21 de março de 2008

Christian Pior

ROUPAS NO AMBIENTE DE TRABALHO Por Christian Pior - (Programa Pânico na TV)

Barriga de fora
Neste caso, só é válido se você for dançarina do ventre ou do É o Tchan! (que nem existe mais, eu acho). Só que, como você não trabalha no meio musical e sim em uma multinacional (adoro este nome, acho poderoso), evite o modelo que evidencia além da conta. Por quê?
A. Todo mundo sabe que você tem umbigo. Mostrar para quê se não é nenhuma novidade? Acredite: o seu umbigo não é especial e nem essencial a humanidade.
B. Se você está fora de forma, com barriga de quem come "dobradinha", por favor criatura, tenha bom senso. Nada de exibir suas adiposidades para colegas e chefes na empresa, afinal é uma empresa muito "shike", não um açougue.
C. Esse item também dá uma conotação de vulgaridade. Parece que você quer seduzir alguém o tempo todo, isso vale também para as magras com barriga tanque que adoram se auto afirmar com o corpo tipo "como de tudo e não engordo um grama". Ou aquelas com a antipática frase "Minha esteira é minha melhor amiga".
D. Barriga de fora com o umbigo exibindo piercing é crime! Saias esvoaçantes, transparêcias e decote profundo... Pára tudo e chama a Nasa! Gente, como diria o filósofo (aquele que não sei o nome), "a vida não é um show de banda Calypso, você não entendeu?". Saias tipo Sarajane" (joga no Google), transparências que "dão pra contar os seus poros" e decotes "que fazem com que os boys percam a pouca concentração que têm" são inimigos cruéis do bom gosto no local de trabalho.
Saias
A. Se usar saia curta ou esvoaçante, seus colegas masculinos podem até achar bonito e divertido, mas depois querida, você será jogada na fogueira das fofocas e será alvo de piadinhas na empresa. E isso arde, filha, a se arde! Seus talentos e competência não estão nas suas pernas e sim no cérebro, portanto, solte o assanhamento somente nas baladas, nos shows, com o homem amado...
B. Na empresa, acho "shike" meia calça (hoje tem de todos os tipos, mas não vá de arrastão, né? - pelamordedeus) com saia até a altura dos joelhos.
Transparência nem na alma
Tem umas "pertubadas" que se deixar vão de baby-doll se sentindo "o último brownie da doceria de luxo", e na verdade são a "décima bolacha de água e sal no pacote de biscoitos na loja de R$ 1,99". E mulher muito oferecida desperta a raiva, a inveja, e o ódio de outras. E quando puxarem o seu persa, querida...
Decotes profundos e fendas
Gente, nem Jessica Rabbit usava aquilo em 24 horas! Toda mulher quer se sentir linda, gostosa e tal, mas se você realmente for, naturalmente vão perceber. Sensualidade vem de dentro, não de fora. Depois, se um cliente avançar o sinal, quero ver a sua cara. Sabe por que querida? As roupas falam... Umas até berram!
O cofrinho - Ai esse é o ESCÂNDALO.
Tem mulheres que tem cofrinho e outras com um verdadeiro "carro forte". Em ambos os casos nada disso deve ser mostrado, até porque cofre que é cofre tem que ser guardado. O que você espera conseguir com o "cofrinho" aparecendo? Uma promoção, um aumento? Cuidado viu, colega... Às vezes você pensa que está "abafando", mas na verdade você é chacota de toda a firma. Tão mais "shike" um terninho de corte reto, impecável, com o blazer seco junto ao corpo... Além de alongar a silhueta ele é clássico e você pode ter um nas cores preto, azul marinho, creme, marrom brownie (para as loiras fica lindo).
Acessórios
Aí, no caso, você poderá ousar (pouco, viu?) nos acessórios. Em uma bolsa poderosa (nunca economize em uma bolsa), em um sapato alto poderoso, enfim... Pense nas vilãs de novela. Estão sempre impecáveis, menos a Nazarett, personagem brega vilã, de Renata Sorrah. Acessórios em excesso e barulhentos, brincos que brigam com os cabelos, colares imensos (cuidado com os dourados, viu? Poucas pessoas sabem usar), brincos de pena, bijuterias "bicho grilo", Não! Não! e Não!!!!! Brincos, sempre delicados. Um relógio poderoso, um pingente "shike" (os que tem seu nome gravado são "atitude"). Acessório é minimalista, tudo menos e se por acaso, você tiver uma jóia cheguei, opte somente por ela, sem misturar com mais nada. Acessórios são "o sol" do look, ou seja, pesou, dançou. Ah, echarpes e lenços são "buzuzus", mas tem que saber usar com classe e se sentir a vontade com elas. Acho lindo mulher com anel de aço. Poderoso,único. Pérolas são eternas e nunca fazem feio. Piercing só se você for Diretora de Arte de uma agência de publicidade, com direito a muitos leões ganhos em Cannes.
Sexta-feira básica
O "a vontade" é um prato cheio para o povo cafona. Jeans rasgado, tênis de 1991, camiseta lascada que nem para dormir serve, mini-saia, enfim... Meninas, invistam em uma camiseta branca ou preta lisa, um jeans reto 501, um tênis tipo All Star. Fica tão lindo, mas que a camiseta seja nova, né?!O trio: jeans escuro com camiseta preta e tênis preto é tão lindo e emagrece, além de disfarçar a dispensável barriguinha de chopp, tão comum nos rapazes. Aliás, porque eles se orgulham da barriguinha de chopp? Meninas de Jeans 501, uma bata romântica com detalhes (adoro), um salto poderoso e um casaquinho seco para o fim do dia (sempre esfria, né?). Ah, bata muito transparente, NÃÃÃÃOOO... E se os seus colegas de trabalho disserem que você está linda, mesmo assim, tome cuidado. Eles preferem as mulheres nuas, já que quanto menos roupa melhor! Eles amam decotes.Experiência: Uma vez eu estava no metrô em Nova Iorque e vi uma menina com estampa do Snoopy, jeans seco reto preto, salto alto poderoso, bolsa tipo Balenciaga (joga no Google), óculos tipo Ray Ban, e rabo de cavalo. Na mão uma garrafinha de água mineral! Ovulei!
Piranha de cabelo
Aviso: Piranha de cabelo no cós da calça é a coisa mais feia do mundo. Piranha no cós é a "pochete das mulheres". É feio, horroroso.
Maquiagem
Maquiagem pesada e acessórios além da conta. Você é uma drag queen? Ou um personagem da música da cantora Simone: "Então é natal"? Gente, make up carregado é uma coisa séria. Tem mulheres que fazem uma verdadeira "pintura espírita" no rosto. Sombra que orna com a roupa, não. Glitter durante o dia, não.Gloss que escorre feito óleo na boca, não. Massa corrida, tipo, cara bem branca, com corretivo, base e muito pó, não. Sombra preta de dia, não. Batom com cores new wave (rosa cheguei com tudo, roxo tang uva e laranja dói meus olhos), não pode! Make up "vamp", tipo "hoje a noite vou usar cinta liga", também não. Acho "shike" um corretivo para disfarçar olheiras e espinhas, um pó leve para controlar a oleosidade e um batom cor de boca. E um blush talvez, bem leve, para dar um ar de saúde. Mas se carregar nos olhos, não carregue na boca e se carregar na boca, não carregue nos olhos. E se for linda de morrer nem precisa muito de make up, né?
Truques do ChristiaN
Soro fisiológico gelado na cara ao acordar, tudo de bom.
Máscara caseira, por 20 minutos, de clara de ovo batido.Passar a casca de mamão no rosto por 20 minutos e enxaguar depois não vá para o sol pelo amor de Deus.Pingar um colírio de manhã te dá outro olhar, querida.
Ao invés de gastar fortunas em um creme super caro, invista em um filtro solar poderoso com um fator acima de 30 para rostos, pescoço e mãos.Dê muita risada porque trabalha a musculatura do rosto e, dizem, ainda trabalha o abdômen.
Balada
Balada é bom e eu gosto! Drinks super hiper mega coloridos também. E quem não curte um Happy Hour? Mas ir para a labuta vestida de balada, não baby! Você pode até ir direto, mas se troque no fim do expediente, ou passe na casa de uma amiga que more próximo ao trabalho e se troque lá. E se ela deixar, você toma um banho. Ou se troque no carro, ou no boteco (que é uma aventura), fora os assobios que você ganha no final. Se for direto, retoque o make up, coloque uns acessórios mais "fervidos", ponha um salto mais alto e saia rebolativa disposta a conquistar o mundo! Mas não vá de vestido de noite para o trabalho. Paetê, brilho, vestido curto e vaporoso. Vestido vermelho "danço tango", ou seja, roupa de noite é roupa de noite. O ideal mesmo é passar em casa, tomar um banho e se aprumar (olha no Aurélio) com calma. E se não der, quem mandou morar longe?

17 de março de 2008

De português

Não, não é piada de português rs Quem sabe de outra vez...
Esta é uma história que recebi por e-mail. Metafórica, cheia de agentes da passiva e orações subordinadas explicativas.

Era a terceira vez que aquele substantivo e aquele artigo se encontravam no elevador. Um substantivo masculino, com um aspecto plural, com alguns anos bem vividos pelas preposições da vida. E o artigo era bem definido, feminino, singular: era ainda novinha, mas com um maravilhoso predicado nominal.
Era ingênua, silábica, um pouco átona, até ao contrário dele: um sujeito oculto, com todos os vícios de linguagem, fanáticos por leituras e filmes ortográficos. O substantivo gostou dessa situação: os dois sozinhos, num lugar sem ninguém ver e ouvir. E sem perder essa oportunidade, começou a se insinuar, a perguntar, a conversar.
O artigo feminino deixou as reticências de lado, e permitiu esse pequeno índice. De repente, o elevador pára, só com os dois lá dentro: ótimo, pensou o substantivo, mais um bom motivo para provocar alguns sinônimos. Pouco tempo depois, já estavam bem entre parênteses, quando o elevador recomeça a se movimentar: só que em vez de descer, sobe e pára justamente no andar do substantivo. Ele usou de toda a sua flexão verbal, e entrou com ela em seu aposto.
Ligou o fonema, e ficaram alguns instantes em silêncio, ouvindo uma fonética clássica, bem suave e gostosa. Prepararam uma sintaxe dupla para ele e um hiato com gelo para ela. Ficaram conversando, sentados num vocativo, quando ele começou outra vez a se insinuar.
Ela foi deixando, ele foi usando seu forte adjunto adverbial, e rapidamente chegaram a um imperativo, todos os vocábulos diziam que iriam terminar num transitivo direto.
Começaram a se aproximar, ela tremendo de vocabulário, e ele sentindo seu ditongo crescente: se abraçaram, numa pontuação tão minúscula, que nem um período simples passaria entre os dois. Estavam nessa ênclise quando ela confessou que ainda era vírgula; ele não perdeu o ritmo e sugeriu uma ou outra soletrada em seu apóstrofo. É claro que ela se deixou levar por essas palavras, estava totalmente oxítona às vontades dele, e foram para o comum de dois gêneros.
Ela totalmente voz passiva, ele voz ativa. Entre beijos, carícias, parônimos e substantivos, ele foi avançando cada vez mais: ficaram uns minutos nessa próclise, e ele, com todo o seu predicativo do objeto, ia tomando conta.
Estavam na posição de primeira e segunda pessoa do singular, ela era um perfeito agente da passiva, ele todo paroxítono, sentindo o pronome do seu grande travessão forçando aquele hífen ainda singular. Nisso a porta abriu repentinamente. Era o verbo auxiliar do edifício. Ele tinha percebido tudo, e entrou dando conjunções e adjetivos nos dois, que se encolheram gramaticalmente, cheios de preposições, locuções e exclamativas. Mas ao ver aquele corpo jovem, numa acentuação tônica, ou melhor, subtônica, o verbo auxiliar diminuiu seus advérbios e declarou o seu particípio na história.
Os dois se olharam, e viram que isso era melhor do que uma metáfora por todo o edifício. O verbo auxiliar se entusiasmou e mostrou o seu adjunto adnominal. Que loucura, minha gente. Aquilo não era nem comparativo: era um superlativo absoluto. Foi se aproximando dos dois, com aquela coisa maiúscula, com aquele predicativo do sujeito apontado para seus objetos. Foi chegando cada vez mais perto, comparando o ditongo do substantivo ao seu tritongo, propondo claramente uma mesóclise-a-trois. Só que as condições eram estas: enquanto abusava de um ditongo nasal, penetraria ao gerúndio do substantivo, e culminaria com um complemento verbal no artigo feminino.
O substantivo, vendo que poderia se transformar num artigo indefinido depois dessa, pensando em seu infinitivo, resolveu colocar um ponto final na história: agarrou o verbo auxiliar pelo seu conectivo, jogou-o pela janela e voltou ao seu trema, cada vez mais fiel à língua portuguesa, com o artigo feminino colocado em conjunção coordenativa conclusiva.

13 de março de 2008

A paz do coração

Eu não troco, não vendo, não empresto nem dou
A paz no coração pelas juras de amor.
Quem quiser meu carinho
Terá que provar, amor, provar
Em aventura, benzinho
Eu não vou me arriscar.

Só atraco meu barco em porto seguro
Em canoa furada não vou no escuro.
Aos meus dezoito anos
Vivi trinta e seis
Chorei, chorei
No oceano da vida quase naufraguei.

Eu não troco, eu não vendo, eu não dou.

Candeia

29 de fevereiro de 2008

Dia de nhoque

Hoje a dica é culinária! Dia 29 de fevereiro- estamos em ano bissexto.
Dizem que todo dia 29 é recomendável comer o dito 'Nhoque da Fartura', porém nesta data, que só acontece de vez em quando, diria ser...indispensável.

E que história é essa???
"Conta-se que, certo dia 29, na Itália, um frade andarilho faminto bateu à porta de um casebre e pediu um prato de comida. A família era grande e tinha pouco a oferecer, mas não se importou em dividir um prato de nhoque com o homem, chamado Genaro ou Pantaleão. Coube a cada um sete pedacinhos da massa. Ao final da refeição, o andarilho agradeceu a acolhida e partiu. A surpresa veio quando a família retirou os pratos e descobriu que, embaixo de cada um, havia uma quantia considerável de dinheiro.
Para obter sorte, não basta comer nhoque na data. A massa deve ser servida com uma nota ganha sob o prato e os primeiros sete pedaços devem ser comidos em pé, acompanhados de um pedido a cada garfada. O dinheiro sob o prato deve ser guardado até o dia 29 seguinte, quando deverá ser doado a alguém que necessite ou usado para pagar dívida."

Superstição ou bobagem, não importa. Uma fezinha nunca faz mal e esse prato é sempre uma boa pedida, não é mesmo?
Bon Apetit.

27 de fevereiro de 2008

O som


Antes dos mouros o som
O som de tudo que passou por lá
O som de tudo que passou aqui
O som que vem, quem viver verá.
Os trovões já batucavam
Vanguardistas batucadas
O vento já produzia
Árias de ar e poeira
O mar nunca atrasará.
O compasso do batuque
E o fogo na sua dança
Toda vida fez um som.
Antes do peito dos mouros
Antes dos gritos da gente
Antes até da saudade
Que viajou além-mar
Do banzo dos africanos
Do toré no mato verde
O fogo com seus estalos
Fazia um som... já fazia um som.
Mandacaru meu deu lanças
A certeza seu fuzil
A noite trouxe seu frio
Pra quentura dessa vida
O mar nunca atrasará.
O compasso do batuque
E o fogo na sua dança
Toda vida fez um som...

Antes dos Mouros - Cordel do Fogo Encantado

20 de fevereiro de 2008

A luz do breu

Tenho algo de vampiro...
O gosto pela noite, sombra e frio
Um canto escondido, perto da sorte
Lua grande, amarela, eclipse
Tudo parece morto diante a imensidão
Mas brilha
na luz do que ainda vive
no clarão interno que lhe ofusca os olhos
Tudo é belo demais
Para o corpo que não merece
Que espera a hora sóbria
Que sonha com a noite
e o líquido rubro que esquenta
e lhe torna altivo...
Do vinho me sirvo em festa a começar.

8 de fevereiro de 2008

Quando o samba reviveu


Em Ipanema, aconteceu o mais emblemático dos episódios relacionados à ressurreição do samba, que na verdade morto nunca esteve, mas sim, afastado dos holofotes da mídia. O cronista Sérgio Porto entrou num botequim para tomar um café quando teve uma surpresa...reconheceu um personagem, vestido num macacão molhado que há dez anos afastado do mundo do samba, era dado como desaparecido, ou mesmo morto, por muitos dos seus reconhecidos e admiradores. Tratava-se de Angenor de Oliveira, o Cartola(RJ,1908-1980).
Ocorreu que Cartola, aos 38 anos, contraíra meninguite, o que o impediu de continuar trabalhando como pedreiro, ofício que exercera até então. Aliás, o apelido lhe veio da mania de usar um chapéu-coco para evitar que o cimento caísse em seu cabelo. Dali para frente teve de sobreviver à custa de empregos modestos. Sérgio Porto o reconheceu por acaso - na época, Cartola trabalhava como lavador de carros, numa garagem próxima ao botequim, e era vigia noturno.
Na verdade, o encontro com Sérgio Porto foi fundamental para a retomada de sua carreira e sua casa logo se tornou ponto de encontro dos maiores sambistas da época, que além da boa companhia desfrutavam dos quitutes de Dona Zica, cidadã mangueirense com quem Cartola já vivia.
Daí nasceu a idéia do Zicartola, o bar que o casal abriu num casarão da rua da Carioca, centro do Rio de Janeiro. O bar logo se tornou novo ponto de referência dos sambistas e também de toda uma geração de importantes compositores e intérpretes de classe média interessados em conhecer o samba.
O Zicartola virou moda, como parte de um processo no qual se destaca o papel relevante de compositores preocupados com a defesa dos ritmos brasileiros, chamando atenção para a temática dos morros, já nos melhores dias da Bossa Nova. Desse modo, os dois mundos musicais viveram um momento de integração, levando muitos jovens compositores a voltares suas visões críticas para o importante celeiro dos sambistas urbanos e dos compositores de samba que sempre existiram (e continuavam a existir) nos morros cariocas.
Mesmo com o esse novo impulso favorável ao samba, Cartola só gravaria seu primeiro disco em 1974, aos 65 anos de idade. Gravaria ao todo quatro discos solo, além de um ao vivo, que seria lançado após sua morte.
Mais sobre a história do samba na postagem de maio de 2007, "Samba, sim" . http://fuaemlata.blogspot.com/2007/05/um-pouco-de-samba.html

4 de fevereiro de 2008

Trio elétrico


Depois do frevo, um pouco da história do Carnaval da Bahia.

Em 1950 surgiu a famosa dupla elétrica. Após observarem o desfile da famosa "Vassourinha", entidade carnavalesca de Pernambuco que tocava frevo na rua Chile, e empolgados com a receptividade do bloco junto ao público, a dupla elétrica formada por Adolfo Antônio Nascimento -o Dodô- e Osmar Álvares de Macêdo resolveu restaurar um velho Ford 1929, guardado numa garagem. No Carnaval do mesmo ano, saiu às ruas tocando seus "paus elétricos" em cima do carro e com o som ampliado por alto-falantes. A apresentação aconteceu às cinco horas da tarde do domingo de Carnaval, arrastando uma multidão pelas ruas do centro da cidade.
O nome "trio elétrico" surgiu em 1951, quando, pela primeira vez, apresentou-se no Carnaval um conjunto de três instrumentistas. A "dupla elétrica" (Dodô e Osmar) convidou o amigo e músico Temístocles Aragão para integrar o trio e tocar nas ruas de Salvador numa pick up Chrysler, modelo Fargo, maior que a fobica do ano anterior, em cujas laterais se liam em duas placas: "O trio elétrico".
Osmar tocava a famosa guitarra baiana, de som agudo; Dodô era responsável pelo violão-pau-elétrico, de som grave, e Aragão, pelo triolim, como era conhecido o violão tenor, de som médio. Estava formado o trio musical.
No ano seguinte, surgiu o primeiro grande bloco de Carnaval, denominado "Os Internacionais", composto apenas por homens. Nesta época, a todo instante "pipocava" um trio elétrico novo, mas os blocos iam para as ruas acompanhados somente de baterias ou grupos de percussão. Foi aí que também apareceram as famosas cordas e as mortalhas para brincar o Carnaval.

1 de fevereiro de 2008

Frevo

A palavra frevo vem de ferver, que passou a designar: efervescência, agitação, confusão, rebuliço; apertão nas reuniões de grande massa popular no seu vai-e-vem em direções opostas, como o Carnaval, de acordo com o Vocabulário Pernambucano, de Pereira da Costa.
O Frevo é um ritmo pernambucano derivado da marcha e do maxixe. Surgido no Recife no final do Século XIX, o frevo se caracteriza pelo ritmo extremamente acelerado. Muito executado durante o carnaval, eram comuns conflitos entre blocos de frevos, em que capoeiristas saíam à frente dos seus blocos para intimidar blocos rivais e proteger seu estandarte. Da junção da capoeira com o ritmo do frevo nasceu o passo, a dança do frevo.
A sombrinha, tão marcante na dança, não passava de um guarda-chuva conduzido pelos capoeiristas pela necessidade de ter na mão como arma para ataque e defesa, já que a prática da capoeira estava proibida.
Este argumento baseia-se no fato de que os primeiros frevistas, não conduziam guarda-chuvas em bom estado, valendo-se apenas da solidez da armação. Com o decorrer do tempo, esses guarda-chuvas, grandes, negros, velhos e rasgados se vêm transformados, acompanhando a evolução da dança, para converter-se, atualmente, em uma sombrinha pequena de 50 ou 60 centímetros de diâmetro.

30 de janeiro de 2008

É Carnaval!


Carnaval chegando, vamos falar um pouco sobre esta festa.

Quem trouxe o carnaval ao Brasil foram os portugueses, por volta de 1750. Nessa época, a festa era chamada de entrudo, palavra que vem do latim introitu e significa entrada, pois a comemoração começava na entrada (início) da Quaresma. Mais tarde, surgiram as máscaras, as fantasias e as marchinhas. A serpentina (de origem francesa) e o confete (de origem espanhola) que enfeitam os bailes de salão chegaram ao Brasil em 1892. Algumas fantasias, como as de Pierrô, Colombina, Arlequim e Rei Momo são bastante tradicionais, principalmente nos bailes de salão. Mas, mesmo com todo o sucesso desses bailes, o carnaval de rua é cada vez mais procurado e ainda preserva parte do folclore brasileiro.
O primeiro carnaval brasileiro, segundo os historiadores, aconteceu em 1641. O governador do Rio de Janeiro, Salvador Correa de Sá Benevides, determinou que se dedicasse uma semana de festa para homenagear a coroação de D. João IV. O povo adorou a idéia. No início, o carnaval era animado com canções portuguesas, como as quadrilhas. Depois, vieram a polca e os ritmos do carnaval italiano. Só em 1870 é que surgiu uma música tipicamente brasileira, o maxixe, e a primeira canção carnavalesca do país: E viva Zé Pereira. Uma tradição do carnaval eram as brigas com ovos, limões, água e farinha, já cultivada em outros países. Na época da Proclamação da Independência, eram comuns essas batalhas. Até as orgulhosas senhoritas da alta sociedade participavam. Das varandas das casas, moças vistosas jogavam ovos e água nas pessoas que passavam na rua.

Nas próximas postagens, um pouco dos ritmos celebrados no carnaval de todo o país.

23 de janeiro de 2008

Modernidade Criativa

Aqui vão algumas soluções criativas para fugir da mesmice-padrão das necessidades da modernidade.

Lençol para solteiros:
Sofá inteligente:

Imã de geladeira com abridor de garrafas:

Mictório:

Ducha colorida:

Lixeira-robô:

Cadeira-família:

Prato para festa:

Mochila Yoda:

Banheiro Masculino:

15 de janeiro de 2008

Apático

Tenho pouco na bagagem
Pouca história para contar
Carrego dentro pouco de força, de esperança
e de sorriso para disfarçar.
Tenho muito de idade
O suficiente para confessar
Do que me resta, seja muito, espero
Pois do quase nada que me revelo
Não o chamo de viver.
Sobrevivo
No medo do que não sei, do que não quero
A todo tempo me contradigo
Mas sempre sigo o que me faz continuar.
Hoje nada me traduz
Não há canto, melhor amigo
nem poema escondido, nem feixe de luz
Não há sequer sombra do que for que diga.
Hoje nada me conduz
Não há receio nem bem querer
Apático, apenas acredito na fé que pus
No meu desvelo, ao amanhecer.

14 de janeiro de 2008

Fim do Dia

Demora tanto, demora tanto pra crescer
Pra depois de uma hora pra outra morrer
Tem que mamar, tem que comer e beber
Deixar vir e ir sofrimento e prazer
Não há o que lamentar
Quando chega o fim do dia
Um cara que anda tem que chegar em algum lugar
Um cara que trabalha trabalha trabalha deve se cansar
O cara estuda tanto e ainda tem tanto pra aprender
Passa o tempo e fica mais fácil esquecer
Não há o que lamentar
Quando chega o fim do dia
Não há o que lamentar
quando chega o fim do dia
Se despede da sua dor
Diz adeus à sua alegria
Não há o que lamentar
Quando chega o fim do dia.

Arnaldo Antunes

3 de janeiro de 2008

Tudo Novo de Novo

Primeira postagem de 2008.
Nada mudou.
Depois da passagem de ano a vida segue. O que renovam são apenas especulações; esperanças que às vezes morrem logo, às vezes persistem por mais um tempo; promessas ora cumpridas, ora esquecidas.
E o ano novo carrega mais um ano de velhice, no árduo peso do tempo.
E vivemos, e rimos, e choramos, e prometemos, e desistimos, e amamos, e erramos. Tudo novo de novo, como diria o Moska.


TUDO NOVO DE NOVO

Vamos começar
Colocando um ponto final
Pelo menos já é um sinal
De que tudo na vida tem fim
Vamos acordar

Hoje tem um sol diferente no céu
Gargalhando no seu carrossel
Gritando nada é tão triste assim
É tudo novo de novo

Vamos nos jogar onde já caímos
Tudo novo de novo
Vamos mergulhar do alto onde subimos.
Vamos celebrar

Nossa própria maneira de ser
Essa luz que acabou de nascer
Quando aquela de trás apagou
E vamos terminar

Inventando uma nova canção
Nem que seja uma outra versão
Pra tentar entender que acabou
Mas é tudo novo de novo

Vamos nos jogar onde já caímos
Tudo novo de novo
Vamos mergulhar do alto onde subimos.

19 de dezembro de 2007

Mineira


"O sotaque das mineiras deveria ser ilegal, imoral ou engordar. Porque, se tudo que é bom tem um desses horríveis efeitos colaterais, como é que o falar, sensual e lindo (das mineiras) ficou de fora? Porque, Deus, que sotaque! Mineira devia nascer com tarja preta avisando: Ouvi-la faz mal à saúde. Se uma mineira, falando mansinho, me pedir para assinar um contrato doando tudo que tenho, sou capaz de perguntar: Só isso? Assino achando que ela me faz um favor. Eu sou suspeitíssimo. Confesso: ESSE SOTAQUE ME DESARMA." Carlos Drummond de Andrade

Crônica moderna de fim de ano

Não se faz mais fins de ano como antigamente. Hoje em dia está tudo renovado e a tradição se encaixa às tendências da modernidade.
O Natal, ainda com tantas luzes, se transforma em um dos poucos momentos de encontro no ano de pessoas atarefadas que mal participam da vida do outro. É a noite em que todos se reparam e aos cantos comentam uns com os outros as novidades do ano: quem se separou, quem se juntou, quem envelheceu, quem rejuveneceu.
Na trilha sonora, definitivamente foram aposentadas as canções que embalavam o espírito natalino, em especial aquele cd da Simone! O garoto de 11 anos lança o som que a galera gosta e os clipes do momento. Os jovens cantam (em inglês) e imitam seus artistas em roupas, gestos e rebolados. As tias acham lindo; A mamãe pede bis.
A criançada hoje, mais adulta do que tudo e mais esperta do que a de antes, não conta mais com o serviço dos Correios e desde bem antes mandam um e-mail para Papai Noel, aproveita e envia uma cópia para o pai, a mãe e deixa seus desejos de Natal divulgados no blog e na lista de presentes do orkut. Precaução. Na lista, a novidade não é exatamente novidade: normalmente são versões atualizadas dos presentes do ano passado.
E assim seguem as festas de Natal e Ano Novo. As roupas de Reveillon são cada vez mais coloridas, já que a necessidade não se resume em apenas paz.
A esperança para o próximo ano se renova com o desejo de passar em um concurso público, e não mais subir de cargo na empresa. É contar quantas cirurgias plásticas pretende fazer, e não mais rezar para passar longe de um hospital.
Aguardamos 2008 chegar e com ele as novidades para o próximo dezembro.
Boas festas.

7 de dezembro de 2007

Fala,Charles


Pensamos demasiadamente
Sentimos muito pouco.
Necessitamos mais de humildade
Que de máquinas.
Mais de bondade e ternura
Que de inteligência.
Sem isso,
A vida se tornará violenta e
Tudo se perderá.

Charles Chaplin

30 de novembro de 2007

Ley de gravedad


¡¡Voy!!
Pensando en el pasado
Viendo de lleno el miedo y enfrentándolo
¡¡Voy!!
A veleta perdía
Llevá por lo que más brilla y con ventilación
¡¡Voy!!
Sin brújula ni prisa
En mi soledad me encuentro en technicolor
¡¡Voy!!
Sin huir de este tiempo
Aire pa los laberintos de mi corazón.
Las palabras que no son
Son paja en el camino
Los amigos que no son
Son sonámbulos de pasillo
¡Dime dónde estás, dime dónde vas, dime lo que ves!
Ley de gravedad...
No necesito tener alas pa volar
Ley de gravedad...
El viento gira y la veleta sigue igual.
Pero no pa siempre
Dicen los que ven
No pa siempre este mundo del revés
Pero no pa siempre
Dicen lo que ven
¡Pero no pa siempre!
¡Pero no pa siempre!

Canción de Ojos de Brujo
http://youtube.com/watch?v=hBW4OWCRt-M
http://www.ojosdebrujo.com/

25 de novembro de 2007

Latente

O que é bom brilha forte, e acaba
Do ruim, por muito tempo estraga
Furor que arrepia, ardente
A dor, somente
O choro, o riso
O desejo, indeciso
A alegria de outrora se disfarça
Em sentir mais, é quase farsa
Do não querer, do não sentir
Não viveria, enfim!
Por que tudo em mim é tão latente?

24 de novembro de 2007

Olha o jegue

Na viagem para o Ceará, que terminou hoje, fiquei impressionada com o estado e as suas várias contradições. De um lado, a grande pobreza que vive a região, maltratada pela seca e tudo o que ela acarreta; de outro, a beleza do seu fantástico litoral. Na capital, Fortaleza, tudo que é explorado, o que será, a sua história, os prédios arranha-céus e tantos outros que virão... É a riqueza de uma cidade e a miséria ainda visível em todo o restante...
Pareceu-me que os maiores ídolos do povo cearense são Tasso Jereissati e Fagner.
Pareceu-me que os maiores orgulhos do povo cearense são os famosos humoristas da terra e o tradicional animal da região, o jegue, minha gente! rs
Posto aqui algumas fotos dos lugares que mais me encantaram:
Canoa Quebrada: Fiquei apaixonada por este lugar! Antiga praia de nudismo que ficou conhecida nos anos 60 por ripongas de todo o mundo. Hoje com cerca de 3mil habitantes, tem uma vista incrível, um ar bastante místico e uma "Broadway", a rua de lazer que garante a vida noturna do lugar. Ainda vou comprar uma casa lá...

Lagoinha: Cartão postal do litoral cearense, Lagoinha é uma belíssima praia no município de Paraipaba. Muitos coqueiros, muita brisa e é muito aconchegante!

Flecheiras: Este nome vêm dos índios que viviam ali e pescavam com arco e flecha. Parece que estamos nas dunas do Maranhão. A paisagem de areia clara contrasta com o cenário ao lado, da praia do Mundaú.

Mundaú: Praticamente inexplorada, paradisíaca. Além disso, possui dois fenômenos que a faz ainda mais irresistível: o encontro da água doce do rio Mundaú com o mar e as paleodunas, em que as dunas de areia estão se transformando em pedras.
O Ceará vale a pena ser visitado!

16 de novembro de 2007

Respeitem meus cabelos, brancos

A homenagem desta vez é ao Dia da Consciência Negra!
Esse dia é celebrado desde a década de 1960 em 20 de novembro, que relembra a morte do Zumbi dos Palmares(em 1695) e traz uma reflexão do papel do negro e a sua inserção de forma justa na sociedade.

"Ninguém nasce odiando outra pessoa pela cor da sua pele, ou por sua origem, ou sua religião. Para odiar as pessoas precisam aprender.
E se elas aprendem a odiar podem ser ensinadas a amar, pois o amor chega mais naturalmente ao coração humano do que o seu oposto.
A bondade humana é uma chama que pode ser oculta, jamais extinta."
Nelson Mandela.

Leia sobre:
Fundação Palmares - http://www.palmares.gov.br/
Mundo Negro - http://www.mundonegro.com.br/
Quilombo dos Palmares - http://www.quilombodospalmares.org.br/

9 de novembro de 2007

Exterior

Por que a poesia tem que se confinar
às paredes de dentro da vulva do poema?
Por que proibir à poesia
estourar os limites do grelo
da greta
da gruta
e se espraiar além da grade
do sol nascido quadrado?

Por que a poesia tem que se sustentar
de pé, cartesiana milícia enfileirada,
obediente filha da pauta?
Por que a poesia não pode ficar de quatro
e se agachar e se esgueirar
para gozar
– carpe diem! –
fora da zona da página?

Por que a poesia de rabo preso
sem poder se operar
e, operada,
polimórfica e perversa,
não pode travestir-se
com os clitóris e balangandãs da lira?

Waly Salomão

5 de novembro de 2007

Por que


Dá-lhe Otto!!! Depois do show de sábado(bom demais!), música hoje martelando...momento propício.

Por que você me quer assim
Triste e traiçoeiro
Se eu posso dividir meu corpo e meu amor.
Pra que ficar assim desesperada
Se ele falou que não lhe quer
Até de manhã
Vou esquentar os pães
Teus dedos
Até de manhã
Vou esquentar os pães
Teus dedos...
Na vida tenho muito que dançar
Para aguentar o peso
Pra parar de pensar no erro.
Por que você não quer
Ficar tranquila um pouco
Seu rosto é mais bonito rindo.
Pra que ficar assim desesperada
Se ele falou que não lhe quer
Até de manhã
Vou esquentar os pães
Teus dedos
Até de manhã
Vou esquentar os pães
Teus dedos
Por que você me quer assim
Triste e traiçoeiro...

31 de outubro de 2007

Hallo... o que?


31 de outubro. Hoje o dia é do Saci!

Desde 2005 foi oficializado esse dia como uma homenagem à brasilidade, tendo esse personagem como símbolo dessa festa, que também e principalmente é um manifesto contra o "dia das bruxas", de uma cultura que não faz parte da nossa e não sabemos porque existe. "Gostosuras e travessuras" na minha terra é em setembro, no dia de São Cosme e São Damião! Ah,isso sim faz parte da minha infância...
O Brasil não precisa importar cultura, já temos o bastante, muito obrigado.
Entre lendas e cantigas, entre doçuras e travessuras, viva a cultura e o folclore brasileiro!
E por falar nisso, você sabe a história do Saci?

A Lenda do Saci data do fim do século XVIII. Durante a escravidão, as amas-secas e os caboclos-velhos assustavam as crianças com os relatos das travessuras dele. Os primeiros relatos são da Região Sudeste, em Minas e São Paulo. Em Portugal há relatos de uma entidade semelhante, que usa botas vermelhas. Há também variantes dessa entidade, na Argentina, Uruguai e Paraguai(Yasy Yateré), que é pequeno, gordo, vermelho e usa um bastão mágico dourado. Na Alemanha existe um anão chamado Kobolde, cujas características, de moleque travesso, são idênticas.
Seu nome no Brasil é de origem Tupi Guarani. Por aqui o Saci-Pererê é considerado um negrinho brincalhão de uma perna só que fuma um cachimbo e usa na cabeça uma carapuça vermelha, que lhe dá poderes mágicos, como o de desaparecer e aparecer onde quiser. Vive aprontando travessuras e se diverte muito com isso. Adora espantar cavalos, queimar comida e acordar pessoas com gargalhadas;
O Saci-Saçurá tem olhos vermelhos. Ele também se transforma numa ave chamada Mati-taperê, ou Sem-fim, ou Peitica como é conhecida no Nordeste, cujo canto melancólico ecoa em todas as direções, não permitindo sua localização. A superstição popular faz dessa ave uma espécie de demônio, que pratica malefícios pelas estradas, enganando os viajantes com os timbres dispersos do seu canto, e fazendo-os perder o rumo. Ele adora fazer pequenas travessuras, como esconder brinquedos, soltar animais dos currais, derramar sal nas cozinhas e fazer tranças nas crinas dos cavalos.
Diz a crença popular que dentro de todo redemoinho de vento existe um Saci. Dizem que ele não atravessa córregos nem riachos. Se alguém jogar dentro do redemoinho um rosário de mato bento ou uma peneira pode capturá-lo, e caso consiga sua carapuça, pode realizar um desejo.
Se alguém for perseguido por ele, deve jogar em seu caminho cordas ou barbantes com nós. Ele então irá parar para desatá-los, e só depois continua a perseguição, o que dá tempo para que a pessoa fuja.

"Se queres ser universal, cante a tua aldeia".

24 de outubro de 2007

Roda Viva

Tem dias que a gente se sente
Como quem partiu ou morreu
A gente estancou de repente
Ou foi o mundo então que cresceu
A gente quer ter voz ativa
No nosso destino mandar
Mas eis que chega a roda viva
E carrega o destino prá lá...
Roda mundo, roda gigante
Roda moinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração.
A gente vai contra a corrente
Até não poder resistir
Na volta do barco é que sente
O quanto deixou de cumprir
Faz tempo que a gente cultiva
A mais linda roseira que há
Mas eis que chega a roda viva
E carrega a roseira prá lá...
A roda da saia mulata
Não quer mais rodar, não senhor
Não posso fazer serenata
A roda de samba acabou
A gente toma a iniciativa
Viola na rua a cantar
Mas eis que chega a roda viva
E carrega a viola prá lá...
O samba, a viola, a roseira
Que um dia a fogueira queimou
Foi tudo ilusão passageira
Que a brisa primeira levou
No peito a saudade cativa
Faz força pro tempo parar
Mas eis que chega a roda viva
E carrega a saudade prá lá...
Roda mundo, roda gigante
Roda moinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas rodas do meu coração.

Chico Buarque

18 de outubro de 2007

Como Che


Em tempos de comemorações aos 40 anos da morte de Che Guevara me peguei relendo alguns trechos do seu diário de viagem, que ganhei há uns 4 anos, escrito antes de ser o tão conhecido líder revolucionário.
Participante também dessas comemorações, porém não cabendo a mim aqui discutir, analisar ou defender, faço h
omenagem bem mais light (como a intenção deste sítio), trazendo uma idéia aos viajantes aventureiros que, normalmente, lá pelas tantas se pegam com o estoque de miojo ao fim e sem dinheiro para se divertir.

"(...) Logo antes de o sol nascer, cruzamos uma dupla de beberrões, e decidimos nosso brilhante plano "aniversário". Consiste no seguinte:
1 - Um de nós fala qualquer coisa em voz alta que nos identifique imediatamente como argentinos, alguma coisa como che no meio de outras expressões e pronúncias típicas. A vítima então pergunta de onde nós somos, e nós começamos a conversar.
2 - Passamos a relatar nossas aventuras sem fazer muito alarde a respeito, o tempo todo com o olhar perdido no horizonte.
3 - Aí então, eu entro e pergunto qual é a data do dia. Alguém responde e Alberto suspira e diz: "Que coinciência. Faz exatamente um ano". A vítima pergunta o que aconteceu há um ano e nós respondemos que faz exatamente um ano que nós começamos a viagem.
4 - Então Alberto, que é muito mais cara-de-pau do que eu, solta um tremendo suspiro e fala: "Que pena que nós estejamos tão sem dinheiro, não vamos poder celebrar" (fala isso meio de lado para mim). A vítima imediatamente oferece-se para pagar, nós fingimos recusar por alguns instantes, dizendo que não teríamos como pagar de volta etc.,mas por fim aceitamos.
5 - Após o primeiro copo eu me recuso totalmente a continuar bebendo, e Alberto começa a rir de mim. Nosso anfitrião se irrita e insiste, eu continuo a recusar, mas não digo o porquê. A vítima continua a indagar,até que eu confesso, um tanto quanto envergonhado, que na Argentina não existe o costume de beber sem comer.
Quanto nós conseguimos utilizando esse plano depende de cada momento, mas a técnica nunca falha."

Do livro De moto pela América do Sul, o diário de viagem de Ernerto 'Che' Guevara.

12 de outubro de 2007

Inspiração ou transpiração?

Artigo de Renato Vivacqua
Inspiração ou Transpiração na Música Popular Brasileira?

A existência da inspiração, estro, engenho poético ou qualquer outro nome que se lhe dê, dentro do processo de criação de uma obra é motivo de muita polêmica. Os crédulos não abdicam de terem sido impregnados pela aura, enquanto os descrentes classificam de pueris tais enlevos. Uma coisa é certa: tem que haver o catalizador imprescindível que é talento. Sem ele não adianta ser inspirado ou diligente. O resultado será sempre pífio. Vamos para a gangorra.
Manuel Bandeira diz: "Não faço poesia quando quero e sim quando ela, poesia, quer". João Cabral de Melo Neto acha que tudo resulta de uma elaboração mental. Paul Valery afirmava: "O primeiro verso é editado pelos deuses". Carlos Drummond de Andrade - "não sou do tipo que senta e diz: vou criar uma poesia e conseguir". Stravinsky era enfático: "A inspiração vem do trabalho". Na música popular as divergências não são menores. Uns repudiam, outros decantam. Chico Buarque se analisa. "Sou um bom artesão. Trabalho bem com as palavras. Só que às vezes vem um lampejo, uma idéia luminosa - esse lance eu não domino. Por esse eu não respondo. Esses momentos mágicos me surpreendem". Edu Lobo: "O brasileiro é vidrado em negócio de inspiração, uma coisa quase religiosa, realmente mística. Acho que como proposta essa dependência da inspiração é a coisa mais atrasada e incrível. A música é o resultado de um trabalho muito duro". Caymmi se justifica - "não faço criações a não ser espontaneamente, eu não tenho fábrica de canções. Não sei fazer nada sob encomenda. Por isso sou considerado preguiçoso". Vandré ainda lúcido: "Sou um profissional de comunicação. Posso garantir que se você me pedir uma canção de amor, eu te dou amanhã, tão boa ou melhor que todas que fiz". David Nasser fala de Ary barroso: "O Ary fazia música por inspiração. Não fabricava. Tinha a febre santa. Onde ela baixasse sacava uma pauta e gravava no papel a melodia". Caetano sempre inspirado: "Inspiração quer dizer: estar cuidadosamente entregue ao projeto de uma música posta contra aqueles que falam em termo de década e esquecem o minuto e o milênio". Tom Jobim é racional: "Tem aquele compositor que diz que é 5% de inspiração e 95% de transpiração. É verdade". A verdade é que a frase foi cunhada pelo gênio-monopolista americano Thomas Edison e dizia: "O gênio é 1% de inspiração e 99% de suor". Noel Rosa, segundo seus contemporâneos, era um privilegiado quanto à criação pois a sua relampejava em cima do fato. Sobre inspiração ele dizia: "Eu só faço samba quando estou inspirado. Não procuro forçar mesmo porque não adianta. Quando a bossa falta nem um homem com poderes divinos é capaz de compor". O eclético Braguinha também se manifesta: "Nunca fiz força para fazer música. Todas saíram tão naturalmente que nem senti e quem sabe é esse o segredo do sucesso". E na história da MPB realmente muitos sucessos surgiram, segundo os protagonistas, desse encantamento súbito. Noel narra como surgiu o Até. Amanhã (até amanhã/se Deus quiser/ Se não chover/ Eu volto pra te ver, ó mulher) no seu retorno de uma excursão ao sul. "Deixei uma mulher e levava saudades. Fui para o canto do navio, pedi uma bebida, acendi um cigarro e o samba nasceu espontaneamente". A Saudosa Maloca de Adoniram existiu na Rua Augusta onde passava sempre. Certo dia começaram a demoli-la e a música veio de estalo. Fio Maravilha teve suas primeiras estrofes brotadas no Maracanã após um gol inesquecível do crioulo. Tom Jobim, contrariando sua teoria de estiva, conta como surgiu a belíssima Por Causa de Você (Ai, você está vendo do jeito que eu fiquei/ E que tudo ficou). "Dolores fez a letra com um lápis de sombrancelha, o instrumento que tinha na mão para não perder o momento de inspiração. Isso aconteceu numa sala da Rádio Nacional quando eu dedilhava a melodia. Dolores fez a letra em cima da perna, em cinco minutos". A letra de Arrastão, segundo Vinícius, também nasceu em cinco minutos. "Tom dedilhava o piano e eu escrevia a letra. Tudo espontâneo", 1961. Sucesso estrondoso bossa-novista de O Barquinho (Dia de luz/Festa do sol/E o barquinho a deslizar). Ronaldo Bôscoli depõe - "já tive inspiração de letras em diversos lugares, diversas situações: tomando banho, meditando ou emocionado por um fato como foi o caso do Barquinho. Um dia Menescal e eu voltamos de uma pescaria, sentamos na varanda e escrevemos a música de ponta a ponta: ele criou a melodia, e a letra saiu inteira". Muito mais poderia ser contado.
Deixo aos leitores a escolha entre a sudorese e o encantamento.

6 de outubro de 2007

Bemol

Acordei bemol
Tudo estava sustenido
Sol fazia
Só não fazia sentido.

Paulo Leminski

25 de setembro de 2007

O meu amigo...


Minha mãe sempre foi fanática por Roberto Carlos. Desde pequena ouço as músicas e as histórias do rei contadas pela fã número 1. Na casa, um espaço reservado às suas duas(!)coleções completas em cd e mais uma em vinil. Além disso, fotos, reportagens, songbooks, biografias (inclusive aquela não-autorizada), canhotos de ingressos dos shows...

Confesso que sempre ouvi com certa distância, talvez pelo simples fato de que era a música da minha mãe, embora não se espante se pegá-la dizendo que curte Ramones ou Pearl Jam... Mas com o tempo aprendi a apreciá-lo com outros ouvidos, e em contextos ou versões diferentes reconheço que às vezes ele se mostra um gênio da canção popular, principalmente na sua época 'jovem-rebelde-sem-chapinha'.

Depois de "Todos estão surdos",o primeiro hit do rei que me fez empolgar de verdade (ok,a versão do Chico Science colaborou para a mudança do conceito), ontem em uma festa pirei ao poder cantar e dançar ao som do clássico "Ilegal, Imoral ou Engorda".
É uma brasa, bicho!


Vivo condenado a fazer o que não quero
De tão bem comportado às vezes eu me desespero
Se faço alguma coisa sempre alguém vem me dizer
Que isso ou aquilo não se deve fazer
Restam meus botões, já não sei mais o que é certo
E como vou saber o que devo fazer
Que culpa tenho eu, me diga amigo meu
Será que tudo o que eu gosto é ilegal, é imoral ou engorda.
Há muito me perdi entre mil filosofias
Virei homem calado e até desconfiado
Procuro andar direito e ter os pés no chão
Mas certas coisas sempre me chamam a atenção
Cá com meus botões, bolas eu não sou de ferro
Páro pra pensar mas não posso mudar
Que culpa tenho eu, me diga amigo meu
Será que tudo que eu gosto é ilegal, é imoral ou engorda.
Se eu conheço alguém num encontro casual
E tudo anda bem num bate-papo informal
Uma noite quente sugere desfrutar
No meu terraço a vista de frente pro mar
Mas a noite é uma criança, delícias no café da manhã
Então o que fazer, já não quero mais saber
Se como alguma coisa que não devo comer
Se tudo que eu gosto é ilegal, é imoral ou engorda

Será que tudo que eu gosto é ilegal, é imoral ou engorda.

21 de setembro de 2007

A Primavera


Quando chega a primavera
Nada mais é o que era
A chuva cai, o ipê amarela
A noite vem mais bela com o entardecer.

Tudo volta a nascer
Da grama cinza o verde que era
Da lembrança do beijo o que agora congela
E vive eterna, viva e terna
como ela.

Estação do futuro, do passado que volta
Que repete a sua rota
Da realidade mais singela
de olhar quem tanto espera,
de desejar a quem venera,
de respirar, de luzes, cores,
de abelha em flores,
da sorte, da morte, da terra,
da esperança que nunca se encerra
Quando chega a primavera.

10 de setembro de 2007

Enfim,Drexler !!!


Então...Eis que chega o momento: falar sobre o show tão ansiosamente aguardado. Após um ataque de gastrite e quase-depressão durante algumas horas, devido ao possível impedimento de comprar os ingressos, veio uma agonia por 5 dias para chegar o sábado e assistir, enfim, o show sonhado por anos...

Na verdade, depois de assistidas as apresentações de sábado e domingo fiquei imaginando o que poderia escrever aqui, já que me senti compromissada a fazê-lo depois de um comentário em postagem anterior... Minha vontade foi de simplesmente dizer: Perfeito. ponto.
Porém, faço aqui uma tentativa de contar o que vi...vivi.
Um palco simples e colorido. Um cantor simples e colorido: de alma, de delicadeza, de vida. Modesto, simpático, inteligente. Interage com o público, fica nervoso(e ri), se preocupa em falar português, pára a música para desejar "saúde" a alguém que espirra, chama atenção do barulho de um celular numa sutil brincadeira de que deve-se programar o toque em "La Maior" para acompanhar a música, acha engraçado o estranho dançar do Arnaldo Antunes, se surpreende que o público conhece o seu trabalho, de verdade.
Foram shows lindos, abrilhantados por improvisos, pelo percussionista Guilherme Kastrup (que cajón era aquele!), por Paulinho Moska e Arnaldo Antunes. Foram dois dias diferentes, com músicas diferentes, emoções e interações diferentes. Mas meus olhos brilharam igual...
Sea...Frontera...Antes...De amor y de casualidad...Músicas que ainda não conhecia e que ouvi, admirada e curiosa. Curiosos também os arranjos especiais para Inoportuna e Soledad com o Arnaldo, Mi guitarra y vos, Eco...
Ao final do último show, momento tiete. Muito tempo de espera e pouco tempo para trocar palavras, autógrafo ao lado da letra de Sanar, foto... Mas valeu a pena!
Homenagens a Paulinho Moska, idealizador do projeto Mercosul Musical, que tornou possível a vinda de Jorge Drexler ao CCBB. Idéia muito boa de trazer a nós um pouco de nuestros hermanos sulamericanos!
E guardo na memória - babando - dois shows maravilhosos, um olhar calmo, uma simpatia tamanha, uma pele macia, um "¡Obrigado, corazón!" e a esperança de um breve retorno.
Visitem!

4 de setembro de 2007

Poesia Adversa

Tenho frases como as tuas
Frases ao ouvido ditas,
Frases de carne crua...
Ilusão da minha vida!
Sonho bom da vida minha!
Ouvir tua voz pela rua
E nunca mais ficar sozinha.

Saber que você vem,
Espero junto ao meu diário
Que um dia o meu contrário
Quis entender o mundo confuso.

E roda a agonia
Cabeça feito parafuso
Vai que não quer mais ninguém
(tenho frases, como as tuas...)
Hoje outro alguém é meu
Para um dia eu ser tua
E, quando chega esse dia,
O fim desapareceu...

Humilde versão, personalizada, da 'Lua Adversa',de Cecília Meirelles