia

Sujar o pé de areia pra depois lavar na água
Lavar o pé na água pra depois sujar de areia
Esperar o vagalume piscar outra vez
Ouvir a onda mais distante por trás da onda mais próxima
Sujar o pé de areia pra depois lavar na água.

Respirar
Sentir o sabor do que comer
Caminhar
Se chover, tomar chuva

Não esperar nada acontecer
Ser gentil com qualquer pessoa.

Sujar o pé de areia pra depois lavar na água
Lavar o pé na água pra depois sujar de areia
Esperar o vagalume piscar outra vez
Ouvir a onda mais distante por trás da onda mais próxima

Respirar
Sentir o sabor do que comer
Caminhar
Se chover, tomar chuva

Ter saudade no final da tarde
Para quando escurecer, esquecer
Ao se deitar para dormir, dormir.

Arnaldo Antunes

http://www.youtube.com/watch?v=WgZqm_htwSs

26 de junho de 2009

Nada Como

Nada como viajar...
Nada como respirar novos ares...
e nada como Buenos Aires!
Nada como voltar para casa

Nada como sonhar com o retorno.

2 de junho de 2009

A Profissão

O garoto retraído e pacato vivia insossamente isolado no seu mundo de livros e televisão. Como cotidiano, nem ao menos questionava-se ao ouvir os comentários e proibições de sua mãe:
- "Meu filho, não pode correr na rua";
- "Artistas são todos desequilibrados, isso não é profissão";
- "Não pode mexer com eletricidade";
- "Não deve falar com estranhos";
- "Dinheiro não leva a nada";
- "Não pode mentir".
Sempre calado, nunca participava das conversas ao redor da mesa de centro. Apenas tomava o seu café, com postura tensa e olhos atentos. Em um dia atípico, uma amiga da mãe foi visitar a família para dar a notícia de que seu filho mais velho, enfim, tornara-se doutor. Virou-se para o garoto e perguntou o que gostaria de ser quando crescer. O menino parou, olhou para cima por alguns segundos, sorriu. Em seguida, olhou para a mãe e tornou-se sério, com um ar chorão, e triste respondeu:
- Acho que nada...

- Meu filho, todo mundo tem que ser alguma coisa na vida, ter uma profissão. Os garotos da sua idade sonham com uma carreira. Por que você não quer ser nada? - disse a mãe.
- É, sua mãe está certa. Você deve gostar de alguma coisa que vê na tevê ou que faz com os seus amigos, na escola, no conservatório... Não é verdade?

- É, eu gosto - concordou o garoto em tom melancólico - mas acho que a mamãe não iria gostar das profissões que eu poderia escolher: Ela não ia querer que eu fosse atleta, nem músico; Ela não deixaria que eu fosse engenheiro elétrico, nem relações públicas, nem economista e nem advogado.
É, acho que não poderei ser nada...

28 de maio de 2009

O Tempo


"O tempo é um ponto de vista dos relógios."


Mário Quintana

26 de maio de 2009

Ano Novo de Novo

Um ano a mais,um ano a menos, não importa a visão do copo cheio ou vazio. Fato inevitável é o de novo, o ciclo que, por mais um ano, se repete e aumenta, embolando ainda mais este novelo confuso e espetacular que é a caminhada da vida. Que Deus me dê saúde e postes de luz para continuá-la.

Momento pouco nostálgico, mas nem tanto tristonho nesta véspera de Reveillon particular, posto aqui alguns significados poéticos para o momento, retirados do Pequeno dicionário de palavras ao vento, de Adriana Falcão:

Idade
Aquilo que você tem certeza
que vai ganhar de aniversário,
queira ou não queira.

Velhice
A conclusão mais feliz
a que uma história pode chegar.

Futuro
Tudo que vem depois deste instante,
deste agora, deste outro e dos próximos.

23 de maio de 2009

Pecado Original

Se tivessem comido só um pedaço
da fruta do Saber
e inventado a rede, a moringa
e o prazer...
Mas não.
Fizeram a besteira
de comer a fruta inteira.
E saíram a inventar roda,
motor, reator,
consciência, dor...
Ficaram inteligentíssimos
e sem um lugar para morar.
Esta verdade nada anula
o pecado original
foi a Gula.

Luís Fernando Veríssimo

18 de maio de 2009

8 de maio de 2009

Shakespeare e Música


"Todo homem que em si não traga música
E a quem não toquem doces sons concordes,
É de traições, pilhagens, armadilhas.
Seu espírito vive em noite obscura,
Seus afetos são negros como o Érebo:
Não se confie em homem tal…"


Trecho de O Mercador de Veneza

20 de abril de 2009

Brasil com P

Depois do show de ontem, deixo aqui registrado um pouco do poeta rap brasiliense GOG, o novo queridinho da cidade.
Letra politizada e inteligente.

Pesquisa publicada prova
Preferencialmente preto
Pobre prostituta pra polícia prender
Pare pense por quê?
Prossigo
Pelas periferias praticam perversidades
Pm's
Pelos palanques políticos prometem prometem
Pura palhaçada
Proveito próprio
Praias programas piscinas palmas
Pra periferia
Pânico pólvora pa pa pa
Primeira página
Preço pago
Pescoço peitos pulmões perfurados
Parece pouco
Pedro Paulo
Profissão pedreiro
Passatempo predileto
Pandeiro
Preso portando pó passou pelos piores pesadelos
Presídio porões problemas pessoais
Psicológicos perdeu parceiros passado presente
Pais parentes principais pertences
Pc
Político privilegiado preso parecia piada
Pagou propina pro plantão policial
Passou pelo porta principal
Posso parecer psicopata
Pivô pra perseguição
Prevejo populares portando pistolas
Pronunciando palavrões
Promotores públicos pedindo prisões
Pecado pena prisão perpétua
Palavras pronunciadas
Pelo poeta irmão...

Mais GOG com Lenine - A Ponte http://www.youtube.com/watch?v=rwFLsKSJmR4

10 de abril de 2009

Páscoa


Como dizia a minha prima Elisinha...

FELIZ OVO DE PÁSCOA!!!

6 de abril de 2009

Se não puderes ser um pinheiro, no topo de uma colina,
Sê um arbusto no vale mas sê
O melhor arbusto à margem do regato.
Sê um ramo, se não puderes ser uma árvore.
Se não puderes ser um ramo, sê um pouco de relva
E dá alegria a algum caminho.
Se não puderes ser uma estrada,
Sê apenas uma senda,
Se não puderes ser o Sol, sê uma estrela.
Não é pelo tamanho que terás êxito ou fracasso...Mas sê o melhor no que quer que sejas.

Pablo Neruda

1 de abril de 2009

A História da Mentira

O 1º de abril é conhecido mundialmente como Dia da Mentira. A explicação mais aceita para como a data foi escolhida remete ao século XVI. Naquela época, o ano novo era comemorado no dia 25 de março, na chegada da primavera. Os festejos duravam uma semana, e só terminavam em 1º de abril. Essa data, então, marcava o início do ano.
O rei Carlos IX, com a instituição do calendário gregoriano, que usamos até hoje, transferiu a comemoração da virada para o primeiro dia de janeiro. Mas a mudança não agradou a todos, e “radicais” continuaram a comemorar em fins de março. O comportamento se tornou motivo de chacota e gozadores enviavam convites de festas que não existiam. As brincadeiras recorrentes marcaram o 1º de abril como dia da mentira.
Nos países de língua inglesa, a data é conhecida como April Fool’s Day, ou Dia dos Tolos. No Brasil, o primeiro estado a incorporar a brincadeira foi Pernambuco. A publicação “A Mentira”, lançada em 1º de abril de 1848, estampava apenas inverdades. Dentre elas, a morte do imperador Dom Pedro I, desmentida poucos dias depois.
As tradições do Dia da Mentira rezam que nenhuma brincadeira pode ser realizada depois da meia-noite, sob o risco de ter má sorte. A maldição também recai sobre quem não leva na esportiva as ações dos amigos.

Texto retirado do sítio www.dzai.com.br

20 de março de 2009

Outono


Bem vindo ao outono! Minha estação preferida.
Outono é tempo de sol e frio, casacos e marrons. Laranjas e marrons.
É a estação mais corajosa, em que deixa-se morrer para tornar-se algo melhor.
Outono é o preparar-se para um novo ciclo.
Eu sou outono e espero sê-lo eternamente.

17 de março de 2009

Sonho Meu



Sonho meu, sonho meu
Vai buscar quem mora longe
Sonho meu
Vai mostrar esta saudade
Sonho meu
Com a sua liberdade
Sonho meu
No meu céu a estrela guia se perdeu
A madrugada fria só me traz melancolia
Sonho meu

Sinto o canto da noite
Na boca do vento
Fazer a dança das flores
No meu pensamento
Traz a pureza de um samba
Sentido, marcado de mágoas de amor
Um samba que mexe o corpo da gente
E o vento vadio embalando a flor...

Dona Ivone Lara

14 de março de 2009

Eu não morri

Eu não morri na praia, eu não morri.
Ainda chego e tomo o meu lugar ao sol!
O guarda-sol será o meu amigo e não trará grãos de areia aos meus olhos. Pedirei uma cerveja acompanhada de camarões ao alho e óleo.
Caminharei pela areia molhada de água e sal das ondas que acabam.
Catarei conchas do mar e fugirei das algas, sempre com meu sorriso de diversão e vitória.
Correrei. E, ao voltar para o meu lugar, estarei morto, de sede, e brindarei à vida com água de côco.
Sim, eu voltarei. Porém mais forte e experiente, confiante e feliz de tudo que viverei por ali.
Eu não morri na praia, estou chegando lá. Moro no centro e a caminhada é longa. Tenho muito a viver, mas lá também não morrerei.
Eu ainda voarei de asa delta e verei tudo por cima, na claridade do dia ensolarado e úmido.
Eu ainda empinarei pipas, correndo a favor do vento...
Eu ainda passarinho!

2 de março de 2009

Instruções para Chorar

Deixando de lado os motivos, atenhamo-nos à maneira correta de chorar, entendendo por isto um choro que não penetre no escândalo, que não insulte o sorriso com sua semelhança desajeitada e paralela. O choro médio ou comum consiste numa contração geral do rosto e um som espasmódico acompanhado de lágrimas e muco, este no fim, pois o choro acaba no momento em que a gente se assoa energicamente.
Para chorar, dirija a imaginação a você mesmo, e se isto lhe for impossível por ter adquirido o hábito de acreditar no mundo exterior, pense num pato coberto de formigas ou nesses golfos do estreito de Magalhães nos quais não entra ninguém, nunca.
Quando o choro chegar, você cobrirá o rosto com delicadeza, usando ambas as mãos com a palma para dentro. As crianças chorarão esfregando a manga do casaco na cara, e de preferência num canto do quarto. Duração média do choro, três minutos.
Julio Cortázar

26 de fevereiro de 2009

Nubes

Por el aire andan plácidas montañas
o cordilleras trágicas de sombra
que oscurecen el día. Se las nombra
nubes. Las formas suelen ser extrañas.
Shakespeare observó una. Parecía
un dragón. Esa nube de una tarde
en su palabra resplandece y arde
y la seguimos viendo todavía.
¿Qué son las nubes? ¿Una arquitectura
del azar? Quizá Dios las necesita
para la ejecución de Su infinita
obra y son hilos de la trama oscura.
Quizá la nube sea no menos vana
que el hombre que la mira en la mañana.

Jorge Luis Borges

18 de fevereiro de 2009

Um homem precisa viajar


Um homem precisa viajar. Por sua conta, não por meio de histórias, imagens, livros ou TV. Precisa viajar por si, com seus olhos e pés, para entender o que é seu. Para um dia plantar as suas árvores e dar-lhes valor. Conhecer o frio para desfrutar o calor. E o oposto. Sentir a distância e o desabrigo para estar bem sob o próprio teto. Um homem precisa viajar para lugares que não conhece para quebrar essa arrogância que nos faz ver o mundo como o imaginamos, e não simplesmente como é ou pode ser; que nos faz professores e doutores do que não vimos, quando deveríamos ser alunos, e simplesmente ir ver”.

Amir Klink

6 de fevereiro de 2009

Dame


Dame el día
Dame aquel aire
Dame la luz casi desierta
Que sale de la rendija de tu hogar.
Dame el sol que cuesta se poner
El sonido de aquellos autos
Mientras esperas por mi...
Dame la luna
El viento que abre tus brazos
Tus miradas, tus lazos...
Dame el raro buen día
El secreto de tu vida
Y me digas solamente sí.
Dame meses, dame años
Una palabra, tal vez esperar
Siempre, quizás
Mirando el fondo de tu dibujo blanco.
Dame la gracia, tu sonrisa
La contesta que necesito saber
De la historia - dame más lineas
Dame ganas de volver.

29 de janeiro de 2009

El Afronte

Posto aqui vídeo gravado nas ruas de San Telmo, bairro boêmio de Buenos Aires e onde sempre encontramos bons artistas se apresentando.

Este é um pouquinho da orquestra El Afronte. Só pra dar um gostinho...