30 de janeiro de 2008

É Carnaval!


Carnaval chegando, vamos falar um pouco sobre esta festa.

Quem trouxe o carnaval ao Brasil foram os portugueses, por volta de 1750. Nessa época, a festa era chamada de entrudo, palavra que vem do latim introitu e significa entrada, pois a comemoração começava na entrada (início) da Quaresma. Mais tarde, surgiram as máscaras, as fantasias e as marchinhas. A serpentina (de origem francesa) e o confete (de origem espanhola) que enfeitam os bailes de salão chegaram ao Brasil em 1892. Algumas fantasias, como as de Pierrô, Colombina, Arlequim e Rei Momo são bastante tradicionais, principalmente nos bailes de salão. Mas, mesmo com todo o sucesso desses bailes, o carnaval de rua é cada vez mais procurado e ainda preserva parte do folclore brasileiro.
O primeiro carnaval brasileiro, segundo os historiadores, aconteceu em 1641. O governador do Rio de Janeiro, Salvador Correa de Sá Benevides, determinou que se dedicasse uma semana de festa para homenagear a coroação de D. João IV. O povo adorou a idéia. No início, o carnaval era animado com canções portuguesas, como as quadrilhas. Depois, vieram a polca e os ritmos do carnaval italiano. Só em 1870 é que surgiu uma música tipicamente brasileira, o maxixe, e a primeira canção carnavalesca do país: E viva Zé Pereira. Uma tradição do carnaval eram as brigas com ovos, limões, água e farinha, já cultivada em outros países. Na época da Proclamação da Independência, eram comuns essas batalhas. Até as orgulhosas senhoritas da alta sociedade participavam. Das varandas das casas, moças vistosas jogavam ovos e água nas pessoas que passavam na rua.

Nas próximas postagens, um pouco dos ritmos celebrados no carnaval de todo o país.

23 de janeiro de 2008

Modernidade Criativa

Aqui vão algumas soluções criativas para fugir da mesmice-padrão das necessidades da modernidade.

Lençol para solteiros:
Sofá inteligente:

Imã de geladeira com abridor de garrafas:

Mictório:

Ducha colorida:

Lixeira-robô:

Cadeira-família:

Prato para festa:

Mochila Yoda:

Banheiro Masculino:

15 de janeiro de 2008

Apático

Tenho pouco na bagagem
Pouca história para contar
Carrego dentro pouco de força, de esperança
e de sorriso para disfarçar.
Tenho muito de idade
O suficiente para confessar
Do que me resta, seja muito, espero
Pois do quase nada que me revelo
Não o chamo de viver.
Sobrevivo
No medo do que não sei, do que não quero
A todo tempo me contradigo
Mas sempre sigo o que me faz continuar.
Hoje nada me traduz
Não há canto, melhor amigo
nem poema escondido, nem feixe de luz
Não há sequer sombra do que for que diga.
Hoje nada me conduz
Não há receio nem bem querer
Apático, apenas acredito na fé que pus
No meu desvelo, ao amanhecer.

14 de janeiro de 2008

Fim do Dia

Demora tanto, demora tanto pra crescer
Pra depois de uma hora pra outra morrer
Tem que mamar, tem que comer e beber
Deixar vir e ir sofrimento e prazer
Não há o que lamentar
Quando chega o fim do dia
Um cara que anda tem que chegar em algum lugar
Um cara que trabalha trabalha trabalha deve se cansar
O cara estuda tanto e ainda tem tanto pra aprender
Passa o tempo e fica mais fácil esquecer
Não há o que lamentar
Quando chega o fim do dia
Não há o que lamentar
quando chega o fim do dia
Se despede da sua dor
Diz adeus à sua alegria
Não há o que lamentar
Quando chega o fim do dia.

Arnaldo Antunes

3 de janeiro de 2008

Tudo Novo de Novo

Primeira postagem de 2008.
Nada mudou.
Depois da passagem de ano a vida segue. O que renovam são apenas especulações; esperanças que às vezes morrem logo, às vezes persistem por mais um tempo; promessas ora cumpridas, ora esquecidas.
E o ano novo carrega mais um ano de velhice, no árduo peso do tempo.
E vivemos, e rimos, e choramos, e prometemos, e desistimos, e amamos, e erramos. Tudo novo de novo, como diria o Moska.


TUDO NOVO DE NOVO

Vamos começar
Colocando um ponto final
Pelo menos já é um sinal
De que tudo na vida tem fim
Vamos acordar

Hoje tem um sol diferente no céu
Gargalhando no seu carrossel
Gritando nada é tão triste assim
É tudo novo de novo

Vamos nos jogar onde já caímos
Tudo novo de novo
Vamos mergulhar do alto onde subimos.
Vamos celebrar

Nossa própria maneira de ser
Essa luz que acabou de nascer
Quando aquela de trás apagou
E vamos terminar

Inventando uma nova canção
Nem que seja uma outra versão
Pra tentar entender que acabou
Mas é tudo novo de novo

Vamos nos jogar onde já caímos
Tudo novo de novo
Vamos mergulhar do alto onde subimos.

19 de dezembro de 2007

Mineira


"O sotaque das mineiras deveria ser ilegal, imoral ou engordar. Porque, se tudo que é bom tem um desses horríveis efeitos colaterais, como é que o falar, sensual e lindo (das mineiras) ficou de fora? Porque, Deus, que sotaque! Mineira devia nascer com tarja preta avisando: Ouvi-la faz mal à saúde. Se uma mineira, falando mansinho, me pedir para assinar um contrato doando tudo que tenho, sou capaz de perguntar: Só isso? Assino achando que ela me faz um favor. Eu sou suspeitíssimo. Confesso: ESSE SOTAQUE ME DESARMA." Carlos Drummond de Andrade

Crônica moderna de fim de ano

Não se faz mais fins de ano como antigamente. Hoje em dia está tudo renovado e a tradição se encaixa às tendências da modernidade.
O Natal, ainda com tantas luzes, se transforma em um dos poucos momentos de encontro no ano de pessoas atarefadas que mal participam da vida do outro. É a noite em que todos se reparam e aos cantos comentam uns com os outros as novidades do ano: quem se separou, quem se juntou, quem envelheceu, quem rejuveneceu.
Na trilha sonora, definitivamente foram aposentadas as canções que embalavam o espírito natalino, em especial aquele cd da Simone! O garoto de 11 anos lança o som que a galera gosta e os clipes do momento. Os jovens cantam (em inglês) e imitam seus artistas em roupas, gestos e rebolados. As tias acham lindo; A mamãe pede bis.
A criançada hoje, mais adulta do que tudo e mais esperta do que a de antes, não conta mais com o serviço dos Correios e desde bem antes mandam um e-mail para Papai Noel, aproveita e envia uma cópia para o pai, a mãe e deixa seus desejos de Natal divulgados no blog e na lista de presentes do orkut. Precaução. Na lista, a novidade não é exatamente novidade: normalmente são versões atualizadas dos presentes do ano passado.
E assim seguem as festas de Natal e Ano Novo. As roupas de Reveillon são cada vez mais coloridas, já que a necessidade não se resume em apenas paz.
A esperança para o próximo ano se renova com o desejo de passar em um concurso público, e não mais subir de cargo na empresa. É contar quantas cirurgias plásticas pretende fazer, e não mais rezar para passar longe de um hospital.
Aguardamos 2008 chegar e com ele as novidades para o próximo dezembro.
Boas festas.

7 de dezembro de 2007

Fala,Charles


Pensamos demasiadamente
Sentimos muito pouco.
Necessitamos mais de humildade
Que de máquinas.
Mais de bondade e ternura
Que de inteligência.
Sem isso,
A vida se tornará violenta e
Tudo se perderá.

Charles Chaplin

30 de novembro de 2007

Ley de gravedad


¡¡Voy!!
Pensando en el pasado
Viendo de lleno el miedo y enfrentándolo
¡¡Voy!!
A veleta perdía
Llevá por lo que más brilla y con ventilación
¡¡Voy!!
Sin brújula ni prisa
En mi soledad me encuentro en technicolor
¡¡Voy!!
Sin huir de este tiempo
Aire pa los laberintos de mi corazón.
Las palabras que no son
Son paja en el camino
Los amigos que no son
Son sonámbulos de pasillo
¡Dime dónde estás, dime dónde vas, dime lo que ves!
Ley de gravedad...
No necesito tener alas pa volar
Ley de gravedad...
El viento gira y la veleta sigue igual.
Pero no pa siempre
Dicen los que ven
No pa siempre este mundo del revés
Pero no pa siempre
Dicen lo que ven
¡Pero no pa siempre!
¡Pero no pa siempre!

Canción de Ojos de Brujo
http://youtube.com/watch?v=hBW4OWCRt-M
http://www.ojosdebrujo.com/

25 de novembro de 2007

Latente

O que é bom brilha forte, e acaba
Do ruim, por muito tempo estraga
Furor que arrepia, ardente
A dor, somente
O choro, o riso
O desejo, indeciso
A alegria de outrora se disfarça
Em sentir mais, é quase farsa
Do não querer, do não sentir
Não viveria, enfim!
Por que tudo em mim é tão latente?

24 de novembro de 2007

Olha o jegue

Na viagem para o Ceará, que terminou hoje, fiquei impressionada com o estado e as suas várias contradições. De um lado, a grande pobreza que vive a região, maltratada pela seca e tudo o que ela acarreta; de outro, a beleza do seu fantástico litoral. Na capital, Fortaleza, tudo que é explorado, o que será, a sua história, os prédios arranha-céus e tantos outros que virão... É a riqueza de uma cidade e a miséria ainda visível em todo o restante...
Pareceu-me que os maiores ídolos do povo cearense são Tasso Jereissati e Fagner.
Pareceu-me que os maiores orgulhos do povo cearense são os famosos humoristas da terra e o tradicional animal da região, o jegue, minha gente! rs
Posto aqui algumas fotos dos lugares que mais me encantaram:
Canoa Quebrada: Fiquei apaixonada por este lugar! Antiga praia de nudismo que ficou conhecida nos anos 60 por ripongas de todo o mundo. Hoje com cerca de 3mil habitantes, tem uma vista incrível, um ar bastante místico e uma "Broadway", a rua de lazer que garante a vida noturna do lugar. Ainda vou comprar uma casa lá...

Lagoinha: Cartão postal do litoral cearense, Lagoinha é uma belíssima praia no município de Paraipaba. Muitos coqueiros, muita brisa e é muito aconchegante!

Flecheiras: Este nome vêm dos índios que viviam ali e pescavam com arco e flecha. Parece que estamos nas dunas do Maranhão. A paisagem de areia clara contrasta com o cenário ao lado, da praia do Mundaú.

Mundaú: Praticamente inexplorada, paradisíaca. Além disso, possui dois fenômenos que a faz ainda mais irresistível: o encontro da água doce do rio Mundaú com o mar e as paleodunas, em que as dunas de areia estão se transformando em pedras.
O Ceará vale a pena ser visitado!

16 de novembro de 2007

Respeitem meus cabelos, brancos

A homenagem desta vez é ao Dia da Consciência Negra!
Esse dia é celebrado desde a década de 1960 em 20 de novembro, que relembra a morte do Zumbi dos Palmares(em 1695) e traz uma reflexão do papel do negro e a sua inserção de forma justa na sociedade.

"Ninguém nasce odiando outra pessoa pela cor da sua pele, ou por sua origem, ou sua religião. Para odiar as pessoas precisam aprender.
E se elas aprendem a odiar podem ser ensinadas a amar, pois o amor chega mais naturalmente ao coração humano do que o seu oposto.
A bondade humana é uma chama que pode ser oculta, jamais extinta."
Nelson Mandela.

Leia sobre:
Fundação Palmares - http://www.palmares.gov.br/
Mundo Negro - http://www.mundonegro.com.br/
Quilombo dos Palmares - http://www.quilombodospalmares.org.br/

9 de novembro de 2007

Exterior

Por que a poesia tem que se confinar
às paredes de dentro da vulva do poema?
Por que proibir à poesia
estourar os limites do grelo
da greta
da gruta
e se espraiar além da grade
do sol nascido quadrado?

Por que a poesia tem que se sustentar
de pé, cartesiana milícia enfileirada,
obediente filha da pauta?
Por que a poesia não pode ficar de quatro
e se agachar e se esgueirar
para gozar
– carpe diem! –
fora da zona da página?

Por que a poesia de rabo preso
sem poder se operar
e, operada,
polimórfica e perversa,
não pode travestir-se
com os clitóris e balangandãs da lira?

Waly Salomão

5 de novembro de 2007

Por que


Dá-lhe Otto!!! Depois do show de sábado(bom demais!), música hoje martelando...momento propício.

Por que você me quer assim
Triste e traiçoeiro
Se eu posso dividir meu corpo e meu amor.
Pra que ficar assim desesperada
Se ele falou que não lhe quer
Até de manhã
Vou esquentar os pães
Teus dedos
Até de manhã
Vou esquentar os pães
Teus dedos...
Na vida tenho muito que dançar
Para aguentar o peso
Pra parar de pensar no erro.
Por que você não quer
Ficar tranquila um pouco
Seu rosto é mais bonito rindo.
Pra que ficar assim desesperada
Se ele falou que não lhe quer
Até de manhã
Vou esquentar os pães
Teus dedos
Até de manhã
Vou esquentar os pães
Teus dedos
Por que você me quer assim
Triste e traiçoeiro...

31 de outubro de 2007

Hallo... o que?


31 de outubro. Hoje o dia é do Saci!

Desde 2005 foi oficializado esse dia como uma homenagem à brasilidade, tendo esse personagem como símbolo dessa festa, que também e principalmente é um manifesto contra o "dia das bruxas", de uma cultura que não faz parte da nossa e não sabemos porque existe. "Gostosuras e travessuras" na minha terra é em setembro, no dia de São Cosme e São Damião! Ah,isso sim faz parte da minha infância...
O Brasil não precisa importar cultura, já temos o bastante, muito obrigado.
Entre lendas e cantigas, entre doçuras e travessuras, viva a cultura e o folclore brasileiro!
E por falar nisso, você sabe a história do Saci?

A Lenda do Saci data do fim do século XVIII. Durante a escravidão, as amas-secas e os caboclos-velhos assustavam as crianças com os relatos das travessuras dele. Os primeiros relatos são da Região Sudeste, em Minas e São Paulo. Em Portugal há relatos de uma entidade semelhante, que usa botas vermelhas. Há também variantes dessa entidade, na Argentina, Uruguai e Paraguai(Yasy Yateré), que é pequeno, gordo, vermelho e usa um bastão mágico dourado. Na Alemanha existe um anão chamado Kobolde, cujas características, de moleque travesso, são idênticas.
Seu nome no Brasil é de origem Tupi Guarani. Por aqui o Saci-Pererê é considerado um negrinho brincalhão de uma perna só que fuma um cachimbo e usa na cabeça uma carapuça vermelha, que lhe dá poderes mágicos, como o de desaparecer e aparecer onde quiser. Vive aprontando travessuras e se diverte muito com isso. Adora espantar cavalos, queimar comida e acordar pessoas com gargalhadas;
O Saci-Saçurá tem olhos vermelhos. Ele também se transforma numa ave chamada Mati-taperê, ou Sem-fim, ou Peitica como é conhecida no Nordeste, cujo canto melancólico ecoa em todas as direções, não permitindo sua localização. A superstição popular faz dessa ave uma espécie de demônio, que pratica malefícios pelas estradas, enganando os viajantes com os timbres dispersos do seu canto, e fazendo-os perder o rumo. Ele adora fazer pequenas travessuras, como esconder brinquedos, soltar animais dos currais, derramar sal nas cozinhas e fazer tranças nas crinas dos cavalos.
Diz a crença popular que dentro de todo redemoinho de vento existe um Saci. Dizem que ele não atravessa córregos nem riachos. Se alguém jogar dentro do redemoinho um rosário de mato bento ou uma peneira pode capturá-lo, e caso consiga sua carapuça, pode realizar um desejo.
Se alguém for perseguido por ele, deve jogar em seu caminho cordas ou barbantes com nós. Ele então irá parar para desatá-los, e só depois continua a perseguição, o que dá tempo para que a pessoa fuja.

"Se queres ser universal, cante a tua aldeia".

24 de outubro de 2007

Roda Viva

Tem dias que a gente se sente
Como quem partiu ou morreu
A gente estancou de repente
Ou foi o mundo então que cresceu
A gente quer ter voz ativa
No nosso destino mandar
Mas eis que chega a roda viva
E carrega o destino prá lá...
Roda mundo, roda gigante
Roda moinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração.
A gente vai contra a corrente
Até não poder resistir
Na volta do barco é que sente
O quanto deixou de cumprir
Faz tempo que a gente cultiva
A mais linda roseira que há
Mas eis que chega a roda viva
E carrega a roseira prá lá...
A roda da saia mulata
Não quer mais rodar, não senhor
Não posso fazer serenata
A roda de samba acabou
A gente toma a iniciativa
Viola na rua a cantar
Mas eis que chega a roda viva
E carrega a viola prá lá...
O samba, a viola, a roseira
Que um dia a fogueira queimou
Foi tudo ilusão passageira
Que a brisa primeira levou
No peito a saudade cativa
Faz força pro tempo parar
Mas eis que chega a roda viva
E carrega a saudade prá lá...
Roda mundo, roda gigante
Roda moinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas rodas do meu coração.

Chico Buarque

18 de outubro de 2007

Como Che


Em tempos de comemorações aos 40 anos da morte de Che Guevara me peguei relendo alguns trechos do seu diário de viagem, que ganhei há uns 4 anos, escrito antes de ser o tão conhecido líder revolucionário.
Participante também dessas comemorações, porém não cabendo a mim aqui discutir, analisar ou defender, faço h
omenagem bem mais light (como a intenção deste sítio), trazendo uma idéia aos viajantes aventureiros que, normalmente, lá pelas tantas se pegam com o estoque de miojo ao fim e sem dinheiro para se divertir.

"(...) Logo antes de o sol nascer, cruzamos uma dupla de beberrões, e decidimos nosso brilhante plano "aniversário". Consiste no seguinte:
1 - Um de nós fala qualquer coisa em voz alta que nos identifique imediatamente como argentinos, alguma coisa como che no meio de outras expressões e pronúncias típicas. A vítima então pergunta de onde nós somos, e nós começamos a conversar.
2 - Passamos a relatar nossas aventuras sem fazer muito alarde a respeito, o tempo todo com o olhar perdido no horizonte.
3 - Aí então, eu entro e pergunto qual é a data do dia. Alguém responde e Alberto suspira e diz: "Que coinciência. Faz exatamente um ano". A vítima pergunta o que aconteceu há um ano e nós respondemos que faz exatamente um ano que nós começamos a viagem.
4 - Então Alberto, que é muito mais cara-de-pau do que eu, solta um tremendo suspiro e fala: "Que pena que nós estejamos tão sem dinheiro, não vamos poder celebrar" (fala isso meio de lado para mim). A vítima imediatamente oferece-se para pagar, nós fingimos recusar por alguns instantes, dizendo que não teríamos como pagar de volta etc.,mas por fim aceitamos.
5 - Após o primeiro copo eu me recuso totalmente a continuar bebendo, e Alberto começa a rir de mim. Nosso anfitrião se irrita e insiste, eu continuo a recusar, mas não digo o porquê. A vítima continua a indagar,até que eu confesso, um tanto quanto envergonhado, que na Argentina não existe o costume de beber sem comer.
Quanto nós conseguimos utilizando esse plano depende de cada momento, mas a técnica nunca falha."

Do livro De moto pela América do Sul, o diário de viagem de Ernerto 'Che' Guevara.

12 de outubro de 2007

Inspiração ou transpiração?

Artigo de Renato Vivacqua
Inspiração ou Transpiração na Música Popular Brasileira?

A existência da inspiração, estro, engenho poético ou qualquer outro nome que se lhe dê, dentro do processo de criação de uma obra é motivo de muita polêmica. Os crédulos não abdicam de terem sido impregnados pela aura, enquanto os descrentes classificam de pueris tais enlevos. Uma coisa é certa: tem que haver o catalizador imprescindível que é talento. Sem ele não adianta ser inspirado ou diligente. O resultado será sempre pífio. Vamos para a gangorra.
Manuel Bandeira diz: "Não faço poesia quando quero e sim quando ela, poesia, quer". João Cabral de Melo Neto acha que tudo resulta de uma elaboração mental. Paul Valery afirmava: "O primeiro verso é editado pelos deuses". Carlos Drummond de Andrade - "não sou do tipo que senta e diz: vou criar uma poesia e conseguir". Stravinsky era enfático: "A inspiração vem do trabalho". Na música popular as divergências não são menores. Uns repudiam, outros decantam. Chico Buarque se analisa. "Sou um bom artesão. Trabalho bem com as palavras. Só que às vezes vem um lampejo, uma idéia luminosa - esse lance eu não domino. Por esse eu não respondo. Esses momentos mágicos me surpreendem". Edu Lobo: "O brasileiro é vidrado em negócio de inspiração, uma coisa quase religiosa, realmente mística. Acho que como proposta essa dependência da inspiração é a coisa mais atrasada e incrível. A música é o resultado de um trabalho muito duro". Caymmi se justifica - "não faço criações a não ser espontaneamente, eu não tenho fábrica de canções. Não sei fazer nada sob encomenda. Por isso sou considerado preguiçoso". Vandré ainda lúcido: "Sou um profissional de comunicação. Posso garantir que se você me pedir uma canção de amor, eu te dou amanhã, tão boa ou melhor que todas que fiz". David Nasser fala de Ary barroso: "O Ary fazia música por inspiração. Não fabricava. Tinha a febre santa. Onde ela baixasse sacava uma pauta e gravava no papel a melodia". Caetano sempre inspirado: "Inspiração quer dizer: estar cuidadosamente entregue ao projeto de uma música posta contra aqueles que falam em termo de década e esquecem o minuto e o milênio". Tom Jobim é racional: "Tem aquele compositor que diz que é 5% de inspiração e 95% de transpiração. É verdade". A verdade é que a frase foi cunhada pelo gênio-monopolista americano Thomas Edison e dizia: "O gênio é 1% de inspiração e 99% de suor". Noel Rosa, segundo seus contemporâneos, era um privilegiado quanto à criação pois a sua relampejava em cima do fato. Sobre inspiração ele dizia: "Eu só faço samba quando estou inspirado. Não procuro forçar mesmo porque não adianta. Quando a bossa falta nem um homem com poderes divinos é capaz de compor". O eclético Braguinha também se manifesta: "Nunca fiz força para fazer música. Todas saíram tão naturalmente que nem senti e quem sabe é esse o segredo do sucesso". E na história da MPB realmente muitos sucessos surgiram, segundo os protagonistas, desse encantamento súbito. Noel narra como surgiu o Até. Amanhã (até amanhã/se Deus quiser/ Se não chover/ Eu volto pra te ver, ó mulher) no seu retorno de uma excursão ao sul. "Deixei uma mulher e levava saudades. Fui para o canto do navio, pedi uma bebida, acendi um cigarro e o samba nasceu espontaneamente". A Saudosa Maloca de Adoniram existiu na Rua Augusta onde passava sempre. Certo dia começaram a demoli-la e a música veio de estalo. Fio Maravilha teve suas primeiras estrofes brotadas no Maracanã após um gol inesquecível do crioulo. Tom Jobim, contrariando sua teoria de estiva, conta como surgiu a belíssima Por Causa de Você (Ai, você está vendo do jeito que eu fiquei/ E que tudo ficou). "Dolores fez a letra com um lápis de sombrancelha, o instrumento que tinha na mão para não perder o momento de inspiração. Isso aconteceu numa sala da Rádio Nacional quando eu dedilhava a melodia. Dolores fez a letra em cima da perna, em cinco minutos". A letra de Arrastão, segundo Vinícius, também nasceu em cinco minutos. "Tom dedilhava o piano e eu escrevia a letra. Tudo espontâneo", 1961. Sucesso estrondoso bossa-novista de O Barquinho (Dia de luz/Festa do sol/E o barquinho a deslizar). Ronaldo Bôscoli depõe - "já tive inspiração de letras em diversos lugares, diversas situações: tomando banho, meditando ou emocionado por um fato como foi o caso do Barquinho. Um dia Menescal e eu voltamos de uma pescaria, sentamos na varanda e escrevemos a música de ponta a ponta: ele criou a melodia, e a letra saiu inteira". Muito mais poderia ser contado.
Deixo aos leitores a escolha entre a sudorese e o encantamento.

6 de outubro de 2007

Bemol

Acordei bemol
Tudo estava sustenido
Sol fazia
Só não fazia sentido.

Paulo Leminski

25 de setembro de 2007

O meu amigo...


Minha mãe sempre foi fanática por Roberto Carlos. Desde pequena ouço as músicas e as histórias do rei contadas pela fã número 1. Na casa, um espaço reservado às suas duas(!)coleções completas em cd e mais uma em vinil. Além disso, fotos, reportagens, songbooks, biografias (inclusive aquela não-autorizada), canhotos de ingressos dos shows...

Confesso que sempre ouvi com certa distância, talvez pelo simples fato de que era a música da minha mãe, embora não se espante se pegá-la dizendo que curte Ramones ou Pearl Jam... Mas com o tempo aprendi a apreciá-lo com outros ouvidos, e em contextos ou versões diferentes reconheço que às vezes ele se mostra um gênio da canção popular, principalmente na sua época 'jovem-rebelde-sem-chapinha'.

Depois de "Todos estão surdos",o primeiro hit do rei que me fez empolgar de verdade (ok,a versão do Chico Science colaborou para a mudança do conceito), ontem em uma festa pirei ao poder cantar e dançar ao som do clássico "Ilegal, Imoral ou Engorda".
É uma brasa, bicho!


Vivo condenado a fazer o que não quero
De tão bem comportado às vezes eu me desespero
Se faço alguma coisa sempre alguém vem me dizer
Que isso ou aquilo não se deve fazer
Restam meus botões, já não sei mais o que é certo
E como vou saber o que devo fazer
Que culpa tenho eu, me diga amigo meu
Será que tudo o que eu gosto é ilegal, é imoral ou engorda.
Há muito me perdi entre mil filosofias
Virei homem calado e até desconfiado
Procuro andar direito e ter os pés no chão
Mas certas coisas sempre me chamam a atenção
Cá com meus botões, bolas eu não sou de ferro
Páro pra pensar mas não posso mudar
Que culpa tenho eu, me diga amigo meu
Será que tudo que eu gosto é ilegal, é imoral ou engorda.
Se eu conheço alguém num encontro casual
E tudo anda bem num bate-papo informal
Uma noite quente sugere desfrutar
No meu terraço a vista de frente pro mar
Mas a noite é uma criança, delícias no café da manhã
Então o que fazer, já não quero mais saber
Se como alguma coisa que não devo comer
Se tudo que eu gosto é ilegal, é imoral ou engorda

Será que tudo que eu gosto é ilegal, é imoral ou engorda.