25 de março de 2008

Loucura

Loucura para mim nada mais é do que ter consciência da possibilidade.

21 de março de 2008

Christian Pior

ROUPAS NO AMBIENTE DE TRABALHO Por Christian Pior - (Programa Pânico na TV)

Barriga de fora
Neste caso, só é válido se você for dançarina do ventre ou do É o Tchan! (que nem existe mais, eu acho). Só que, como você não trabalha no meio musical e sim em uma multinacional (adoro este nome, acho poderoso), evite o modelo que evidencia além da conta. Por quê?
A. Todo mundo sabe que você tem umbigo. Mostrar para quê se não é nenhuma novidade? Acredite: o seu umbigo não é especial e nem essencial a humanidade.
B. Se você está fora de forma, com barriga de quem come "dobradinha", por favor criatura, tenha bom senso. Nada de exibir suas adiposidades para colegas e chefes na empresa, afinal é uma empresa muito "shike", não um açougue.
C. Esse item também dá uma conotação de vulgaridade. Parece que você quer seduzir alguém o tempo todo, isso vale também para as magras com barriga tanque que adoram se auto afirmar com o corpo tipo "como de tudo e não engordo um grama". Ou aquelas com a antipática frase "Minha esteira é minha melhor amiga".
D. Barriga de fora com o umbigo exibindo piercing é crime! Saias esvoaçantes, transparêcias e decote profundo... Pára tudo e chama a Nasa! Gente, como diria o filósofo (aquele que não sei o nome), "a vida não é um show de banda Calypso, você não entendeu?". Saias tipo Sarajane" (joga no Google), transparências que "dão pra contar os seus poros" e decotes "que fazem com que os boys percam a pouca concentração que têm" são inimigos cruéis do bom gosto no local de trabalho.
Saias
A. Se usar saia curta ou esvoaçante, seus colegas masculinos podem até achar bonito e divertido, mas depois querida, você será jogada na fogueira das fofocas e será alvo de piadinhas na empresa. E isso arde, filha, a se arde! Seus talentos e competência não estão nas suas pernas e sim no cérebro, portanto, solte o assanhamento somente nas baladas, nos shows, com o homem amado...
B. Na empresa, acho "shike" meia calça (hoje tem de todos os tipos, mas não vá de arrastão, né? - pelamordedeus) com saia até a altura dos joelhos.
Transparência nem na alma
Tem umas "pertubadas" que se deixar vão de baby-doll se sentindo "o último brownie da doceria de luxo", e na verdade são a "décima bolacha de água e sal no pacote de biscoitos na loja de R$ 1,99". E mulher muito oferecida desperta a raiva, a inveja, e o ódio de outras. E quando puxarem o seu persa, querida...
Decotes profundos e fendas
Gente, nem Jessica Rabbit usava aquilo em 24 horas! Toda mulher quer se sentir linda, gostosa e tal, mas se você realmente for, naturalmente vão perceber. Sensualidade vem de dentro, não de fora. Depois, se um cliente avançar o sinal, quero ver a sua cara. Sabe por que querida? As roupas falam... Umas até berram!
O cofrinho - Ai esse é o ESCÂNDALO.
Tem mulheres que tem cofrinho e outras com um verdadeiro "carro forte". Em ambos os casos nada disso deve ser mostrado, até porque cofre que é cofre tem que ser guardado. O que você espera conseguir com o "cofrinho" aparecendo? Uma promoção, um aumento? Cuidado viu, colega... Às vezes você pensa que está "abafando", mas na verdade você é chacota de toda a firma. Tão mais "shike" um terninho de corte reto, impecável, com o blazer seco junto ao corpo... Além de alongar a silhueta ele é clássico e você pode ter um nas cores preto, azul marinho, creme, marrom brownie (para as loiras fica lindo).
Acessórios
Aí, no caso, você poderá ousar (pouco, viu?) nos acessórios. Em uma bolsa poderosa (nunca economize em uma bolsa), em um sapato alto poderoso, enfim... Pense nas vilãs de novela. Estão sempre impecáveis, menos a Nazarett, personagem brega vilã, de Renata Sorrah. Acessórios em excesso e barulhentos, brincos que brigam com os cabelos, colares imensos (cuidado com os dourados, viu? Poucas pessoas sabem usar), brincos de pena, bijuterias "bicho grilo", Não! Não! e Não!!!!! Brincos, sempre delicados. Um relógio poderoso, um pingente "shike" (os que tem seu nome gravado são "atitude"). Acessório é minimalista, tudo menos e se por acaso, você tiver uma jóia cheguei, opte somente por ela, sem misturar com mais nada. Acessórios são "o sol" do look, ou seja, pesou, dançou. Ah, echarpes e lenços são "buzuzus", mas tem que saber usar com classe e se sentir a vontade com elas. Acho lindo mulher com anel de aço. Poderoso,único. Pérolas são eternas e nunca fazem feio. Piercing só se você for Diretora de Arte de uma agência de publicidade, com direito a muitos leões ganhos em Cannes.
Sexta-feira básica
O "a vontade" é um prato cheio para o povo cafona. Jeans rasgado, tênis de 1991, camiseta lascada que nem para dormir serve, mini-saia, enfim... Meninas, invistam em uma camiseta branca ou preta lisa, um jeans reto 501, um tênis tipo All Star. Fica tão lindo, mas que a camiseta seja nova, né?!O trio: jeans escuro com camiseta preta e tênis preto é tão lindo e emagrece, além de disfarçar a dispensável barriguinha de chopp, tão comum nos rapazes. Aliás, porque eles se orgulham da barriguinha de chopp? Meninas de Jeans 501, uma bata romântica com detalhes (adoro), um salto poderoso e um casaquinho seco para o fim do dia (sempre esfria, né?). Ah, bata muito transparente, NÃÃÃÃOOO... E se os seus colegas de trabalho disserem que você está linda, mesmo assim, tome cuidado. Eles preferem as mulheres nuas, já que quanto menos roupa melhor! Eles amam decotes.Experiência: Uma vez eu estava no metrô em Nova Iorque e vi uma menina com estampa do Snoopy, jeans seco reto preto, salto alto poderoso, bolsa tipo Balenciaga (joga no Google), óculos tipo Ray Ban, e rabo de cavalo. Na mão uma garrafinha de água mineral! Ovulei!
Piranha de cabelo
Aviso: Piranha de cabelo no cós da calça é a coisa mais feia do mundo. Piranha no cós é a "pochete das mulheres". É feio, horroroso.
Maquiagem
Maquiagem pesada e acessórios além da conta. Você é uma drag queen? Ou um personagem da música da cantora Simone: "Então é natal"? Gente, make up carregado é uma coisa séria. Tem mulheres que fazem uma verdadeira "pintura espírita" no rosto. Sombra que orna com a roupa, não. Glitter durante o dia, não.Gloss que escorre feito óleo na boca, não. Massa corrida, tipo, cara bem branca, com corretivo, base e muito pó, não. Sombra preta de dia, não. Batom com cores new wave (rosa cheguei com tudo, roxo tang uva e laranja dói meus olhos), não pode! Make up "vamp", tipo "hoje a noite vou usar cinta liga", também não. Acho "shike" um corretivo para disfarçar olheiras e espinhas, um pó leve para controlar a oleosidade e um batom cor de boca. E um blush talvez, bem leve, para dar um ar de saúde. Mas se carregar nos olhos, não carregue na boca e se carregar na boca, não carregue nos olhos. E se for linda de morrer nem precisa muito de make up, né?
Truques do ChristiaN
Soro fisiológico gelado na cara ao acordar, tudo de bom.
Máscara caseira, por 20 minutos, de clara de ovo batido.Passar a casca de mamão no rosto por 20 minutos e enxaguar depois não vá para o sol pelo amor de Deus.Pingar um colírio de manhã te dá outro olhar, querida.
Ao invés de gastar fortunas em um creme super caro, invista em um filtro solar poderoso com um fator acima de 30 para rostos, pescoço e mãos.Dê muita risada porque trabalha a musculatura do rosto e, dizem, ainda trabalha o abdômen.
Balada
Balada é bom e eu gosto! Drinks super hiper mega coloridos também. E quem não curte um Happy Hour? Mas ir para a labuta vestida de balada, não baby! Você pode até ir direto, mas se troque no fim do expediente, ou passe na casa de uma amiga que more próximo ao trabalho e se troque lá. E se ela deixar, você toma um banho. Ou se troque no carro, ou no boteco (que é uma aventura), fora os assobios que você ganha no final. Se for direto, retoque o make up, coloque uns acessórios mais "fervidos", ponha um salto mais alto e saia rebolativa disposta a conquistar o mundo! Mas não vá de vestido de noite para o trabalho. Paetê, brilho, vestido curto e vaporoso. Vestido vermelho "danço tango", ou seja, roupa de noite é roupa de noite. O ideal mesmo é passar em casa, tomar um banho e se aprumar (olha no Aurélio) com calma. E se não der, quem mandou morar longe?

17 de março de 2008

De português

Não, não é piada de português rs Quem sabe de outra vez...
Esta é uma história que recebi por e-mail. Metafórica, cheia de agentes da passiva e orações subordinadas explicativas.

Era a terceira vez que aquele substantivo e aquele artigo se encontravam no elevador. Um substantivo masculino, com um aspecto plural, com alguns anos bem vividos pelas preposições da vida. E o artigo era bem definido, feminino, singular: era ainda novinha, mas com um maravilhoso predicado nominal.
Era ingênua, silábica, um pouco átona, até ao contrário dele: um sujeito oculto, com todos os vícios de linguagem, fanáticos por leituras e filmes ortográficos. O substantivo gostou dessa situação: os dois sozinhos, num lugar sem ninguém ver e ouvir. E sem perder essa oportunidade, começou a se insinuar, a perguntar, a conversar.
O artigo feminino deixou as reticências de lado, e permitiu esse pequeno índice. De repente, o elevador pára, só com os dois lá dentro: ótimo, pensou o substantivo, mais um bom motivo para provocar alguns sinônimos. Pouco tempo depois, já estavam bem entre parênteses, quando o elevador recomeça a se movimentar: só que em vez de descer, sobe e pára justamente no andar do substantivo. Ele usou de toda a sua flexão verbal, e entrou com ela em seu aposto.
Ligou o fonema, e ficaram alguns instantes em silêncio, ouvindo uma fonética clássica, bem suave e gostosa. Prepararam uma sintaxe dupla para ele e um hiato com gelo para ela. Ficaram conversando, sentados num vocativo, quando ele começou outra vez a se insinuar.
Ela foi deixando, ele foi usando seu forte adjunto adverbial, e rapidamente chegaram a um imperativo, todos os vocábulos diziam que iriam terminar num transitivo direto.
Começaram a se aproximar, ela tremendo de vocabulário, e ele sentindo seu ditongo crescente: se abraçaram, numa pontuação tão minúscula, que nem um período simples passaria entre os dois. Estavam nessa ênclise quando ela confessou que ainda era vírgula; ele não perdeu o ritmo e sugeriu uma ou outra soletrada em seu apóstrofo. É claro que ela se deixou levar por essas palavras, estava totalmente oxítona às vontades dele, e foram para o comum de dois gêneros.
Ela totalmente voz passiva, ele voz ativa. Entre beijos, carícias, parônimos e substantivos, ele foi avançando cada vez mais: ficaram uns minutos nessa próclise, e ele, com todo o seu predicativo do objeto, ia tomando conta.
Estavam na posição de primeira e segunda pessoa do singular, ela era um perfeito agente da passiva, ele todo paroxítono, sentindo o pronome do seu grande travessão forçando aquele hífen ainda singular. Nisso a porta abriu repentinamente. Era o verbo auxiliar do edifício. Ele tinha percebido tudo, e entrou dando conjunções e adjetivos nos dois, que se encolheram gramaticalmente, cheios de preposições, locuções e exclamativas. Mas ao ver aquele corpo jovem, numa acentuação tônica, ou melhor, subtônica, o verbo auxiliar diminuiu seus advérbios e declarou o seu particípio na história.
Os dois se olharam, e viram que isso era melhor do que uma metáfora por todo o edifício. O verbo auxiliar se entusiasmou e mostrou o seu adjunto adnominal. Que loucura, minha gente. Aquilo não era nem comparativo: era um superlativo absoluto. Foi se aproximando dos dois, com aquela coisa maiúscula, com aquele predicativo do sujeito apontado para seus objetos. Foi chegando cada vez mais perto, comparando o ditongo do substantivo ao seu tritongo, propondo claramente uma mesóclise-a-trois. Só que as condições eram estas: enquanto abusava de um ditongo nasal, penetraria ao gerúndio do substantivo, e culminaria com um complemento verbal no artigo feminino.
O substantivo, vendo que poderia se transformar num artigo indefinido depois dessa, pensando em seu infinitivo, resolveu colocar um ponto final na história: agarrou o verbo auxiliar pelo seu conectivo, jogou-o pela janela e voltou ao seu trema, cada vez mais fiel à língua portuguesa, com o artigo feminino colocado em conjunção coordenativa conclusiva.

13 de março de 2008

A paz do coração

Eu não troco, não vendo, não empresto nem dou
A paz no coração pelas juras de amor.
Quem quiser meu carinho
Terá que provar, amor, provar
Em aventura, benzinho
Eu não vou me arriscar.

Só atraco meu barco em porto seguro
Em canoa furada não vou no escuro.
Aos meus dezoito anos
Vivi trinta e seis
Chorei, chorei
No oceano da vida quase naufraguei.

Eu não troco, eu não vendo, eu não dou.

Candeia

29 de fevereiro de 2008

Dia de nhoque

Hoje a dica é culinária! Dia 29 de fevereiro- estamos em ano bissexto.
Dizem que todo dia 29 é recomendável comer o dito 'Nhoque da Fartura', porém nesta data, que só acontece de vez em quando, diria ser...indispensável.

E que história é essa???
"Conta-se que, certo dia 29, na Itália, um frade andarilho faminto bateu à porta de um casebre e pediu um prato de comida. A família era grande e tinha pouco a oferecer, mas não se importou em dividir um prato de nhoque com o homem, chamado Genaro ou Pantaleão. Coube a cada um sete pedacinhos da massa. Ao final da refeição, o andarilho agradeceu a acolhida e partiu. A surpresa veio quando a família retirou os pratos e descobriu que, embaixo de cada um, havia uma quantia considerável de dinheiro.
Para obter sorte, não basta comer nhoque na data. A massa deve ser servida com uma nota ganha sob o prato e os primeiros sete pedaços devem ser comidos em pé, acompanhados de um pedido a cada garfada. O dinheiro sob o prato deve ser guardado até o dia 29 seguinte, quando deverá ser doado a alguém que necessite ou usado para pagar dívida."

Superstição ou bobagem, não importa. Uma fezinha nunca faz mal e esse prato é sempre uma boa pedida, não é mesmo?
Bon Apetit.

27 de fevereiro de 2008

O som


Antes dos mouros o som
O som de tudo que passou por lá
O som de tudo que passou aqui
O som que vem, quem viver verá.
Os trovões já batucavam
Vanguardistas batucadas
O vento já produzia
Árias de ar e poeira
O mar nunca atrasará.
O compasso do batuque
E o fogo na sua dança
Toda vida fez um som.
Antes do peito dos mouros
Antes dos gritos da gente
Antes até da saudade
Que viajou além-mar
Do banzo dos africanos
Do toré no mato verde
O fogo com seus estalos
Fazia um som... já fazia um som.
Mandacaru meu deu lanças
A certeza seu fuzil
A noite trouxe seu frio
Pra quentura dessa vida
O mar nunca atrasará.
O compasso do batuque
E o fogo na sua dança
Toda vida fez um som...

Antes dos Mouros - Cordel do Fogo Encantado

20 de fevereiro de 2008

A luz do breu

Tenho algo de vampiro...
O gosto pela noite, sombra e frio
Um canto escondido, perto da sorte
Lua grande, amarela, eclipse
Tudo parece morto diante a imensidão
Mas brilha
na luz do que ainda vive
no clarão interno que lhe ofusca os olhos
Tudo é belo demais
Para o corpo que não merece
Que espera a hora sóbria
Que sonha com a noite
e o líquido rubro que esquenta
e lhe torna altivo...
Do vinho me sirvo em festa a começar.

8 de fevereiro de 2008

Quando o samba reviveu


Em Ipanema, aconteceu o mais emblemático dos episódios relacionados à ressurreição do samba, que na verdade morto nunca esteve, mas sim, afastado dos holofotes da mídia. O cronista Sérgio Porto entrou num botequim para tomar um café quando teve uma surpresa...reconheceu um personagem, vestido num macacão molhado que há dez anos afastado do mundo do samba, era dado como desaparecido, ou mesmo morto, por muitos dos seus reconhecidos e admiradores. Tratava-se de Angenor de Oliveira, o Cartola(RJ,1908-1980).
Ocorreu que Cartola, aos 38 anos, contraíra meninguite, o que o impediu de continuar trabalhando como pedreiro, ofício que exercera até então. Aliás, o apelido lhe veio da mania de usar um chapéu-coco para evitar que o cimento caísse em seu cabelo. Dali para frente teve de sobreviver à custa de empregos modestos. Sérgio Porto o reconheceu por acaso - na época, Cartola trabalhava como lavador de carros, numa garagem próxima ao botequim, e era vigia noturno.
Na verdade, o encontro com Sérgio Porto foi fundamental para a retomada de sua carreira e sua casa logo se tornou ponto de encontro dos maiores sambistas da época, que além da boa companhia desfrutavam dos quitutes de Dona Zica, cidadã mangueirense com quem Cartola já vivia.
Daí nasceu a idéia do Zicartola, o bar que o casal abriu num casarão da rua da Carioca, centro do Rio de Janeiro. O bar logo se tornou novo ponto de referência dos sambistas e também de toda uma geração de importantes compositores e intérpretes de classe média interessados em conhecer o samba.
O Zicartola virou moda, como parte de um processo no qual se destaca o papel relevante de compositores preocupados com a defesa dos ritmos brasileiros, chamando atenção para a temática dos morros, já nos melhores dias da Bossa Nova. Desse modo, os dois mundos musicais viveram um momento de integração, levando muitos jovens compositores a voltares suas visões críticas para o importante celeiro dos sambistas urbanos e dos compositores de samba que sempre existiram (e continuavam a existir) nos morros cariocas.
Mesmo com o esse novo impulso favorável ao samba, Cartola só gravaria seu primeiro disco em 1974, aos 65 anos de idade. Gravaria ao todo quatro discos solo, além de um ao vivo, que seria lançado após sua morte.
Mais sobre a história do samba na postagem de maio de 2007, "Samba, sim" . http://fuaemlata.blogspot.com/2007/05/um-pouco-de-samba.html

4 de fevereiro de 2008

Trio elétrico


Depois do frevo, um pouco da história do Carnaval da Bahia.

Em 1950 surgiu a famosa dupla elétrica. Após observarem o desfile da famosa "Vassourinha", entidade carnavalesca de Pernambuco que tocava frevo na rua Chile, e empolgados com a receptividade do bloco junto ao público, a dupla elétrica formada por Adolfo Antônio Nascimento -o Dodô- e Osmar Álvares de Macêdo resolveu restaurar um velho Ford 1929, guardado numa garagem. No Carnaval do mesmo ano, saiu às ruas tocando seus "paus elétricos" em cima do carro e com o som ampliado por alto-falantes. A apresentação aconteceu às cinco horas da tarde do domingo de Carnaval, arrastando uma multidão pelas ruas do centro da cidade.
O nome "trio elétrico" surgiu em 1951, quando, pela primeira vez, apresentou-se no Carnaval um conjunto de três instrumentistas. A "dupla elétrica" (Dodô e Osmar) convidou o amigo e músico Temístocles Aragão para integrar o trio e tocar nas ruas de Salvador numa pick up Chrysler, modelo Fargo, maior que a fobica do ano anterior, em cujas laterais se liam em duas placas: "O trio elétrico".
Osmar tocava a famosa guitarra baiana, de som agudo; Dodô era responsável pelo violão-pau-elétrico, de som grave, e Aragão, pelo triolim, como era conhecido o violão tenor, de som médio. Estava formado o trio musical.
No ano seguinte, surgiu o primeiro grande bloco de Carnaval, denominado "Os Internacionais", composto apenas por homens. Nesta época, a todo instante "pipocava" um trio elétrico novo, mas os blocos iam para as ruas acompanhados somente de baterias ou grupos de percussão. Foi aí que também apareceram as famosas cordas e as mortalhas para brincar o Carnaval.

1 de fevereiro de 2008

Frevo

A palavra frevo vem de ferver, que passou a designar: efervescência, agitação, confusão, rebuliço; apertão nas reuniões de grande massa popular no seu vai-e-vem em direções opostas, como o Carnaval, de acordo com o Vocabulário Pernambucano, de Pereira da Costa.
O Frevo é um ritmo pernambucano derivado da marcha e do maxixe. Surgido no Recife no final do Século XIX, o frevo se caracteriza pelo ritmo extremamente acelerado. Muito executado durante o carnaval, eram comuns conflitos entre blocos de frevos, em que capoeiristas saíam à frente dos seus blocos para intimidar blocos rivais e proteger seu estandarte. Da junção da capoeira com o ritmo do frevo nasceu o passo, a dança do frevo.
A sombrinha, tão marcante na dança, não passava de um guarda-chuva conduzido pelos capoeiristas pela necessidade de ter na mão como arma para ataque e defesa, já que a prática da capoeira estava proibida.
Este argumento baseia-se no fato de que os primeiros frevistas, não conduziam guarda-chuvas em bom estado, valendo-se apenas da solidez da armação. Com o decorrer do tempo, esses guarda-chuvas, grandes, negros, velhos e rasgados se vêm transformados, acompanhando a evolução da dança, para converter-se, atualmente, em uma sombrinha pequena de 50 ou 60 centímetros de diâmetro.

30 de janeiro de 2008

É Carnaval!


Carnaval chegando, vamos falar um pouco sobre esta festa.

Quem trouxe o carnaval ao Brasil foram os portugueses, por volta de 1750. Nessa época, a festa era chamada de entrudo, palavra que vem do latim introitu e significa entrada, pois a comemoração começava na entrada (início) da Quaresma. Mais tarde, surgiram as máscaras, as fantasias e as marchinhas. A serpentina (de origem francesa) e o confete (de origem espanhola) que enfeitam os bailes de salão chegaram ao Brasil em 1892. Algumas fantasias, como as de Pierrô, Colombina, Arlequim e Rei Momo são bastante tradicionais, principalmente nos bailes de salão. Mas, mesmo com todo o sucesso desses bailes, o carnaval de rua é cada vez mais procurado e ainda preserva parte do folclore brasileiro.
O primeiro carnaval brasileiro, segundo os historiadores, aconteceu em 1641. O governador do Rio de Janeiro, Salvador Correa de Sá Benevides, determinou que se dedicasse uma semana de festa para homenagear a coroação de D. João IV. O povo adorou a idéia. No início, o carnaval era animado com canções portuguesas, como as quadrilhas. Depois, vieram a polca e os ritmos do carnaval italiano. Só em 1870 é que surgiu uma música tipicamente brasileira, o maxixe, e a primeira canção carnavalesca do país: E viva Zé Pereira. Uma tradição do carnaval eram as brigas com ovos, limões, água e farinha, já cultivada em outros países. Na época da Proclamação da Independência, eram comuns essas batalhas. Até as orgulhosas senhoritas da alta sociedade participavam. Das varandas das casas, moças vistosas jogavam ovos e água nas pessoas que passavam na rua.

Nas próximas postagens, um pouco dos ritmos celebrados no carnaval de todo o país.

23 de janeiro de 2008

Modernidade Criativa

Aqui vão algumas soluções criativas para fugir da mesmice-padrão das necessidades da modernidade.

Lençol para solteiros:
Sofá inteligente:

Imã de geladeira com abridor de garrafas:

Mictório:

Ducha colorida:

Lixeira-robô:

Cadeira-família:

Prato para festa:

Mochila Yoda:

Banheiro Masculino:

15 de janeiro de 2008

Apático

Tenho pouco na bagagem
Pouca história para contar
Carrego dentro pouco de força, de esperança
e de sorriso para disfarçar.
Tenho muito de idade
O suficiente para confessar
Do que me resta, seja muito, espero
Pois do quase nada que me revelo
Não o chamo de viver.
Sobrevivo
No medo do que não sei, do que não quero
A todo tempo me contradigo
Mas sempre sigo o que me faz continuar.
Hoje nada me traduz
Não há canto, melhor amigo
nem poema escondido, nem feixe de luz
Não há sequer sombra do que for que diga.
Hoje nada me conduz
Não há receio nem bem querer
Apático, apenas acredito na fé que pus
No meu desvelo, ao amanhecer.

14 de janeiro de 2008

Fim do Dia

Demora tanto, demora tanto pra crescer
Pra depois de uma hora pra outra morrer
Tem que mamar, tem que comer e beber
Deixar vir e ir sofrimento e prazer
Não há o que lamentar
Quando chega o fim do dia
Um cara que anda tem que chegar em algum lugar
Um cara que trabalha trabalha trabalha deve se cansar
O cara estuda tanto e ainda tem tanto pra aprender
Passa o tempo e fica mais fácil esquecer
Não há o que lamentar
Quando chega o fim do dia
Não há o que lamentar
quando chega o fim do dia
Se despede da sua dor
Diz adeus à sua alegria
Não há o que lamentar
Quando chega o fim do dia.

Arnaldo Antunes

3 de janeiro de 2008

Tudo Novo de Novo

Primeira postagem de 2008.
Nada mudou.
Depois da passagem de ano a vida segue. O que renovam são apenas especulações; esperanças que às vezes morrem logo, às vezes persistem por mais um tempo; promessas ora cumpridas, ora esquecidas.
E o ano novo carrega mais um ano de velhice, no árduo peso do tempo.
E vivemos, e rimos, e choramos, e prometemos, e desistimos, e amamos, e erramos. Tudo novo de novo, como diria o Moska.


TUDO NOVO DE NOVO

Vamos começar
Colocando um ponto final
Pelo menos já é um sinal
De que tudo na vida tem fim
Vamos acordar

Hoje tem um sol diferente no céu
Gargalhando no seu carrossel
Gritando nada é tão triste assim
É tudo novo de novo

Vamos nos jogar onde já caímos
Tudo novo de novo
Vamos mergulhar do alto onde subimos.
Vamos celebrar

Nossa própria maneira de ser
Essa luz que acabou de nascer
Quando aquela de trás apagou
E vamos terminar

Inventando uma nova canção
Nem que seja uma outra versão
Pra tentar entender que acabou
Mas é tudo novo de novo

Vamos nos jogar onde já caímos
Tudo novo de novo
Vamos mergulhar do alto onde subimos.

19 de dezembro de 2007

Mineira


"O sotaque das mineiras deveria ser ilegal, imoral ou engordar. Porque, se tudo que é bom tem um desses horríveis efeitos colaterais, como é que o falar, sensual e lindo (das mineiras) ficou de fora? Porque, Deus, que sotaque! Mineira devia nascer com tarja preta avisando: Ouvi-la faz mal à saúde. Se uma mineira, falando mansinho, me pedir para assinar um contrato doando tudo que tenho, sou capaz de perguntar: Só isso? Assino achando que ela me faz um favor. Eu sou suspeitíssimo. Confesso: ESSE SOTAQUE ME DESARMA." Carlos Drummond de Andrade

Crônica moderna de fim de ano

Não se faz mais fins de ano como antigamente. Hoje em dia está tudo renovado e a tradição se encaixa às tendências da modernidade.
O Natal, ainda com tantas luzes, se transforma em um dos poucos momentos de encontro no ano de pessoas atarefadas que mal participam da vida do outro. É a noite em que todos se reparam e aos cantos comentam uns com os outros as novidades do ano: quem se separou, quem se juntou, quem envelheceu, quem rejuveneceu.
Na trilha sonora, definitivamente foram aposentadas as canções que embalavam o espírito natalino, em especial aquele cd da Simone! O garoto de 11 anos lança o som que a galera gosta e os clipes do momento. Os jovens cantam (em inglês) e imitam seus artistas em roupas, gestos e rebolados. As tias acham lindo; A mamãe pede bis.
A criançada hoje, mais adulta do que tudo e mais esperta do que a de antes, não conta mais com o serviço dos Correios e desde bem antes mandam um e-mail para Papai Noel, aproveita e envia uma cópia para o pai, a mãe e deixa seus desejos de Natal divulgados no blog e na lista de presentes do orkut. Precaução. Na lista, a novidade não é exatamente novidade: normalmente são versões atualizadas dos presentes do ano passado.
E assim seguem as festas de Natal e Ano Novo. As roupas de Reveillon são cada vez mais coloridas, já que a necessidade não se resume em apenas paz.
A esperança para o próximo ano se renova com o desejo de passar em um concurso público, e não mais subir de cargo na empresa. É contar quantas cirurgias plásticas pretende fazer, e não mais rezar para passar longe de um hospital.
Aguardamos 2008 chegar e com ele as novidades para o próximo dezembro.
Boas festas.

7 de dezembro de 2007

Fala,Charles


Pensamos demasiadamente
Sentimos muito pouco.
Necessitamos mais de humildade
Que de máquinas.
Mais de bondade e ternura
Que de inteligência.
Sem isso,
A vida se tornará violenta e
Tudo se perderá.

Charles Chaplin