O trava-línguas é uma sucessão de sons semelhantes, geralmente difíceis de serem reproduzidos quando pronunciados rapidamente.
Faz parte das manifestações populares da cultura das diferentes línguas e normalmente integra o repertório da literatura oral das crianças.
Casa suja. Chão sujo. Casa suja. Chão sujo. Casa suja. Chão sujo. Casa suja. Chão sujo. ..
Atrás da pia tem um prato, um pinto e um gato. Pinga a pia, apara o prato, pia o pinto e mia o gato.
Lá vem o velho Félix com um fole velho nas costas. Tanto fede o velho Félix como o fole do velho Félix fede.
Tem uma tatu-peba, com sete tatu-pebinha. Quem destatupebá ela, bom destatupebador será.
A Gigi já jejuou hoje e o João enjoou e jejuou junto.
Paulo Pereira Pinto Peixoto, pobre pintor português, pinta perfeitamente, portas, paredes e pias por parco preço, patrão.
Betty Botter had some butter,"But," she said, "this butter's bitter.If I bake this bitter butter,it would make my batter bitter.But a bit of better butter--that would make my batter better.
Um sapo dentro do saco O saco com o sapo dentro O sapo batendo o papo E o papo cheio de vento.
Trezentos e trinta e três trilhões trezentos e trinta e três milhões trezentos e trinta e três mil e trezentos e trinta e três.
Se o Papa papasse papa, se o Papa papasse pão, o Papa tudo papava. Seria o Papa papão.
El perrito de Rita me irrita.Si el perrito de Rita me irrita,dile a Rita que cambie el perrito por una perrita.
Quico quer caqui. Que caqui que o Quico quer? O Quico quer qualquer caqui.
Num ninho de Mafagafos cinco mafagafinhos tem. Quem os desmafagafizar um grande desmafagafizador será. (essa eu nunca consegui dizer!)
A batina do padre Pedro é preta.
Macarrão,Camarão,Caramujo. Macarrão,Camarão,Caramujo. Macarrão,Camarão,Caramujo. Macarrão,Camarão,Caramujo. Macarrão,Camarão,Caramujo. Macarrão,Camarão,Caramujo.
Quem a paca cara compra, caro a paca pagará.
E não confunda ornitorrinco com otorrinolaringologista, ornitorrinco com ornitologista, ornitologista com otorrinolaringologista, porque ornitorrinco é ornitorrinco, ornitologista é ornitologista, e otorrinolaringologista é otorrinolaringologista!
26 de julho de 2007
19 de julho de 2007
Pausa pro café
"Num salão de Paris,a linda moça de olhar gris,toma café. Moça feliz(...) Quedê o sertão daqui? Lavrador derrubou. Quedê o lavrador? Está plantando café. Quedê o café? Moça bebeu. Mas a moça,onde está? Está em Paris. Moça feliz". Cassiano Ricardo
De longa história, os primeiros cafeeiros já faziam parte das paisagens das montanhas da Etiópia antes do século 5º, onde seus grãos eram consumidos em forma de pasta, misturada a uma espécie de manteiga. Dali passaram para a Arábia do Sul - os grãos eram então torrados, reduzidos a pó num pilão, sendo esse pó jogado em água fervente. No final do século 15, em Meca, na Arábia Saudita, surgiram os primeiros locais públicos de venda de café, o que também aconteceu em Constantinopla.
Do Oriente para o Ocidente, o café veio a bordo das naus dos mercadores de Veneza. Os italianos, porém, não aprovaram a bebida à maneira turca, com o pó misturado à água, e decidiram criar uma receita ao seu próprio gosto: os grãos moídos eram colocados num filtro, sendo a água fervente derramada sobre o pó. A aprovação foi imediata e os primeiros salões de café viraram moda na Itália - eram locais sofisticados de reuniões de amigos.
Na França criaram-se saraus literários em torno do cafezinho, e consta que o rei Luis XV gostava de preparar o seu pessoalmente. Na Alemanha, o café ganhou como homenagem nada menos do que uma cantata, assinada por ninguém menos do que Johann Sebastian Bach. Na Inglaterra não fez muito sucesso, apesar de terem surgido muitas coffee houses pelo país, logo perdendo em popularidade para o chá, a indiscutível bebida nacional.
Quando os holandeses levaram mudas de cafeeiros para o Sri Lanka e Java, o café se aproximava do Brasil: das Índias Orientais, via Holanda, as mudas chegaram às Guianas. Então foi só atravessar a fronteira, na bagagem do Sargento-mor Palheta, para fazer do país, de 1840 a 1880, seu maior produtor mundial.
Do livro "500 anos de sabor", de Eda Romio
16 de julho de 2007
Pan Pan Pan...

É tempo de PAN!
Nesta Panacéia desvairada, brilha os olhos o que foge do cotidiano. União de vários esportes, países, medalhas e recordes.
Por falar em recordes, mal começou o evento e já temos um no quesito investimento: os estimados R$942,5 milhões quadruplicaram antes mesmo da abertura dos jogos! O bolso do brasileiro, gostando ou não de esportes, sem dúvida é o maior investidor desta festa.
Mas tudo acaba em medalhas. O Brasil, com sua enorme equipe distribuída nas 41 modalidades, dá ao coração brasileiro a esperança de muitos ouros. O torcedor, incluindo o bandido e o trombadinha, se aproveita para fazer parte também das conquistas - medalhas, festa, turismo, Rio de Janeiro...
Noves fora, A Comemorar! Palco para grandes estrelas, como a seleção masculina de vôlei e a queridinha Daiane dos Santos da ginástica artística, o Pan sempre traz grandes apostas e revelações. Eu aposto nos 22 brasilienses, sobretudo os do atletismo e dos saltos ornamentais e revelo que estarei sempre de olho nas competições até o encerramento.
Para quem gosta e quer ficar por dentro também, acesse o site www.brasilnopan.com.br
Com ajuda da nossa torcida, dos organizadores, da polícia e a sorte do nosso mascote Cauê (que poderia ter se chamado Kuará), que o Brasil, ao menos neste Pan, nos dê motivos para orgulho de sermos chamados brasileiros.
12 de julho de 2007
Passatempo
11 de julho de 2007
Cultura
Poesia de Arnaldo Antunes
O girino é o peixinho do sapo.
O silêncio é o começo do papo.
O bigode é a antena do gato.
O cavalo é o pasto do carrapato.
O cabrito é o cordeiro da cabra.
O pescoço é a barriga da cobra.
O leitão é um porquinho mais novo.
A galinha é um pouquinho do ovo.
O desejo é o começo do corpo.
Engordar é tarefa do porco.
A cegonha é a girafa do ganso.
O cachorro é um lobo mais manso.
O escuro é a metade da zebra.
As raízes são as veias da seiva.
O camelo é um cavalo sem sede.
Tartaruga por dentro é parede.
O potrinho é o bezerro da égua.
A batalha é o começo da trégua.
Papagaio é um dragão miniatura.
Bactéria num meio é cultura.
(Arnaldo Antunes in "Nome" São Paulo.BMG Ariola Discos,1993)
O girino é o peixinho do sapo.
O silêncio é o começo do papo.
O bigode é a antena do gato.
O cavalo é o pasto do carrapato.
O cabrito é o cordeiro da cabra.
O pescoço é a barriga da cobra.
O leitão é um porquinho mais novo.
A galinha é um pouquinho do ovo.
O desejo é o começo do corpo.
Engordar é tarefa do porco.
A cegonha é a girafa do ganso.
O cachorro é um lobo mais manso.
O escuro é a metade da zebra.
As raízes são as veias da seiva.
O camelo é um cavalo sem sede.
Tartaruga por dentro é parede.
O potrinho é o bezerro da égua.
A batalha é o começo da trégua.
Papagaio é um dragão miniatura.
Bactéria num meio é cultura.
(Arnaldo Antunes in "Nome" São Paulo.BMG Ariola Discos,1993)
3 de julho de 2007
Fragmentos de um pensador

Eu não tenho jeito. Caio e fico, erro e repito, bebo e recomeço, prometo e desobedeço, e quando tudo é claro eu escureço.
Ninguém me conhece direito, pois toda e qualquer traição que cometo é da ponta do nariz para dentro. Que bom,ainda há quem me ame.
Eu filosofo e não chego a lugar algum. O que vejo assisto. E se choro, sorrio ou desisto é motivo para pensar e pensar e pensar...
Admito a inveja de não ser o que não sou, não ter o que não tenho. Oposto a isso reconheço, agradeço e quero apenas o que é para ser meu.
E o que é?
Não descobri. Exceto o que é meu e de todo mundo, como o dia, a noite, o futuro mudo, meus são pensamentos, gostos, meus amores platônicos que horas depois já não são mais. O que é meu o ouvido, a lembrança, os medos não superados. Se para algo ser eternamente meu necessita ser também do mundo inteiro eu fico nu, incendeio, descontrolo, peço arrego.
Eis-me nu, maltrapilho! Clamo a todos que sou mau, faço o mal e não quero mais a poesia, nem o sorriso de alegria. Dane-se a simpatia.
Volto a ser sem jeito, porém não arrependo mais que me arrebente. Não penso - apenas estratégias para a destruição. Quem sabe assim me torne alguém melhor, com mais amores, menos dores, sem horrores e nada mais me assustará. Nem este traiçoeiro e vil ato que é pensar.
29 de junho de 2007
Abraço aos amigos

Meus amigos são todos assim: metade loucura, outra metade santidade. Escolho-os não pela pele, mas pela pupila, que tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante. Fico com aqueles que fazem de mim louco e santo. Deles não quero resposta, quero meu avesso. Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto, e velhos, para que nunca tenham pressa. Tenho amigos para saber quem eu sou, pois vendo-os loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que a normalidade é uma ilusão imbecil e estéril.
Oscar Wilde
A todos eles que sempre estão por aqui e aqui dentro.
23 de junho de 2007
Flamenco

Já estava na hora de postar alguma coisa sobre a Dança Flamenca. É a minha grande paixão. Na verdade, flamenco não é apenas dança, mas expressão de cultura, de vida, de alma.
Amigos, não é exagero meu, mas quem um dia experimenta ver ou dançar entende esta sensação que vicia, e vibra, e sente, e chora, e sorri, e bate palmas, e sapateia, e sonha, e ¡olé!
A começar, um pouco da história do FLAMENCO
O flamenco é um estilo musical e um tipo de dança fortemente influenciado pela cultura cigana, mas que tem raízes mais profundas na cultura musical mourisca, influência de árabes e judeus. A cultura do flamenco é associada principalmente a Andaluzia na Espanha, e tornou-se um dos ícones da música espanhola e até mesmo da cultura espanhola em geral.
Muitos dos detalhes do desenvolvimento do flamenco foram perdidos na história da Espanha e existem várias razões para essa falta de evidências históricas:
Os tempos turbulentos dos povos envolvidos na cultura do flamenco. Os mouros, os ciganos e os judeus foram todos perseguidos e expulsos pela inquisição espanhola em diversos tempos durante a “Reconquista”.
Os ciganos possuíam principalmente uma cultura oral. As suas músicas eram passadas às novas gerações através de actuações em comunidade
Granada, o ultimo reduto dos mouros, caiu em 1492, quando os exércitos de Fernando II de Aragão e Isabel I de Castela (os reis católicos) reconquistaram esta cidade após cerca de 800 anos de domínio muçulmano. O Tratado de Granada foi criado para assegurar as bases da tolerância religiosa, conseguindo com isso que os muçulmanos se rendessem pacificamente. Durante alguns anos existiu uma tensa calma em Granada e à sua volta, no entanto, à inquisição não lhe agradava a tolerância religiosa relativamente aos judeus e aos muçulmanos e conseguiu convencer Fernando e Isabel a quebrarem o tratado e a forçar os judeus e os mouros a converterem-se a cristianismo ou deixarem a Espanha de vez. Em 1499, cerca de 50.000 mouros foram coagidos a tomar parte de um baptismo em massa. Durante a rebelião que se seguiu, as pessoas que recusaram baptizar-se ou serem deportadas para África, foram pura e simplesmente eliminadas. Como consequência desta situação, assistiu-se à fuga de mouros, ciganos e judeus para as montanhas e regiões rurais.
Foi nesta situação social e economicamente difícil que as culturas musicais de judeus, ciganos e mouros começaram a fundir-se no que se tornaria a forma básica do flamenco: O estilo de cantar dos mouros, que expressava a sua vida difícil na Andaluzia, palmas ritmadas e movimentos de dança básicos. Muitas das músicas flamencas aindas refletem o espírito desesperado, a luta, a esperança, o orgulho e as festas noturnas durante essa época. Música mais recente de outras regiões de Espanha, influenciaram e foram influenciadas pelo estilo tradicional do flamenco.
Mais no site http://pt.wikipedia.org/wiki/Flamenco
Amigos, não é exagero meu, mas quem um dia experimenta ver ou dançar entende esta sensação que vicia, e vibra, e sente, e chora, e sorri, e bate palmas, e sapateia, e sonha, e ¡olé!
A começar, um pouco da história do FLAMENCO
O flamenco é um estilo musical e um tipo de dança fortemente influenciado pela cultura cigana, mas que tem raízes mais profundas na cultura musical mourisca, influência de árabes e judeus. A cultura do flamenco é associada principalmente a Andaluzia na Espanha, e tornou-se um dos ícones da música espanhola e até mesmo da cultura espanhola em geral.
Muitos dos detalhes do desenvolvimento do flamenco foram perdidos na história da Espanha e existem várias razões para essa falta de evidências históricas:
Os tempos turbulentos dos povos envolvidos na cultura do flamenco. Os mouros, os ciganos e os judeus foram todos perseguidos e expulsos pela inquisição espanhola em diversos tempos durante a “Reconquista”.
Os ciganos possuíam principalmente uma cultura oral. As suas músicas eram passadas às novas gerações através de actuações em comunidade
Granada, o ultimo reduto dos mouros, caiu em 1492, quando os exércitos de Fernando II de Aragão e Isabel I de Castela (os reis católicos) reconquistaram esta cidade após cerca de 800 anos de domínio muçulmano. O Tratado de Granada foi criado para assegurar as bases da tolerância religiosa, conseguindo com isso que os muçulmanos se rendessem pacificamente. Durante alguns anos existiu uma tensa calma em Granada e à sua volta, no entanto, à inquisição não lhe agradava a tolerância religiosa relativamente aos judeus e aos muçulmanos e conseguiu convencer Fernando e Isabel a quebrarem o tratado e a forçar os judeus e os mouros a converterem-se a cristianismo ou deixarem a Espanha de vez. Em 1499, cerca de 50.000 mouros foram coagidos a tomar parte de um baptismo em massa. Durante a rebelião que se seguiu, as pessoas que recusaram baptizar-se ou serem deportadas para África, foram pura e simplesmente eliminadas. Como consequência desta situação, assistiu-se à fuga de mouros, ciganos e judeus para as montanhas e regiões rurais.
Foi nesta situação social e economicamente difícil que as culturas musicais de judeus, ciganos e mouros começaram a fundir-se no que se tornaria a forma básica do flamenco: O estilo de cantar dos mouros, que expressava a sua vida difícil na Andaluzia, palmas ritmadas e movimentos de dança básicos. Muitas das músicas flamencas aindas refletem o espírito desesperado, a luta, a esperança, o orgulho e as festas noturnas durante essa época. Música mais recente de outras regiões de Espanha, influenciaram e foram influenciadas pelo estilo tradicional do flamenco.
Mais no site http://pt.wikipedia.org/wiki/Flamenco
12 de junho de 2007
Ite
Sinusite, amigdalite, preguicite. Febre alta, pressão baixa, insônia, preocupação. Dor de cabeça, apaixonite, celulite, resfriado, dor de veado de tanta tosse. Até parece letra de música.
Enquanto meu mundo rodava descompassadamente a enfermeira comentou que a minha veia era do tipo "dançarina". A situação não permitiu que eu achasse graça naquilo, pois já completavam quatro tentativas frustradas, uma agulhada pior que a outra. Dói demais. Após a quinta picada - e até que enfim a última -, quando remédios e soro já passeavam pelo meu corpo pensei em respondê-la: "É porque sempre gostei de dançar, tá na veia mesmo!". É claro que não disse. Mesmo se estivesse em condições de verbalizar qualquer coisa que fosse não seria uma piadinha como essa que faria em momento tão inoportuno.
Penso agora na tal história da ação-reação. Quando fico o dia inteiro estudando, por exemplo, sinto dores de cabeça e nas costas; quando passo horas dançando (para alimentar a danada e inquieta veia) tenho no máximo cansaço nas pernas; mas se faço a simples extravagância de tomar sereno por poucas horas sou nocauteada desta maneira? Protesto! Há de se rever isso.
Aguardo respostas e não tenho como fugir do repouso. O bom é que algumas decisões estão sendo tomadas enquanto tomo os vários remédios nestes intermináveis três dias: a partir de agora e durante todo o inverno, que começa na próxima semana, casaco é traje fundamental; todas as noites a janela estará sempre fechada; cerveja gelada só se for numa tarde de muito calor; nunca ir ao samba com "tomara-que-caia"(para tal decisão existem também outros motivos); aproveito para rezar pelos mais enfermos do que eu; e acreditar em grandes olhares somente quando acompanhados por atitudes compatíveis.
Porque o pulso ainda pulsa.
Enquanto meu mundo rodava descompassadamente a enfermeira comentou que a minha veia era do tipo "dançarina". A situação não permitiu que eu achasse graça naquilo, pois já completavam quatro tentativas frustradas, uma agulhada pior que a outra. Dói demais. Após a quinta picada - e até que enfim a última -, quando remédios e soro já passeavam pelo meu corpo pensei em respondê-la: "É porque sempre gostei de dançar, tá na veia mesmo!". É claro que não disse. Mesmo se estivesse em condições de verbalizar qualquer coisa que fosse não seria uma piadinha como essa que faria em momento tão inoportuno.
Penso agora na tal história da ação-reação. Quando fico o dia inteiro estudando, por exemplo, sinto dores de cabeça e nas costas; quando passo horas dançando (para alimentar a danada e inquieta veia) tenho no máximo cansaço nas pernas; mas se faço a simples extravagância de tomar sereno por poucas horas sou nocauteada desta maneira? Protesto! Há de se rever isso.
Aguardo respostas e não tenho como fugir do repouso. O bom é que algumas decisões estão sendo tomadas enquanto tomo os vários remédios nestes intermináveis três dias: a partir de agora e durante todo o inverno, que começa na próxima semana, casaco é traje fundamental; todas as noites a janela estará sempre fechada; cerveja gelada só se for numa tarde de muito calor; nunca ir ao samba com "tomara-que-caia"(para tal decisão existem também outros motivos); aproveito para rezar pelos mais enfermos do que eu; e acreditar em grandes olhares somente quando acompanhados por atitudes compatíveis.
Porque o pulso ainda pulsa.
5 de junho de 2007
Olha pro céu, meu amor

Em época de festas juninas aqui vão algumas curiosidades sobre esta antiga tradição e também simpatias para o dia de Santo Antônio...para quem é de.
A festa Junina é uma celebração brasileira de origem européia, historicamente relacionada com a festa pagã do solstício de verão que era celebrada no dia 24 de junho, segundo o calendário pré-gregoriano e cristianizada na Idade Média como "Festa de São João". Ela festeja no Brasil três importantes santos católicos: Santo Antônio (13 de junho), São João (24 de junho) e São Pedro (29 de junho). Em Portugal, estas festas são conhecidas pelo nome de Santos Populares e correspondem a diferentes feriados municipais: Santo António, em Lisboa, São João, no Porto, em Braga e em Almada.
A origem da fogueira - Uma legenda católica cristianizando a fogueira do solstício estival afirma que o antigo costume de acender fogueiras no começo do verão europeu tinha suas raízes em um trato feito pelas primas Isabel e Maria. Para avisar Maria sobre o nascimento de São João Batista e assim ter seu auxílio após o parto, Isabel tinha acendido uma fogueira sobre um monte. Ainda hoje, a fogueira de São João é o traço comum que une todas as festas de São João européias (da Estônia ao Portugal, da Finlândia à França).
Os balões - eram elemento comum durante o São João brasileiro. Tornou-se, no entanto, uma prática proibida por lei, devido ao risco de incêndio. Os balões serviam para avisar que a festa iria começar.Eram soltados de 5 a 7 balões para se indentificar.
O relacionamento entre os devotos e os santos juninos, principalmente Santo Antônio e São João, é quase familiar: cheio de intimidades, chega a ser, por vezes, irreverente, debochado e quase obsceno. Esse caráter fica bastante evidente quando se entra em contato com as simpatias, sortes, adivinhas e acalantos feitos a esses santos:
"Confessei-me a Santo Antônio,
confessei que estava amando.
Ele deu-me por penitência
que fosse continuando."
A seguir, algumas simpatias feitas para Santo Antônio:
- Moças solteiras, desejosas de se casar, em várias regiões do Brasil, colocam-no de cabeça para baixo atrás da porta ou dentro do poço ou enterram-no até o pescoço. Fazem o pedido e, enquanto não são atendidas, lá fica a imagem de cabeça para baixo. E elas pedem:
meu Santo Antônio...
- Para arrumar namorado ou marido, basta amarrar uma fita vermelha e outra branca no braço da imagem de Santo Antônio, fazendo a ele o pedido. Rezar um Pai-Nosso e uma Salve-Rainha. Pendurar a imagem de cabeça para baixo sob a cama. Ela só deve ser desvirada quando a pessoa alcançar o pedido.
E não esqueça: dia 13 de junho,dia de Santo Antônio, deve-se ir à igreja para receber o "pãozinho de Santo Antônio", que é dado gratuitamente pelos padres.
Boas comemorações!
Informações retiradas do site www.pt.wikipedia.org/wiki/Festa_Junina
4 de junho de 2007
Hermana Duda
No tengo a quién rezarle pidiendo luz
Ando tanteando el espacio a ciegas
No me malinterpreten
no estoy quejándome
Soy jardinero de mis dilemas.
Hermana duda,
Pasarán los años,cambiarán las modas
vendrán otras guerras, perderán los mismos
y ojalá que tu sigas teniendome atiro.
Pero esta noche, hermana duda
Hermana duda,
Dame un respiro.
No tengo a quien culpar que no sea yo
Con mi reguero de cabos sueltos
No me malinterpreten
lo llevo bien
O por lo menos hago el intento.
Hermana duda,
Pasarán los discos, subirán las aguas
cambiarán las crisis, pagarán los mismos
y ojalá que tu sigas mordiendo mi lengua.
Pero esta noche, hermana duda
Hermana duda,
Dame una tregua.
Canción de Jorge Drexler
Ando tanteando el espacio a ciegas
No me malinterpreten
no estoy quejándome
Soy jardinero de mis dilemas.
Hermana duda,
Pasarán los años,cambiarán las modas
vendrán otras guerras, perderán los mismos
y ojalá que tu sigas teniendome atiro.
Pero esta noche, hermana duda
Hermana duda,
Dame un respiro.
No tengo a quien culpar que no sea yo
Con mi reguero de cabos sueltos
No me malinterpreten
lo llevo bien
O por lo menos hago el intento.
Hermana duda,
Pasarán los discos, subirán las aguas
cambiarán las crisis, pagarán los mismos
y ojalá que tu sigas mordiendo mi lengua.
Pero esta noche, hermana duda
Hermana duda,
Dame una tregua.
Canción de Jorge Drexler
29 de maio de 2007
Ai se Sesse
Conheci este poema pelo Cordel do Fogo Encantado. Virou um dos momentos mais esperados dos seus shows, quando o vocalista Lirinha começa a dizer, com aquele sotaque de Pernambuco: "Se um d(í)a nóis se go(x)tasse..."
Segue em coro a platéia até o fim.
Dizem que o poeta Zé da Luz, autor deste lindo poema, no início do século passado escreveu Ai se Sesse por tanto ouvir as pessoas dizerem que para se escrever um poema de amor deveria fazê-lo com o portugês correto e palavras rebuscadas...
Taí, o manifesto comprovou que isso é uma grande lorota.
AI SE SESSE
Se um dia nós se gosta-se
Se um dia nós se quere-se
Se nós dois se emparea-se
Se jutim nós dois vive-se
Se jutim nós dois mora-se
Se jutim nós dois drumi-se
Se jutim nós dois morre-se
Se pro céu nós assubi-se
Mas porém se acontece-se
de São Pedro não abri-se
A porta do céu e fosse te dizer qualquer tolice
E se eu me arrimina-se
E tu com eu insinti-se
Prá que eu me arresouve-se
E a minha faca puxa-se
E o bucho do céu fura-se
Távez que nós dois fica-se
Távez que nós dois cai-se
E o céu furado arria-se
E as virgem todas fugir-se.*
*Há várias versões de escrita desse poema na Internet. Peguei, no entanto, a que está no site oficial(acho que é) do Cordel do Fogo Encantado www.cordeldofogoencantado.uol.com.br
Segue em coro a platéia até o fim.
Dizem que o poeta Zé da Luz, autor deste lindo poema, no início do século passado escreveu Ai se Sesse por tanto ouvir as pessoas dizerem que para se escrever um poema de amor deveria fazê-lo com o portugês correto e palavras rebuscadas...
Taí, o manifesto comprovou que isso é uma grande lorota.
AI SE SESSE
Se um dia nós se gosta-se
Se um dia nós se quere-se
Se nós dois se emparea-se
Se jutim nós dois vive-se
Se jutim nós dois mora-se
Se jutim nós dois drumi-se
Se jutim nós dois morre-se
Se pro céu nós assubi-se
Mas porém se acontece-se
de São Pedro não abri-se
A porta do céu e fosse te dizer qualquer tolice
E se eu me arrimina-se
E tu com eu insinti-se
Prá que eu me arresouve-se
E a minha faca puxa-se
E o bucho do céu fura-se
Távez que nós dois fica-se
Távez que nós dois cai-se
E o céu furado arria-se
E as virgem todas fugir-se.*
*Há várias versões de escrita desse poema na Internet. Peguei, no entanto, a que está no site oficial(acho que é) do Cordel do Fogo Encantado www.cordeldofogoencantado.uol.com.br
26 de maio de 2007
Samba, sim
Aqui vai um pouco da história do samba...
No ano de 1933 a Mangueira desfilou com um samba de sua autoria, “Homenagem”, que se tornou o primeiro samba de desfile de escola a mencionar personagens da História do Brasil. Consta também que para o desfile daquele ano a escola providenciou alguns quadros (estandartes) com os rostos dos poetas citados no samba (Gonçalves Dias, Castro Alves e Olavo Bilac), dando origem, assim, ao que mais tarde se chamaria de alas. Além disso, com este samba, a Mangueira foi a primeira escola a unir o samba ao enredo, originando o samba-enredo.
O samba-enredo é uma modalidade do samba criada pelos compositores das escolas de samba do Rio de Janeiro. Suas origens datam justamente do início da década de 1930. no samba-enredo a letra deve compreender o resumo poético do tema histórico, folclórico, literário, biográfico ou mesmo de criação livre, que foi escolhido para enredo ou assunto da apresentação da escola de samba em seu desfile-espetáculo diante do público. Inicialmente cantado apenas durante os desfiles das escolas de samba na Praça Onze de junho, no Rio de Janeiro, os sambas-de-enredo passaram a interessar também aos cantores profissionais a partir da década de 1940. (...) Desde a sua criação, o samba-enredo passou por algumas mutações, como a que lhe conferiu Martinho da Vila, nos anos de 1960 e 1970, ou a que ocorreu nos anos 1980 e 1990, o samba-enredo-marcheado, predominante até hoje, com seu ritmo da marchinha de carnaval mais sincopado e mais fácil, visando levantar o público das arquibancadas assim que a escola pisa na Passarela do Samba. Com Carlos Cachaça e sua geração, da Mangueira, assistimos então o nascimento do samba-enredo em sua forma original, com cadência própria e letra de samba, mas integrado ao desfile da escola.
Trecho retirado do "Livro de Ouro da MPB", de Ricardo Cravo Albin
No ano de 1933 a Mangueira desfilou com um samba de sua autoria, “Homenagem”, que se tornou o primeiro samba de desfile de escola a mencionar personagens da História do Brasil. Consta também que para o desfile daquele ano a escola providenciou alguns quadros (estandartes) com os rostos dos poetas citados no samba (Gonçalves Dias, Castro Alves e Olavo Bilac), dando origem, assim, ao que mais tarde se chamaria de alas. Além disso, com este samba, a Mangueira foi a primeira escola a unir o samba ao enredo, originando o samba-enredo.
O samba-enredo é uma modalidade do samba criada pelos compositores das escolas de samba do Rio de Janeiro. Suas origens datam justamente do início da década de 1930. no samba-enredo a letra deve compreender o resumo poético do tema histórico, folclórico, literário, biográfico ou mesmo de criação livre, que foi escolhido para enredo ou assunto da apresentação da escola de samba em seu desfile-espetáculo diante do público. Inicialmente cantado apenas durante os desfiles das escolas de samba na Praça Onze de junho, no Rio de Janeiro, os sambas-de-enredo passaram a interessar também aos cantores profissionais a partir da década de 1940. (...) Desde a sua criação, o samba-enredo passou por algumas mutações, como a que lhe conferiu Martinho da Vila, nos anos de 1960 e 1970, ou a que ocorreu nos anos 1980 e 1990, o samba-enredo-marcheado, predominante até hoje, com seu ritmo da marchinha de carnaval mais sincopado e mais fácil, visando levantar o público das arquibancadas assim que a escola pisa na Passarela do Samba. Com Carlos Cachaça e sua geração, da Mangueira, assistimos então o nascimento do samba-enredo em sua forma original, com cadência própria e letra de samba, mas integrado ao desfile da escola.
Trecho retirado do "Livro de Ouro da MPB", de Ricardo Cravo Albin
22 de maio de 2007
21 de maio de 2007
Escolha o seu sonho
Devíamos poder preparar os nossos sonhos como os artistas,as suas composições. Com a matéria sutil da noite e da nossa alma, devíamos poder contruir essas pequenas obras-primas incomunicáveis, que ainda menos que a rosa, duram apenas o instante em que vão sendo sonhadas, e logo se apagam sem outro vestígio que a nossa memória.
Como quem resolve uma viagem, devíamos poder escolher essas explicações sem veículos nem companhia-por mares,grutas,neves, montanhas, e até pelos astros, onde moram desde sempre heróis e deuses de todas as mitologias, e os fabulosos animais do Zodíaco.
Devíamos, à vontade, passear pelas margens do Paraíba, lá onde suas espumas crespas correm com o luar por entre as pedras, ao mesmo tempo cantando e chorando. - Ou habitar uma tarde prateada de Florença,e ir sorrindo para cada estátua dos palácios e das ruas, como quem saúda muitas famílias de mármore...- Ou contemplar nos Açores hortênsias da altura de uma casa, lagos de duas cores e cestos de vime nascendo entre fontes, com águas frias de um lado e, do outro, quentes...- Ou chegar a Ouro Preto e continuar a ouvir aquela menina que estuda piano há duzentos anos, hesitante e invisível - enquanto o cavalo branco escolhe, de olhos baixos, o trevo de quatro folhas que vai comer...
Quantos lugares, meu Deus, para essas excursões! Lugares recordados ou apenas imaginados. Campos orientais atravessados por nuvens de pavões. Ruas amarelas de pó, amarelas de sol, onde os camelos de perfil de gôndola estacionam, com seus carros. Avenidas cor-de-rosa, por onde cavalinhos emplumados, de rosa na testa e colar ao pescoço, conduzem leves e elegantes coches policromos...
E lugares inventados, feitos ao nosso gosto; jardins no meio do mar; pianos brancos que tocam sozinhos; livros que se desarmam, transformados em música.
Oh! os sonhos do "Poronominare"!...Lembram-se? Sonhos dos nossos índios: rios que vão subindo por cima das ilhas:...meninos transparentes, que deixam ver a luz do sol do outro lado do corpo...gente com cabeça de pássaros...flechas voando atrás de sombras velozes...moscas que se transformam em guaribas... canoas... serras... bandos de beija-flores e borboletas que trazem mel para a criança que tem fome e levantam em suas asas...
Devíamos poder sonhar com as criaturas que nunca vimos e gostaríamos de ter visto: Alexandre, o Grande; São João Batista; o Rei David, a cantar; o Príncipe Gautama...
E sonhar com os que amamos e conhecemos, e estão perto ou longe, vivos ou mortos... Sonhar com eles no seu melhor momento, quando foram mais merecedores de amor imortal...
Ah!... - (que gostaria você de sonhar esta noite?)
Cecília Meireles
Como quem resolve uma viagem, devíamos poder escolher essas explicações sem veículos nem companhia-por mares,grutas,neves, montanhas, e até pelos astros, onde moram desde sempre heróis e deuses de todas as mitologias, e os fabulosos animais do Zodíaco.
Devíamos, à vontade, passear pelas margens do Paraíba, lá onde suas espumas crespas correm com o luar por entre as pedras, ao mesmo tempo cantando e chorando. - Ou habitar uma tarde prateada de Florença,e ir sorrindo para cada estátua dos palácios e das ruas, como quem saúda muitas famílias de mármore...- Ou contemplar nos Açores hortênsias da altura de uma casa, lagos de duas cores e cestos de vime nascendo entre fontes, com águas frias de um lado e, do outro, quentes...- Ou chegar a Ouro Preto e continuar a ouvir aquela menina que estuda piano há duzentos anos, hesitante e invisível - enquanto o cavalo branco escolhe, de olhos baixos, o trevo de quatro folhas que vai comer...
Quantos lugares, meu Deus, para essas excursões! Lugares recordados ou apenas imaginados. Campos orientais atravessados por nuvens de pavões. Ruas amarelas de pó, amarelas de sol, onde os camelos de perfil de gôndola estacionam, com seus carros. Avenidas cor-de-rosa, por onde cavalinhos emplumados, de rosa na testa e colar ao pescoço, conduzem leves e elegantes coches policromos...
E lugares inventados, feitos ao nosso gosto; jardins no meio do mar; pianos brancos que tocam sozinhos; livros que se desarmam, transformados em música.
Oh! os sonhos do "Poronominare"!...Lembram-se? Sonhos dos nossos índios: rios que vão subindo por cima das ilhas:...meninos transparentes, que deixam ver a luz do sol do outro lado do corpo...gente com cabeça de pássaros...flechas voando atrás de sombras velozes...moscas que se transformam em guaribas... canoas... serras... bandos de beija-flores e borboletas que trazem mel para a criança que tem fome e levantam em suas asas...
Devíamos poder sonhar com as criaturas que nunca vimos e gostaríamos de ter visto: Alexandre, o Grande; São João Batista; o Rei David, a cantar; o Príncipe Gautama...
E sonhar com os que amamos e conhecemos, e estão perto ou longe, vivos ou mortos... Sonhar com eles no seu melhor momento, quando foram mais merecedores de amor imortal...
Ah!... - (que gostaria você de sonhar esta noite?)
Cecília Meireles
15 de maio de 2007
De uma Alma

Dias atrás percebi uma pequena luz que no céu piscava de segundo a segundo, parecia um sinal de alguma alma perdida no espaço. Depois a vi vagando por ali, protagonista, passeando entre as estrelas, ao redor da lua quase nova. Aquela luz brilhante se perdeu após um longo passeio. Pensei que talvez tivesse me enganado, colocando naquele simples cenário uma vida em que eu buscava ver.
Resolvi olhar ao meu redor. Prestei atenção na rua, nas pessoas dentro dos carros que passavam afobados, nas luzes daquela cidade louca, na calçada onde andava. Era noite e o que mais iluminava o caminho era o meu reflexo, a minha ofuscada luz que doava ao mundo, apesar do forte clarão de chamas que me ardia por dentro.
Depois daquele momento de admiração senti o grande sorriso que atravessava os enrugados traços do meu rosto e decidi correr insano pelas ruas. A única refeição teria sido nas primeiras horas do dia, só isso me impedira de correr a cidade inteira. Sentei-me no banco e comecei a te olhar. Olhei como se nunca tivesse visto alguém na vida, como se eu fosse um alienígena, um cientista, um escultor. De fato. Fiz teu retrato no vento, saboreando cada traço e dor que transmitias ao me ver.
Não me perguntes por que não mais sorri e nem por que fui embora sem ao menos dizer boa noite. A vida sempre nos deixa fazer coisas que não conseguimos explicar. E depois ficamos assim, procurando de todas as formas dar lógica, argumento, desculpas.
Resolvi olhar ao meu redor. Prestei atenção na rua, nas pessoas dentro dos carros que passavam afobados, nas luzes daquela cidade louca, na calçada onde andava. Era noite e o que mais iluminava o caminho era o meu reflexo, a minha ofuscada luz que doava ao mundo, apesar do forte clarão de chamas que me ardia por dentro.
Depois daquele momento de admiração senti o grande sorriso que atravessava os enrugados traços do meu rosto e decidi correr insano pelas ruas. A única refeição teria sido nas primeiras horas do dia, só isso me impedira de correr a cidade inteira. Sentei-me no banco e comecei a te olhar. Olhei como se nunca tivesse visto alguém na vida, como se eu fosse um alienígena, um cientista, um escultor. De fato. Fiz teu retrato no vento, saboreando cada traço e dor que transmitias ao me ver.
Não me perguntes por que não mais sorri e nem por que fui embora sem ao menos dizer boa noite. A vida sempre nos deixa fazer coisas que não conseguimos explicar. E depois ficamos assim, procurando de todas as formas dar lógica, argumento, desculpas.
Conformo-me, pois é assim que o artista se faz, de corpo ou alma, de vento ou polpa, de pão e pilão, de ar e fogo, de luz, noite e tormento.
6 de maio de 2007
¡Volver!
Ainda em tempos de 'Saudá', hoje lembrei de uma música do Carlos Gardel que ouvi numa cena do filme Volver,d0 Almodóvar, cantado pela Estrella Morente(muito boa!) e *dublado* pela Penélope Cruz. Canção realmente linda que me rendeu algumas lágrimas...
VOLVER
Yo adivino el parpadeo
De las luces que a lo lejos
Van marcando mi retorno
Son las mismas que alumbraron
Con sus pálidos reflejos
Hondas horas de dolor
Y aunque no quise el regreso,
Siempre se vuelve al primer amor.
La vieja calle donde el eco dijo
Tuya es su vida, tuyo es su querer,
Bajo el burlón mirar de las estrellas
Que con indiferencia hoy me ven volver.
Volver
Con la frente marchita,
Las nieves del tiempo platearon mi sien
Sentir
Que es un soplo la vida,
Que veinte años no es nada,
Que febril la mirada, errante en las sombras,
Te busca y te nombra.
Vivir
Con el alma aferrada
A un dulce recuerdo
Que lloro otra vez.
Tengo miedo del encuentro
Con el pasado que vuelve
A enfrentarse con mi vida
Tengo miedo de las noches
Que pobladas de recuerdos
Encadenan mi soñar.
Pero el viajero que huye
Tarde o temprano detiene su andar
Y aunque el olvido que todo destruye,
Haya matado mi vieja ilusión,
Guardo escondida una esperanza humilde
Que es toda la fortuna de mi corazón.
Volver
Con la frente marchita,
Las nieves del tiempo platearon mi sien
Sentir
Que es un soplo la vida,
Que veinte años no es nada,
Que febril la mirada, errante en las sombras,
Te busca y te nombra.
Vivir
Con el alma aferrada
A un dulce recuerdo
Que lloro otra vez.
VOLVER
Yo adivino el parpadeo
De las luces que a lo lejos
Van marcando mi retorno
Son las mismas que alumbraron
Con sus pálidos reflejos
Hondas horas de dolor
Y aunque no quise el regreso,
Siempre se vuelve al primer amor.
La vieja calle donde el eco dijo
Tuya es su vida, tuyo es su querer,
Bajo el burlón mirar de las estrellas
Que con indiferencia hoy me ven volver.
Volver
Con la frente marchita,
Las nieves del tiempo platearon mi sien
Sentir
Que es un soplo la vida,
Que veinte años no es nada,
Que febril la mirada, errante en las sombras,
Te busca y te nombra.
Vivir
Con el alma aferrada
A un dulce recuerdo
Que lloro otra vez.
Tengo miedo del encuentro
Con el pasado que vuelve
A enfrentarse con mi vida
Tengo miedo de las noches
Que pobladas de recuerdos
Encadenan mi soñar.
Pero el viajero que huye
Tarde o temprano detiene su andar
Y aunque el olvido que todo destruye,
Haya matado mi vieja ilusión,
Guardo escondida una esperanza humilde
Que es toda la fortuna de mi corazón.
Volver
Con la frente marchita,
Las nieves del tiempo platearon mi sien
Sentir
Que es un soplo la vida,
Que veinte años no es nada,
Que febril la mirada, errante en las sombras,
Te busca y te nombra.
Vivir
Con el alma aferrada
A un dulce recuerdo
Que lloro otra vez.
30 de abril de 2007
Saudá
De gostos nunca mais provados
De gestos nunca antes feitos
De tentar consertar os defeitos
De escancarar o coração tão cerrado.
Do amigo que há tempos não vejo
De quem hoje em dia não é mais o mesmo
De achar que só eu fosse o culpado.Coitado.
De rir sempre da mesma piada
Do comentário na hora errada
De frases e músicas quase sagradas
ditas e cantadas na quinta passada.
Sinto saudade do que fui, do que foi
De alguém que ainda não conheci
Do lugar que não visitei
Da pessoa que hoje tenho.
De sentir saudade de alguém
Ou de não sentir nada além
de querer bem quem não me quer.
Daquela comida de hotel,
Da viagem atrapalhada
Do compromisso inadiável
De não conhecer tal palavra...
Metade é lembrança que o tempo levou
Que morreu num abraço,numa chuva.
Metade é saber que um dia
O sentimento que não sabia
E hoje dói, e rói, e não acabará.
Metade de mim é saudade
A outra ainda será.
De gestos nunca antes feitos
De tentar consertar os defeitos
De escancarar o coração tão cerrado.
Do amigo que há tempos não vejo
De quem hoje em dia não é mais o mesmo
De achar que só eu fosse o culpado.Coitado.
De rir sempre da mesma piada
Do comentário na hora errada
De frases e músicas quase sagradas
ditas e cantadas na quinta passada.
Sinto saudade do que fui, do que foi
De alguém que ainda não conheci
Do lugar que não visitei
Da pessoa que hoje tenho.
De sentir saudade de alguém
Ou de não sentir nada além
de querer bem quem não me quer.
Daquela comida de hotel,
Da viagem atrapalhada
Do compromisso inadiável
De não conhecer tal palavra...
Metade é lembrança que o tempo levou
Que morreu num abraço,numa chuva.
Metade é saber que um dia
O sentimento que não sabia
E hoje dói, e rói, e não acabará.
Metade de mim é saudade
A outra ainda será.
23 de abril de 2007
Reflexões de Barnabé

Barnabé, seu Chico chegou! Trouxe lembranças de dona Sinhá. Fez pão e queijo, não sei se é bom. Sorriu pouco mas está feliz, sente que nada pior há de acontecer. Talvez seja um pressentimento positivo, afinal, quem disse que na roça não existe sinal, sexto sentido? Quiçá até mais dos que possuem televisão e afins.
Eu, um reles mortal, questiono de quê faz o homem. Sofrimento? Comida? Esperança? Inteligência? Átomos. Portanto, a matéria constitui o homem? Bem, só sei que o queijo do seu Chico é feito do leite. O leite da roça que é fruto de uma vida, assim como a mãe dá luz ao político, ao padeiro, ao jornalista e ao poeta.
O que distingue o homem? O leite de sua mãe? Sua fase pré-natal? O gado é a sua raça, que dirá do seu sangue, alma, procedência?
Eu cá, olhando os olhos do seu Chico e vendo quanta loucura e mistério é a vida de um cara que, para o resto da humanidade, é simplesmente um Zé, quer dizer, um Chico ninguém, que mal existe no mapa. Vejo também a dor de um pobre que não põe esperanças sobre seu destino, apenas vive cuidando de sua roça, preparando seus queijos, amando sua sinhá. Olhando mais profundamente, vejo que tem uma mancha perto da íris, e que também tem rugas, e que também é matéria.
Lamento em me informar, mas não chego a conclusões. Por mais que eu tente ser espírito não consigo distanciar do meu lado irônico, mesquinho, crítico, imbecil, supérfluo, atômico.
Alma pobre que eu sou, Barnabé! O espelho nunca salva, eis a tentativa. Contentarei com a casca, a pele da minha existência. Repetirei todas as minhas angústias sabendo que nunca ficarei feliz com os resultados. Continuarei olhando as manchas dos olhos dos outros e reconhecendo que todos somos coitados. Viverei sempre assim, analisando a natureza rústica de quem vive fora do padrão estético da ingrata modernidade. E para esquecer tudo isso(senão me tornarei um alienado) vou para a rua engolir as coisas boas da vida, a praça, os amores, os luais, assim como todo o eu brasileiro, que se resume apenas em água, pão e carnaval.
18 de abril de 2007
Aniversariante do mês

No próximo dia 21, Brasília - minha terra de criação - estará fazendo 47 anos. A cidade está sendo preparada para uma graaaande comemoração!
Vamos comemorar o crescimento desordenado, a violência no entorno, o protesto de classes trabalhadoras de todo o Brasil, os péssimos exemplos mostrados na mídia, a corrupção dos nossos governantes, a impunidade de jovens(ricos) inconsequentes...
Mas para quem mora aqui sabe que Brasília é muito mais que isso.Vivemos coisas que em nenhum lugar do país é possível. A elas,sim,a minha comemoração!
Dentre essas, um brinde às oportunidades oferecidas, à diversidade de pensamentos, culturas e sotaques, ao lazer, à riqueza cultural, às largas ruas(sem ladeiras), ao verde, às cigarras que fazem um terrível barulho na primavera e nos impedem de dormir...Porque em Brasília, durante todo o ano, os motoristas evitam usar buzinas!
Declaração
Mar de Brasília, ondas no céu
Cheiro de flores, gosto de fel
Nuvens com vida e o pôr-do-sol
Lua cheia: laranja ou vermelha?
Vermelho – vidro fechado
Troquinho para o cego do cerrado
Calango ou candango
Seca e água fria
Sol do meio-dia
Chuva às oito e seis da tarde.
Mês nove multicores
Obras? Não se discute
(aqui é centro do poder).
Pardais contam com a má sorte
A da cigarra, seu canto de morte
Árvores que não se mexem
Retornos se prosseguem
Como objetos animados:
Que seria sem um balão ou uma tesoura?
Caos maior seria possível.
Declaração de amor ou ódio?
Isso não entra em questão
O que já comeu não se devolve
Dá o troco pro calango cego
Fecha o vidro, liga o ar
E a missão está cumprida.
Mar de Brasília, ondas no céu
Cheiro de flores, gosto de fel
Nuvens com vida e o pôr-do-sol
Lua cheia: laranja ou vermelha?
Vermelho – vidro fechado
Troquinho para o cego do cerrado
Calango ou candango
Seca e água fria
Sol do meio-dia
Chuva às oito e seis da tarde.
Mês nove multicores
Obras? Não se discute
(aqui é centro do poder).
Pardais contam com a má sorte
A da cigarra, seu canto de morte
Árvores que não se mexem
Retornos se prosseguem
Como objetos animados:
Que seria sem um balão ou uma tesoura?
Caos maior seria possível.
Declaração de amor ou ódio?
Isso não entra em questão
O que já comeu não se devolve
Dá o troco pro calango cego
Fecha o vidro, liga o ar
E a missão está cumprida.
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